29 de jul de 2010

"Wings of Desire"

Faz uns dois anos que assisti um vídeo no youtube de uma música do U2. Gostei muito do videoclipe e desconfiei que se tratava da trilha sonora de um filme. Acabei me esquecendo e por esses dias, quebrava a cabeça, tentando me lembrar qual era a música e como era o videoclipe Também por esses dias, Charlie me contou que assistiu um filme da década de 80 que se passa em Berlim e tem a ver com anjos. Na verdade, é neste filme que o drama lacrimoso "City of Angels" (1998) é baseado. Charlie me disse que o original, chamado "Wings of desire" (1988) é muito melhor do que a versão dez anos mais nova. Conferi o trailer e acredito que deva ser interessante mesmo:



E, de quebra, consegui achar a música do U2 com o videoclipe do filme!



Tão logo eu assista, publico um post com as minhas impressões.


28 de jul de 2010

Banguela

Sonhou que seus dentes caíam todos. Sem raiz, nem dor. Ficavam moles e ele quase engasgava com os tais dentes - miúdos, pareciam de leite. Devia ser porque suas gengivas estavam sensíveis:

Preciso ir ao dentista

, pensou antes de ir dormir.

Ou então, 28 parentes estavam prestes a morrer - não tinha os sisos.

A melhor versão de Titanic

Se existe um blockbuster que eu desprezo, esse blockbuster é Titanic. Entretanto, eu realmente gostei dessa versão e acho que ela dá conta do filme, mesmo que dure 30 segundos. É uma ótima síntese:

26 de jul de 2010

Amo, logo existo

E de repente, não mais do que de repente, bastou que eu existisse para fazer sua vida mais feliz. Quem diria que as coisas poderiam ser tão simples...

Everybody hurts

Meu melhor amigo me lembrou hoje de uma coisa que eu lhe disse há um tempo:

- Já morri e renasci muitas vezes.

Ele me disse que isso o está ajudando a lidar com um momento difícil pelo qual está passando. Isso me deixou muito feliz, mas não pude deixar de desconfiar de uma certa presunção da minha parte. O que eu sei da vida aos 20 e poucos anos? O que tanto morri e renasci?

Seja como for, isso tem feito a diferença para ele. E fez a diferença para mim. E ainda faz. Ao longo da vida, a gente parte... E se reparte e se divide. Depois se junta de novo. Tem tanta coisa que fica perdida no passado e são tantas as respostas que nunca temos. E precisamos? Depois de um tempo, percebemos que há coisas que nunca entenderemos ou saberemos. E quanto mais cedo aceitarmos isso, mais cedo vamos canalizar as nossas energias para coisas produtivas. Tem coisas que estão além do nosso alcance. E entender e aceitar isso tem a ver com felicidade.

Eu acho mesmo que ao longo da vida, morremos e renascemos muitas vezes. Eu já morri algumas vezes e renasci tantas outras. E sei que enquanto puder morrer e renascer estará tudo bem.

(Os amigos são a família que a gente escolhe, o que faz de você meu irmão).

23 de jul de 2010

Sobre territórios e metáforas aquáticas

Depois de conversar com a Diva Ruiva, eu me pergunto o que é pior: alguém que, num relacionamento, sofre por se doar demais, por se entregar total e cegamente ou alguém que sofre justamente por não conseguir se entregar minimamente, deixando o outro sempre às suas margens, sem se envolver, sem deixar que o outro entre em sua vida de fato. O primeiro entrega seu mundo sem questionamentos, mergulha de cabeça sem saber o quão raso pode ser o outro. O segundo fecha-se em sua redoma e é incapaz de ir além da superfície. Medo de se afogar? Ou não quer aprender a nadar mesmo?

São dois extremos e nenhum dos dois é aconselhável... 

Mas...

(E cá estou eu escrevendo mais uma vez sobre relacionamentos...)

22 de jul de 2010

Diário: Emília

Eu me despedia de todos quando o professor me viu. Me acenou simpático e comentou em tom paternal:

- É a bonequinha da escola. Só não sei se é de pano ou porcelana.

