31 de mar de 2013

Pílulas: Balanço.

Impecável. Salto alto. Desejo falho. Batom. E o excesso de consistência nos olhos, cabelos, mãos. Sentada junto ao sol. Viu ninguém chegar. Se achegou junto a balança. Deixou os sapatos altos e vermelhos de lado. Assim como o desejo - falho ou não. E o batom. Sempre o batom.

Sentou-se na balança. Pegou impulso. Fui.

30 de mar de 2013

Diário: Devia ter ido à farmácia.

I

- Bom dia - ele.

- Bom dia, por favor, vocês têm alguma coisa do Medicine? - eu.

- Quê?

- Medicine.

- Quem?

- Medicine.

- Não.

- Okay, obrigada.

II

- Bom dia - ele.

- Bom dia, por favor, vocês têm alguma coisa do Medicine? - eu.

- Hum, acho que temos, deixa eu ver.

Dez minutos depois.

- Temos Medicine 8 e Medicine Wheel.

- E só Medicine?

- Só Medicine não tem.

- Tá, obrigada.

III

- Bom dia - ela.

- Bom dia, por favor, vocês têm alguma coisa do Medicine? - eu.

- Temos? - ela pergunta para uma colega.

- Temos - responde a colega - Mas só em vinil, na vitrine.

- Hum, vinil. Posso ver? - eu.

- Claro - ela responde.

Dez minutos depois aparece com um disco: MAD SIN.

- Ah, eu queria MEDICINE e não MAD SIN.

- ... - ela.

- MEDICINE nós não temos - responde a outra.







29 de mar de 2013

20 e poucos anos: L'amour

Falavam ao telefone e ele disse que queria estar apaixonado mesmo, para sentir tudo aquilo. Ela sorriu, sem sentir nada:

- Acho que não sei mais o que é isso.

- Sabe sim, Lô. Como você, logo você não ia saber?

Lô teve que concordar e riu por fora. Por dentro, matutava. Raul matutava também. De onde vinha aquela vontade de ir até o fim do mundo por alguém? Perder a cabeça? Lô nem nada. Vinha aos tropeços, nada dando muito certo, aos soluços.

- E aí, vai sair com aquele cara lá de sempre?

- Nada - disse ela, sem qualquer emoção.

Faltava-lhe emoção. Sempre mais do mesmo. Arroz com feijão. Arroz empapado e feijão de segunda. Resolvera passar fome.

- Assim você some.

- Ah. Me deixa.

Espreguiçou-se com desdém por. Ah. Fez as malas: ia pra praia.

- Você precisa é de banho frio, Raul.

- Mania besta a sua de ver essas novelas antigas.

27 de mar de 2013

This is NOT about courage

É simplesmente sobre fazer o que precisa ser feito. E bem feito. É sobre como se encara os problemas. É sobre deixar os dramas pessoais de lado, porque gastam uma energia danada - e preciosa. É sobre não chorar sobre o leite derramado, principalmente se a faca e o queijo estão na mão. Corta-se o queijo. Blá blá blá. Adoro queijo. Pega o pano úmido e limpa logo a bagunça. Vai, nem era tudo isso...

- Que coisa, menino!

É sobre não ignorar a lógica. Mas também sobre não calar o coração. Andar na corda bamba sem alarde. Seguir com a paixão e ir de cabeça sempre que necessário. Sempre. Necessário. É não perder tempo com a fruta que não está madura nem nunca amadurecerá. E responder com um sonoro:

- Ah é mesmo?

Quando a besteira alheia é grande assim ó. É sobre colocar amor e doçura em tudo o que se faz. Sem abrir a mão de força e firmeza - já que uma coisa não exclui a outra. 

Ele me disse que eu era muito corajosa, mas se enganou. Sou comum, bem comum. E é sobre tudo isso, é tudo isso, mas nada disso é coragem.


26 de mar de 2013

Da arte de metaforizar a vida

Ele brincou com o barbante e disse. Falhou. Ela riu. Ela disse. O ato concreto ela transformou em metáfora. E disse.