Eu sorri:

- Nenhuma das duas.

Mas agora me pergunto: de que serei feita?

Aforismo do Amor que foi embora

Quando alguém nos deixa, às vezes é preciso matar o próprio amor, mas nunca o amor-próprio.
(Frau Forster)

21 de jul de 2010

As sem-razões do Amor

(Carlos Drummond de Andrade)

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
E da morte vencedor,
Por mais que o matem (e matam)
A cada instante de amor.


Não é o meu preferido de C.D. de A., mas casa perfeitamente com o momento...

20 de jul de 2010

Diário: Hoje acordei épica

Me mandaram lá para onde Judas perdeu as botas. Eita lugarzinho mais longe... e confuso! Glup! Engole a ansiedade, chame o amigo, pegue seus documentos e vai! Pulamos o gradil, caminhamos pela terra escorregadia. Cadê o Minotauro? Porque cismo que percorremos um labirinto interminável de números trocados. Ei! O que são esses ônibus vermelhos? Cadê os meus azuis? Munida de R.G., C.P.F., muita braveza e o Gianazzi dentro da pasta, capturado quando entrávamos no grande templo, lembrei dos heróis gregos de Odair José e continuei.

Encontrei várias carinhas familiares e sorridentes. Outros rostos eram conhecidos, mas sem afeto. O salão transbordava juventude. E eu rezando para que a sala de aula transbordasse idealismo pé-no-chão. Eu disse a todos que constituiria família enquanto esperava a minha vez chegar, trazida pelos quatro séculos e meio. Com coragem, enfrentei o tempo (contra mim) - e o pântano que se tornara o banheiro feminino:

- A descarga não 'tá funcionando - e os olhares respondem em exclamções compreensivas.

Passaram os quatro séculos e resisti bravamente com minha força e meu clube social. Será que eu iria conseguir? A ansiedade me devorava as costas e a fome, o estômago. Meu nome apareceu na tela, piscante. Ágil, certeira e determinada, segui meu destino. E consegui, novamente.

Saudade

Para você

É a falta que cabe
e preenche
meu abraço
(campo de lírios)
quando você está longe.

No espaço largo
mora o eco eco eco
que morre sereno
ao mais leve contato
da nossa pele.

(Frau Forster)

19 de jul de 2010

"Porque de mulher eu entendo..."

Essa é uma das coisas mais miantes (no mau sentido) que eu conheço: quando o sujeito sustenta a aura ou o discurso de Eu entendo de mulher. E vale o contrário: Sou uma mulher vivida, sei tanto sobre homens... Eu acredito que por mais que a gente viva, nunca se sabe o suficiente. E não acho essa uma maneira muito efetiva de demonstrar segurança, no melhor estilo: Sei muito bem o que estou fazendo... Há!

A experiência nunca é o bastante para que você tome como universal o comportamento de meia dúzia de homens ou mulheres que conhece. Digo isso por experiência própria. Claro que sabemos de algumas tendências do comportamento feminino e masculino, mas se todas as cartas fossem marcadas e tudo fosse previsível, para que se preocupar? A vida seria enfadonha.

A experiência adquirida ninguém tira, mas acredito que cada pessoa é única, de modo que, não importa quantos milhões de relacionamentos ou amantes tive, quantos xavecos ou cantandas baratas conheça, quantos sábios conselhos dei ou deixei de dar. Quem pensa que sabe muito, nada sabe na verdade.

Se alguém acha que manja muito de mulher ou de homem, talvez devesse escrever um livro de auto-ajuda, afinal, deve-se saber muito sobre a vida para achar que sabe ler o outro de ponta a ponta.

18 de jul de 2010

Maurício+Malu: Ele

Eles saíram para almoçar fora. Retomaram um assunto que retomava-se ocasionalmente:
Malu: - Não esquenta com isso - um sorriso.
Maurício: - É chato demais saber que tem um cara dando em cima da sua mulher! - um resmungo.
Malu: - Eu sei, meu amor. Mas uma hora ele desiste - um gole de suco.
Maurício: - Mas homem costuma ser muito insistente. - uma garfada.
Malu: - Olha, o cara é casado e eu não dou a mínima pra ele - uma alçada de sobrancelha.
Maurício: - Eu sei. Mas tem gente para quem o fato de se estar acompanhado não faz a mínima diferença - uma careta.
Malu: - Sim, e pra ele não faz a mínima diferença... Quem ele pensa que eu sou? O cara dá em cima de mim sendo casado e sabendo que eu sou casada! Eu cortei relações com ele... - um garfada.
Maurício: - Mas ele continua vindo atrás. Homem não costuma desistir fácil. - um balançar de cabeça.
Malu: - Bom, uma hora ele cansa. Se eu tiver que ser o primeiro "não" da vida dele, que seja... - um leve alçar de ombros - Eu não tenho paciência para joguinhos, você sabe...

16 de jul de 2010

Como lidar com a sua primeira dor de estômago

O que era aquilo? O estômago? Fosse o que fosse começou a doer e ela logo viu estrelas. Sempre que sentia uma dor muito forte, via estrelas. Sentiu o corpo amortecido, mole, solto. A pressão caiu e ela também. Quase, na verdade. Antes que cambaleasse, sentou-se num banco e tirou um dos casacos. Definitivamente era o estômago. Quer tirar o outro casaco, mas é de nylon e a protege contra a garoa grossa quase chuva de pingos corpulentos. Uma ganchada certeira. Estrelas. Fecha-se a porta do metrô. Outra ganchada em seu estômago. Mais estrelas. A visão turva e ela se apavora. Quase, porque estava sozinha e apavorar-se só pioraria as coisas. Respira fundo. Afinal, a vertigem foi frequente por cinco anos. Sem pânico. Mais algumas estações e estaria em casa. Um gancho de direita. Mas ela não vai à nocaute. De onde tinha vindo aquela dor de estômago?

Acho que ela tem pouca resistência a dor. Mas como se mede isso afinal?

Ouvindo 100000 fireflies (The Magnetic Fields)

15 de jul de 2010

Como sobreviver a uma enchente


Por não saber se rio ou choro, eu choro. As lágrimas abundantes vão formando primeiro uma poça ao meu redor. Depois um lago. Pois não afundo: dentro de mim só o vazio, só ar. Sou vazia, logo bóio. O lago vai aumentando cada vez mais. Até se torna um rio. E rio.


14 de jul de 2010

Diário: Cara lavada

Garoa normalmente me deixa para baixo. Mas já que meu humor não tem estado lá essas coisas, a garoa não teve qualquer efeito sobre mim. Munida de um casaco de nylon e de um par de galochas compradas na seção infantil de uma loja de departamento, fui resolver o lance do documento.

Filas e uma manhã se foi. Triste a hora em que a atendente me disse:

- ... E depois você vai tirar a foto.

- Mas eu trouxe a foto.

- Mas agora é tudo digitalizado.

Digitalizado? Se é assim quero photoshop! Olhei para a atendente:

- Puxa, vou sair assim...

- Mas você está bem assim - respondeu ela simpática.

Não, não estava bem. Por que justo hoje resolvi fazer duas trancinhas? Terá sido um espírito junino retardado? De repente não curti direito as comemorações juninas e isso acabou aparecendo agora. Ou então é simplesmente meu lado indígena aflorado, em homenagem aos velhos tempos... Mas como ser índia com essa cara pálida? E essas olheiras? Belo dia para sair de cara lavada...

Agora, por mais cinco anos, vou ter que olhar para essa foto e lembrar de como estava me sentindo.

E de como deveria ter deixado pelo menos um batom na bolsa.

Ouvindo Mad World (Gary Jules)

13 de jul de 2010

Sem sorrisos

Onde é que tinham se perdido? Ela olhou triste para a secretária eletrônica. Nenhuma mensagem. Só o silêncio. Um silêncio que os envolvia. E medo. Puro e simples medo de tudo estar perdido. Escovou os dentes com força sem perceber. Guspiu. Viu a espuma avermelhada rodar rodar rodar pelo ralo. Ela escorria lenta pelo ralo, junto com a espuma.