- Então você é assim?

Ele quis saber. Ela disse. Demais. Ficou sem jeito. Não que aquilo fosse mudar o que estava já posto. Mas... Sentiu-se nua.

24 de mar de 2013

Tesoura de picotar

Para o Fã de Clube de Esquina

Quero tirar todos os móveis do lugar. Todos os livros. Todas as panelas. Todas as ideias. Rever os velhos conceitos, planos, verdades absolutas.

Quero quebrar todos os móveis. Rasgar todos os livros. Queimar todas as panelas. Destruir todas as ideais. Rever tudo o que precisa ser revisto, sem mais adiar.

Quero tudo diferente. Fora do lugar.

Quero quebrar todos os paradigmas, sem me importar com o quanto isso vai me custar. Sei. Sei sim. Sei bem. As coisas não podem mais continuar como estão: é preciso coragem para assumir o que não pode mais ser escondido. Tudo o que dói e você esconde porque acha que não precisa ir ao médico. 

As coisas se ajeitam. Mesmo?

Pois prefiro ajeitá-las eu. E nada como uma afiada tesoura de picotar para acabar com o que quer que existisse antes do agora.

23 de mar de 2013

Lips like sugar

A: - Um beijo nunca é apenas um beijo.

B: - Não?

A: - Não.

Silêncio.

B: - É, pensando bem... Não mesmo.

A: - Sempre vai ter alguma coisa envolvida: seja tesão, seja paixão. Algum sentimento deve haver.

B: - Bom, a vontade passa por todas as coisas que você disse.

A: - Sempre a vontade...

Silêncio.

A: - Vontade dá e passa.

B: - É isso o que você faz com a sua vontade?

A: - Esporadicamente.

Silêncio.

A: - Sempre pode vir alguma coisa depois.

B: - E isso é mau?

A: - Tem consequências, é isso que te digo.

B: - E isso é mau?

A: - Esporadicamente.

B: - Então você preferiria que não houvesse consequências.

Silêncio.

A: - Não foi isso o que eu disse.


20 de mar de 2013

Antibiótico

A infelicidade era escarrada no banheiro de casa e engolida nas ruas, lá fora. Mas, fosse como fosse, estava sempre lá, como que presa. Um nó na garganta. Urro grito desespero preso que se apodera desmorona escombro tudo debaixo por sobre... A infelicidade era engolida nas ruas. Engolia as ruas. Engolfava quem olhasse mais de perto. Tão perto. O ranço morno que não se desprende e não deixa engolir água. Não deixa dissolver o que tanto pesa mas tanto pesa... Não dá para engolir. Dormir. Quero o peso da infelicidade nos meus olhos velhos, quem sabe assim eles durmam. Sono sem sonhos. Mas ela só pesa nos pés: os olhos, acho que em resposta, permanecem abertos. Serão os últimos a morrer. Talvez porque, ao morrer de olhos abertos, se entende a infelicidade que fulmina e suja o banheiro.

19 de mar de 2013

E eis que um elefante me surpreende na cozinha!

- Vou tatuar um elefante.

- Por quê?

- Os elefantes não esquecem.

***

Porque eu pensei que a minha memória fosse só minha. E a sua, só sua. E não é que elas eram, na verdade, uma só? E nos lembramos do dia em que nos conhecemos exatamente do mesmo jeito?

Perguntei por perguntar, só para ver o que você ia dizer. E vi.

[valeu até um leve alçar de sobrancelhas]

Dois pontos de vista de ângulos diferentes, mas a sua narrativa era a minha. E a minha era a sua. Me surpreendeu, sério mesmo. Eu que já não espero nada me deparei com...

A nossa narrativa é a mesma, ainda que a gente não tenha uma história - ou temos? Na sua, na minha mente - secretamante.

Você também se lembra de uma foto antiga minha que eu nem lembrava. E lembrava o bastante para poder encontrar uma sósia minha num filme antigo. Sósia? Não exatamente, mas queria saber porque ela te fez lembrar de mim.