12 de jul de 2010

Zona de Poltrona

A: - Então você conheceu a nova namorada dele.
B: - Isso mesmo.
A: - E aí? O que achou?
B: - Ah! Ela é legal...
A: - Qual o nome dela?
B: - "Zona de Conforto"

Vítrea

E eu achando que era tão transparente e que era fácil fácil me ler. Resposta errada.  Cada vez mais me surpreendo quando as pessoas não conseguem me ler, ainda que eu seja bastante expressiva e que o meu rosto e tom de voz demonstrem o que eu sinto. Talvez não seja o bastante mesmo. Talvez nãoa exista nada como a verbalização dos sentimentos. Talvez.

11 de jul de 2010

Monalisa & Cera quente

Estava dentro de um ônibus e esbarrei com o seguinte anúncio "Depilação Monalisa". Ao lado, a figura da pobre e famosa mulher. Será que, dentre todas as suas invenções, Leonardo Da Vinci chegou a criar algum método de depilação?! Se eu gostasse da Monalisa, diria que é uma "blasfêmia". Todavia, eu reconheço sua importância, o que me faz reconhecer a "blasfêmia", ainda que ache curiosa a escolha para o nome do estabelecimento.

Diário: Camarões

Pedi um tempurá na feirinha de domingo. Vegetais ou camarão? Tenho medo dos frutos do mar vendidos como frutas em feiras na Liberdade. Entretanto, minha intuição era a de que os camarões não ofereciam qualquer risco:

Deve ter poucos camarões,

pensei enquanto esperava a minha vez. O japonês agitado me perguntou o que vai ser?
- Um tempurá de camarão - respondi ousada.

Sem espanto, encontrei dois camarões do meu tempurá. Eram simbólicos, meramente ilustrativos

10 de jul de 2010

Royal Crown Revue


Sobre o CD que ele lhe gravou:

Ela: - Adorei, parece música de gangster mesmo!
Ele : - É. Tem umas animadas, umas mais românticas e até uma de fossa. É a "Stormy Weather".
Ela: - E o que faz um gangster quando está na fossa? Atira em todo mundo?
Ele:- Bom, acho que não.

Ouvindo (e quase dançando) Hey Pachuco by Royal Crown Revue

9 de jul de 2010

Anorexia & Cia

Para Iracema

Os primos conversam:
Ele: - Você ainda dança?
Ela: - Sim, danço sim.
Ele: - Com que frequência? Várias vezes por semana?
Ela: - É sim, por quê?
Ele: - Então como é que você está tão gorda?

Observação: A prima em questão é uma amiga minha que faz dança do ventre há muito tempo e que de gorda não tem nada. Tem um corpo lindo. Mas... e se fosse gorda? Depois o problema é que mulher encana com peso e dizem que homem não liga nem repara. Pior do que reparar e comentar, é ver coisa onde ela não existe. Daí as mulheres que são eternas insatisfeitas.

Isso ela me contou. Perguntei:
- Mas seu primo é pequeno? Sei lá,a gente dá um desconto pra criança...

E ela veio com uma frase lapidar:
- Não. É inconveniente mesmo... O cara tem uma vida vazia e quer tentar estragar a dos outros.

(Pensei em colocar uma foto aqui de alguma mulher anoréxica, mas as achei muito fortes)

P.S. Uma das coisas que mais me dá nojo é gente tirando sarro de pessoas fora do padrão, sejam gordas, estrábicas, homossexuais, judias, negras e assim segue a lista. EI? De que diabos de padrão estamos falando aqui? Quem você pensa que é?

Relacionamentos abertos & Cia

Ele era meu professor de francês e uma pessoa muito interessante. Falávamos sobre qualquer coisa, mas sempre que o tema era relacionamento, a coisa se enroscava: nossos pontos de vista eram muito diferentes. Não que chegássemos a discutir nem nada assim, mas ele estava certo que me convenceria das vantagens vantajosas do relacionamento aberto.