Quis saber e não perguntei. Mais tarde, desvendo. Você, esquivo. Eu, essa mania de achar que sei ler a língua dos outros.

***

- Olha o elefante que eu fiz...

18 de mar de 2013

Solidão, por que não?

Don't even hold your horses: just don't take them out.
Frau Forster

Essa história de inspirar e expirar quando se está nervoso funciona muito bem para mim. Quando você está perdido também não adianta entrar em pânico: respire fundo (sim, o segredo da vida é a respiração - experimente ficar sem respirar para ver o que acontece?) e leia o mapa.

Não é que eu esteja nervosa ou perdida ou em pânico. Na verdade, está tudo bem, de verdade. Na verdade, desconfio que as coisas estejam exatamente em seu devido lugar - como sempre [?]. 

Então o que é? Foi uma sensação que me veio enquanto eu enfrentava o trânsito da manhã de hoje. Penso muito enquanto dirijo - se um dia eu tiver uma ideia fantástica, certamente a terei enquanto estiver ao volante.

Foi a garoa mais a música que me fizeram pensar numa série de coisas. Solidão. Não foi doído nem melancólico nem nada de especial. Só foi - como tantas vezes as coisas só são, simplesmente estão lá, brotam, simplesmente existem.

As pessoas têm medo de ficar sozinhas. Elas têm medo do silêncio. E o silêncio pode ser uma benção, principalmente se abraçado na hora certa - como agora. Silêncio é espaço e tempo. Tão bom esses três.  Quatro. Solidão. Tão bom dar a si mesmo tempo e espaço - e silêncio, muito silêncio. Okay. Só o rádio. Nem sempre é o outro que precisa disso, sabe? Às vezes, nós precisamos disso e nem nos damos conta. 

E dar-se conta disso é bom. E dar-se conta de si mesmo é ainda melhor.

Vira e mexe, me vejo falando de física. Tempo. Espaço. Buracos negros. Gravidade. Causalidade. E talvez sejam exatamente essas coisas responsáveis pela paz de espírito inesperada que esbarrou comigo, derrubando minha costumeira pilha de livros e me fazendo ver os fatos por outro viés..




17 de mar de 2013

Aonde você vai com tanta pressa?

Para Scarlett

- Por que as pessoas fogem daquilo que mais querem com tanta vontade ?!

Foi o que Scarlett perguntou/exclamou ao telefone, depois de eu contado uma história qualquer. Deitada no sofá vermelho, recheado de outras muitas histórias, fiquei pensando no que ela disse e tentando encontrar uma resposta, caso sua pergunta procedesse.

Eram sempre aquelas histórias. Fazer o de sempre? Não. Mala e cuia. Eu era o bom senso em pessoa.

15 de mar de 2013

Não aguenta, bebe leite!

A primeira vez que ouvi:

- NÃO AGUENTA, BEBE LEITE!

Foi num show de rock, porque uma menina passou mal e teve que ser carregada, gerando algum transtorno entre os fãs. 

A frase não é de todo mal, mas esbarra num monte de coisas para que seus desdobramentos sejam considerados em sua plenitude:

1) Às vezes, você pede o leite e vem a cachaça;
2) A cachaça pode estar disfarçada de leite;
3) Você pode achar que aguenta a cachaça quando, na verdade, só aguenta leite;
4) Você tem o direito de beber até cair - desde que isso não atrapalhe a vida alheia;
5) Leite estragado pode fazer mais mal do que cachaça;
6) Leite quente tem um poder curativo maior do que a cachaça.

Ah as metáforas!

14 de mar de 2013

Da honestidade que falta


Ninguém te obriga a nada. Seja honesto com o outro e consigo mesmo - e não case, caso você pense que ao fazer isso estará estragando a sua vida. Não só vai estragar a sua vida, mas a do outro também.




12 de mar de 2013

Quem precisa de Esperança?