Eu já não era boba nessa época e era noiva, daí a situação ficar mais delicada. Ele sempre me contava de uma "namorada" que teve durante um tempo e de como era a relação deles. Eu respeitava, mas não aprovava. Não que tivesse que aprovar coisa alguma:

- Olha, eu não tenho nada contra. Isso me soa bem moderno, mas sou antiquada. Não daria certo pra mim.

Era o que eu lhe dizia. Acho que se os dois envolvidos estão de acordo, bem, por que não? Mas para mim, não funcionaria: minha cabeça é outra. Sou muito mais a favor do que Tia Ninota costumava me dizer: 

- Tenha muitos namorados, mas um de cada vez.

Acho uma certa graça em seu conselho. E acredito que seja preferível ter vários namorados , um de cada vez, é claro, a trair a pessoa com que se está. Não, eu não tive muitos namorados. Sinceramente isso não me faz falta. Essa necessidade forçada de ter várias experiências não me parece saudável.

Esteja com que se gosta.

Seria esse o meu conselho para as minhas futuras sobrinhas. E por que não sobrinhos?

Como muitas pessoas que conheci, meu professor era uma excelente companhia... até que se tocasse no já mencionado assunto. Aí tudo ficava estranho. Um dia eu descobri que ele flertava concomitantemente comigo e com uma amiga: Lili.

Para alguém que curte relacionamentos abertos, está tudo mais do que certo. Mas um dia nós duas cansamos das histórias e das conversas. É difícil manter a amizade ou a convivência com alguém que tem declaradamente segundas intenções. Um dia eu disse a mim mesma:
- Clara, já é hora de dar um basta, não?

E nunca mais falei com ele. Não dava para alimentar a amizade em alguém que sabia que eu estava prestes a casar (o que não houve de fato) e achava normal xavecar duas amigas ao mesmo tempo (xavecar? usei mesmo essa palavra?). Bom, pelo menos ele fazia isso pelas nossas costas: conheci um cara capaz de flertar com duas garotas ao mesmo tempo, estando elas uma do lado da outra. Era o tipo incapaz que perceber como ele se afundava quando elas percebiam a ausência de preferência dele. Bom, mas isso é outra história...

Mas agora me diz: o que você acha disso, Zeca?

7 de jul de 2010

Como fazer amigos


Maurício+Malu: Aos seus pés

Estavam deitados na cama. Já devia ser duas da manhã e nenhum dos conseguia dormir. O motivo? A vida.

Estava frio e a janela, fechada. Mas Malu insistia em ficar sem meias. Era como se elas sufocassem seus pés. Pés respiram?
- Não, não respiram, mas não gosto de meias sem sapatos.

Foi então que Maurício reparou nos pés dela: unhas feitas. Ela mesma fazia, pois achava um desperdício absurdo ir a manicure. Esmalte vinho. 

- Por que mulher pinta as unhas dos pés? - ele perguntou.

- Por que não? - ela quis saber.

- Hum... Acho que é para combinar com as mãos, né? - arriscou ele.

- É, talvez. Nunca parei para pensar nisso - disse ela vagamente.

- Mas se é para combinar, por que o esmalte das suas mãos é claro e o dos seus pés é vinho?

Malu olhava para o teto. A luz amarelada e morna no abajur pousava sobre ambos.

- Porque ontem, quando eu pintei as unhas dos pés eu era uma pessoa. Hoje, quando fui pintar a sdas mãos, eu era outra.

Diário: Presunto e queijo

Não me incomodou a fila para comprar frios (meia hora?), mas o senhor que puxou papo comigo e começou a falar mal das filas. Porque nada presta hoje em dia. Só faltou ele dizer que a solução para a sociedade era a castração, como ouvi certa vez, estarrecida.