Sim, é Esperança com 'e' maiúsculo - em toda a sua graça e glória. Porque um dia as coisas mudam, os sonhos morrem e a última centelha de luz se apaga. Estava pensando nisso por esses dias, dirigindo para o trabalho, lembrando de várias conversas.

A Esperança é a luz no fim do túnel, a luz que nem sempre alcançamos e que nos mantém vivos. Mesmo? Pois eu acho que ela pode prender, acorrentar e podar - e você nunca vai tentar algo novo, seguir em frente, ousar porque tem esperança de que as coisas sejam diferentes - ou que sejam como antes. Fácil fácil passar a vida assim: a eterna espera do que não chega nunca - nem vai chegar.

Mas a luz acaba - isso quando a gente não se cansa de esperar deitado em berço esplêndido e dá cabo nela. A luz que nunca chega? 

- Então chega! - decido entre um tropeço e um sonho.

E, no escuro, tateio a procura do que quer que seja. Talvez uma outra luz para me orientar, um outro caminho, uma outra ideia, um outro sonho. E é a morte da Esperança que antes existia que permite que eu siga com minha pacata vidinha. Assim, posso buscar qualquer coisa que não me acorrente para envelhecer, sem saber o que é viver de verdade.

11 de mar de 2013

Da implicância com o [meu] cabelo

Ela: - Vi uma foto sua lá fora.

Eu: - É mesmo?

Ela: - É, seu cabelo estava tão bonito, mais comprido! Você estava mais bonita...

Eu: - É, estava mais comprido mesmo.

Ela: - Ficava tão mais feminino....

Suspiro - dela, não meu. Estou entretida com minha melancia.

Ela: - Você ficou com mais cara de criança agora. Cara de moleca. Parece mais novinha.

Eu: - Não importa o corte de cabelo, sempre vou ter essa cara.

Ela: - Hum. E o que você sentiu quando cortou o cabelo?

Eu: - Liberdade!

Ela: - E por que você cortou?

Eu: - Porque deu vontade oras...

Última garfada no último pedaço de melancia e fim de papo. Ela faz uma cara de sofrimento e não entendeu nada do que eu disse. Todavia, o 'deu vontade' tem o poder de encerrar diversos questionamentos.


10 de mar de 2013

(Not) love story

- Acho que estou doente - ela murmurou secamente, mostrando o resultado dos exames.

Ele olhou para os exames. Olhou para ela. Péssima.

Depois de alguns instantes:

- E agora vai ser o que, "Doce Novembro"? - ele perguntou num suspiro.

- Ah não. Pensei em "Love story" mesmo - ela olhava pela janela.

- Do Erich Segal? Não gosto: piegas demais - torcendo o nariz.

- É, você tem razão: é piegas mesmo... - ela reconheceu.

Mãos dadas sobre a mesa suja da lanchonete.

- Então o que a gente faz agora?

- Não faço ideia. Agora só quero um café.




9 de mar de 2013

Às escuras

Ele estava sentado no banco do parque, esperando. Era um encontro às escuras e estava ansioso para saber o que o esperava. Ela já devia estar chegando.

O mato crescia alto no parque e uma aranha deu as caras ao seu lado, no banco. 

Ele sorriu.

A aranha se aproximou e ele colocou uma pequena pedra sobre ela, esmagando-a.

Ele sorriu.

Ela ainda estava viva quando ele arrancou a primeira pata. Das outras, nem falo nada.

Ele ainda sorria quando a mocinha chegou, mas não tinha sobrado nada ao seu lado no banco.

Sorriram. Ele se levantou e entregou-lhe uma flor, delicadamente.

A mocinha se sentou ao lado dele.


8 de mar de 2013

Religiosamente

Para o Fã de Clube de Esquina

Ela entra rodopiando pela porta da cozinha, sobe rapidamente numa banqueta e apoia os cotovelos no balcão da cozinha:

- Ô tia, o Breno já chegou? - pergunta ela 

- Ainda não, Dorinha, mas ele 'tá pra chegar - sorri a mãe do menino - Você espera?