Não me preocupou o fato de os pães terem esfriado no meu abraço, mas o pai que passou com o carrinho de bebê rente ao forno aberto. Acorda, filhote! O corredor era estreito e o atendente abriu o forno pouco antes de o pai aparecer. Bom, havia outro corredor que ele poderia ter escolhido, mas tem gente que gosta de fortes emoções.

É a primeira vez que vou a esse mercadinho depois da reforma. Passou do estatuto de mercearia  ao de mercado. Muitos produtos, mas poucos funcionários. Muito tempo gasto lá dentro. 

Saí de lá e já era noite. Parece que fiquei presa num lapso temporal. Quanto tempo terá se passado? Quando cheguei em casa, minha irmã estava casada e com dois filhos, meus pais muito velhinhos e eu já não morava lá - no meu quarto só havia móveis usados. Okay, não aconteceu bem assim, mas bem que poderia...

Gosto do seu gosto

Os dois estão dividindo um milkshake:
Ele: - Mas como é que você gosta de Shania Twain?
Ela: - Uai, gostando...
Ele: - Tem tanta coisa melhor!
Ela: - Ah! Mas eu também gosto de outras coisas, ué!
Ele: - Sei sei.
Ela: - Até parece que eu caí no seu conceito por causa disso.
Ele: - É, não chegaria a esse ponto.
Ela: - Eu gosto de Frank Sinatra. Será que dá para reverter a situação?
Ele: - Bom, em se tratando de Frank Sinatra a resposta é sim.

Tin Man

Robot in Love by Rudy-Jan Faber


Tin Man (America)

Sometimes late when things are real
And people share the gift of gab between themselves
Some are quick to take the bait
And catch the perfect prize that waits among the shelves

But Oz never did give nothing to the Tin Man
That he didn't, didn't already have
And Cause never was the reason for the evening
Or the tropic of Sir Galahad.

So please believe in me
When I say I'm spinning round, round, round, round
Smoke glass stain bright color
Image going down, down, down, down
Soapsuds green like bubbles

Oh, Oz never did give nothing to the Tin Man
That he didn't, didn't already have
And Cause never was the reason for the evening
Or the tropic of Sir Galahad

So please believe in me
When I say I'm spinning round, round, round, round
Smoke glass stain bright color
Image going down, down, down, down
Soapsuds green like bubbles

No, Oz never did give nothing to the Tin Man
That he didn't, didn't already have
And Cause never was the reason for the evening
Or the tropic of Sir Galahad

So please believe in me

6 de jul de 2010

Lili foge

Não dava para viajar de estrela cadente. Nem de Viação Cometa. Não tinha bicicleta. Nem carro. Nem  trem. Nem ônibus. Pegou então a vassoura com a qual varria as folhas do acabateiro e, numa lufada de ar, voou para longe. Muito longe.

Diário: Recentemente

Reunir as amigas de faculdade era coisa rara. Nos encontramos na estação Consolação. Algumas ficariam para o almoço, outras não. Mas o fato é que naquele momento estavam todas juntas. Que fazer? Registrar o momento!

Tirei algumas fotos, mas queria uma foto de todas nós - éramos seis. Não ia emprestrar minha câmera para qualquer passante:

- Por que você não pede para o moço da CPTM? - sugeriu uma das garotas - Ele é bem simpático.

Me aproximei dele e pedi que tirasse a foto. Nem me passou pela cabeça o óbvio:

- Olha, inflelizmente eu não posso tirar foto. Vocês até podem, mas eu não.

Agradeci, expliquei as meninas e começamos a conversar. Não se passaram nem cinco minutos e ele:

- Se vocês quiserem, aquele moço ali - ele apontou - é legal e pode tirar a foto de vocês.

Agradecemos, mas ficamos sem a foto do grupo. Nos encantou a simpatia do funcionário.

*******

Pagamos convênio médico para ficarmos 24 horas em jejum, quando tudo deveria ser resolvido rapidamente. 

*******

No hospital, John Malkovich esperava na fila, atrás de mim, o horário de visitas. Ele era mais baixo do que eu pensava e seus cabelos eram cheios e grisalhos. Sempre pensei que ele fosse careca.

*******

Contei a Charlie sobre o meu descontentamento e sobre como o deixei claro ao meu prestador de serviço (que tem se atrasado com frequência):

- Em vez de chegarmos às 9:30, chegamos às 9:33.

Ela riu.

*******

Ontem, eu estava no lugar certa e na hora certa. E me senti muito feliz por ter o tamanho que tenho e por ter podido ajudar alguém que realmente precisava de mim.

5 de jul de 2010

Blue (and lilac)

Olhando a luz entrar através da cortina lilás. O quarto imerso numa luz lilás. Seu corpo, enovelado em cobertas, esticado. Preguiçosa, se espreguiça. Adeus preguiça: minha manhã começa agora

As meias a olhavam, abandonadas no chão. Sem os pés, não eram nada. Eram frias. Não passavam de puro algodão. Adeus carne dos pés macios. Adeus esmalte. Adeus calor.

E na sucessão de "adeuses", ela se levantou.

Feist me lembra tanto Joni Mitchell! Bom, as duas são candenses e causam em mim uma certa sensação. Para mim, cantam músicas tristes, mas me trazem um conforto morno. Acho que viver é ouvir ambas sem deixar que a tristeza tome conta. Viver é saber separar as coisas. É saber separar a hora do "eu" e a dos "outros" - só para poder juntá-las depois.

4 de jul de 2010

Pensamentos soltos [1]

O Galvão é chato, mas o Neto não é nenhuma Brastemp. Sorvete de abóbora com coco é uma coisa de-li-ci-o-sa! Esmalte vermelho faz qualquer mulher se sentir porderosa - MI-AU. Assistir Eclipse (2010) foi divertido (não, eu não consigo levar a sério) e ao mesmo tempo instrutivo: dois cavaleiros medievais (ou metido  a machões) lutando (literalmente) pelo amor da donzela (sonsa). Maquiagem é ótimo quando você tem um demaquilante. Blush é ótimo quando você sabe usar. "A história de Ana Raio e Zé Trovão" é uma alternativa curiosa para as novelas da Globo - desprezíveis. Sim, eu sei comer de hashi. E comida japonesa é definitivamente maravilhosa (principalmente se a companhia é boa). Um casamento pode acabar relativamente bem, isto é, sem um dos cônjuges pondo fogo na casa. Não dá para culpar os pais pelos próprios defeitos. Relacionamentos são sempre complexos, quando não, complicados. Mulheres independentes metem medo. Sonhei que tinha que dar aula de francês *pânico*. Lembrei de velhos tempos de faculdade, mas de olhos no futuro. Subir em terceira marcha nem com reza brava. A tatoo sai até o fim de julho. Machado e Alencar hão de me acompanhar. Pense grande, pense grande. Não, eu não tenho 16 anos. Não, não precisa me tratar com essa arrogância: "eu vivi mais do que você", olha a minha cara:

- Sim, eu me esforço para ser legal!

Presenciei um rapaz entregando um buquê para uma moça na estação Consolação. Fofo. Quanto mais cedo eu aceitar os meus defeitos, mais cedo eu acabo com eles. Sim, seja racional (emoção em excesso faz mal, desequilibra). Você já devia saber ver horas em relógio analógico! Incrível como eu simpatizo com carteiros. Por que as pessoas continuam me pedindo conselhos amorosos? Por que se sentem a vontade para desabafar comigo? Não, eu não me incomodo. O Vin Diesel é o irmão gêmeo do vocalista de Right Said Fred, banda famosa pelo hit dos anos 90 I'm too sexy:

Me peguei dançando Don't let me be misundertood na cozinha - Cruzes! Sim, Woody Allen é ótimo, mas me faz pensar do terror psicológico de M. Soares. Cruzes! Submissão feminina não rola. Mesmo.
 
Torcendo para que tudo corra bem amanhã. Tudo mesmo.

Cara, estou de férias! Acho que finalmente a ficha caiu!