Inquieta na cadeira, Dorinha olha ansiosa pela janela. Faz bico.

- É que eu tenho uma coisa pra mostrar pra ele... - suspira.

- O que é? - quer saber a mãe.

Dorinha sorri com algum mistério, mas a mãe logo lê: Não conto. Sorri de volta, serve um copo de suco a Dorinha e logo Breno chega da escola.

- Oi Breno! - depois do gole se suco.

- Oi Dorinha! - Breno ofegante, com a mala de carrinho do Ben 10.

- Tenho uma coisa pra você!

- Cadê? - sorriso largo, os dentes de leite.

- Não 'tá aqui comigo. Vem cá - diz, pegando o menino pela mão.

- Onde a gente 'tá indo? - saindo pela porta da cozinha.

- Quintal. Olha lá - ela aponta um vasinho de flores.

Os dois se aproximam.

- Noooooooooooossa! Um louva-a-deus! Eu sempre quis ter um louva-a-deus de estimação!

E Dorinha, muito satisfeita, responde baixinho:

- Eu sei.


5 de mar de 2013

4 de mar de 2013

Tetris

A: - Não faço ideia do que fazer agora.

B: - Você tem que avaliar bem as duas possibilidades.

A: - Bom, ser adulto é tomar as suas próprias decisões.

Silêncio.

A: - Ser adulto também é assumir o que se faz.

B: - Causa e consequência. Bom, você sabia...

A: - Não pensei que essa história pudesse ir tão longe.

B: - Está indo, você quer dizer. Você se subestima.

A: - Não sei o que fazer.

B: - Acho que é deixar a vida acontecer.

A: - E depois...?

B: - Deixa a vida acontecer!

A: - Até que...?

B: - Você vai encaixando as peças.

Silêncio.

A: - Tudo vai se encaixando.

B: - É.

A: - Tetris.

B: - Sempre pensei na vida como um jogo de pôquer, mas tetris funciona bem também.

3 de mar de 2013

Mal-entendidos [1]

[...]

***

- Não era esse espaço que você queria? - perguntou, recolhendo estrelas, luas e cometas.

***

[...]

2 de mar de 2013

Tão pouco

A: - O que você quer afinal?

B: - O seu corpo.

A: - Jura? Só isso?

Silêncio.

A: - Como você é sem graça...

1 de mar de 2013

A palavra não dita

Para o Fã de Clube de Esquina

Ele me disse que o tema era batido, mas que não valia menos por conta disso. A gente sempre podia escrever. Tema batido e não mexido. Mal mexido.  Acho que ninguém se mexe. Alguém mexe com você?

Tema batido porque todo mundo tem uma história pelo menos. Tenho as minhas e mais uma constelação de coisas que li, ouvi, senti - mesmo sem saber o porquê. Porque as experiências são únicas, as pessoas são únicas. Logo, as histórias são únicas também oras. 

Contei suas histórias mil e uma vezes - e todas diferentes, porque foi tudo diferente, inclusive você mesmo! As minhas eu salpico com uma alegria fingida às vezes, noutras, ela é sincera, tão sincera quando o que ficou passou ficou passou de ruim.

Não valeria menos por ser falado demais. Acho. Penso. Vejo tudo o que existe e acredito poder haver ainda mais, poder dizer ainda mais - porque nem tudo foi dito. E é disso que quero saber: de tudo aquilo que ainda não foi dito. E vem vindo, de carona de mansinho, o não vivido, que me olha estupefato.

Não damos conta do tudo que liberta e escraviza. Sem contar o que fica pela metade, seja em soluço, seja em sussurro, perdido entre versos e viagens a terras desconhecidas. Uns hiatos suspensos e aquele suspense doído de dedo latejando (antes preso na porta): o que vem agora?

Pensamos nos mistérios insondáveis, ainda por vir, sorrio e anuncio, em tom de segredo:

- Hoje tenho uma outra história para te contar...