28 de jun de 2013

Importância

A: - Gostei bastante.

B: - Do quê?

A: - Da sua festa.

B: - Você foi à minha festa?

A: - Fui.

B: - Jura?


P.S. Primeiro dia de férias *fogos de artifício*

26 de jun de 2013

Como sair de cena?

Tem gente que faz um escarcéu, necessidade de confete, atenção, salseiro. Tem gente que só sai depois de ter saído no murro, cansado de dar murro em ponto de faca. Tem gente que faz o outro sangrar, dá uma meia dúzia de pontinhos e vai embora. Tem gente que enrola, faz cara de cachorro sem dono e desiste de perseguir o próprio rabo. Tem gente que sai desidratado de tanto que chorou [um copo d'água?]. Tem gente que sai vegetal: sem demonstração de emoções. Tem gente que se arrasta para fora dos cômodos e da vida alheia. Tem gente que fica por inércia e sai por inércia. Uns se explicam demais, outros, de menos.

E tem uns que...

ei

Aonde ela foi?

Partir pode ter a ver com a hora em que a gente bate o martelo e decide:

- Já deu o que tinha que dar.

Mas também acontece mais naturalmente, quando o quer que seja perde o encanto, a graça.

25 de jun de 2013

O que faz com a saudade?

A: - Às vezes me bate aquela saudade...

B: - E aí? Você fala com ele?

A: - Não, ouço Milton Nascimento.

B: - E aí vai falar com ele...

A: - Não. Ouvir Milton resolve.

B: - ...

19 de jun de 2013

Intimidade

Para o Fã do Clube de Esquina

Era uma quinta-feira preguiçosa e estava deitado confortavelmente, esperando o tempo passar. Folheava um livro qualquer sobre um assunto qualquer. Entediado. Do sofá, dava para vê-la na porta do banheiro, diante do espelho, fazendo não sei o quê. Lembrou-se de perguntar sobre o último filme do Coppola. Não que aquilo não pudesse esperar, mas não tinha nada para fazer - coisa rara. Na verdade, esperava.

Foi até o banheiro e encostou o corpo esguio no batente. Olhou para ela. O rosto estava limpo e ela se olhava séria. Sóbria e séria. Ela encarou de volta e os olhos de ambos se encontraram no espelho. Mas o que viram na verdade?

Não trocaram palavra.

Ela engoliu em seco aquela invasão. Sim, porque o olhar dele, naquele momento, era mais perscrutador e incômodo do que o olhar de qualquer fotógrafo para quem já tivesse posado. Seu espaço pessoal sendo tomado pelo olhar de quem não tinha com ela intimidade e, ainda assim, insistia em pegar um banquinho e se sentar do lado de fora, mas, ainda assim, olhando. Os olhos voltaram a se encontrar no espelho após a primeira camada de pó, mas ela fingia que não via. Fingia mal. Via mais do que queria.

Mas o que via[m] na verdade?

Talvez por ele ser a antropomorfização do desapego, talvez fosse a sua relação com a liberdade, seu conforto morno dos sapatos antiquados, o cabelo em charme desalinhado... Deixou que ele ficasse e olhasse - não sei o quê. Na verdade, ela não sabia porque ele estava ali. E ele também não sabia.

Se ela tentasse explicar, ele não entenderia. Não entenderia que o momento em que vestia ou tirava qualquer máscara era algo terrivelmente pessoal e algo que ela não costumava compartilhar. Era como se ficasse vulnerável, embora os seus superpoderes residissem em outro lugar. O olhar. Um olhar concentrado agora em marcar os olhos e esfumar as pálpebras. 

Ele não entendia, apenas olhava o que ela fazia. E, apesar dos olhos agora estarem diferentes, a dureza do olhar dela ainda era a mesma, ainda que misturada a alguma coisa que ele não soube identificar. Viam e não viam.

A insistência do olhar alheio sem motivo justificável já era por demais incômoda, aquilo então, um abuso quase, mas ela se mantinha firme, como de costume. Como se o olhar fosse o bastante para desvendar alguém por completo! Mais fácil ler mãos e ter alguma consistência do que tentar desvendar com o olhar e se perceber vencido.

E o martírio teve fim quando ela pintou os lábios de vermelho. E sorriu, como se tivesse saído de algum encanto e voltasse a ser a mesma de sempre. Ele sorriu de volta.

E o que viram de verdade?

O que viria de verdade?

Qual era a verdade?

Ah preguiça de quinta-feira sem consistência nem forma. Não tocavam palavras: mantinham-se adormecidas e preguiçosas como a própria quinta-feira dentro de cada um. Mas o vizinho tocava qualquer coisa bonita e a vida era boa.

12 de jun de 2013

Como se chama? ou Aquilo que não se sabe nomear

É só uma sensação. É mais uma sensação do que qualquer outra coisa. E talvez em outros tempos o temor viesse da constatação do seguinte fato:

- Sensação de quê?

[bem... a falta de constatações]

Não sei. Não sei definir. Não sei por que veio. Quando vai, se vai... Não sei se é boa ou má, só sei que está. E é.

A gente tem mania de querer pôr nome em tudo, como se ao dar o nome, tivéssemos algum poder sobre a coisa. Isso me lembra muito Guimarães Rosa, essa coisa da palavra como algo mágico, sabe?

Se não me engano, foi Wittgenstein quem disse que a nossa língua dá conta de tudo aquilo que precisamos dizer. Ora, então talvez eu não precise dizer nada, nem dar nome, já que a língua portuguesa não dá conta disso.

E, bem, eu mesma não dou conta de explicar, ainda que para os meus botões, o que é isso que se passa.

9 de jun de 2013

Timers e timing ou D'areia que te escapa pelos dedos

- TRIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!

Juro que imaginei um daqueles timers de cozinha tocando duas vezes essa semana. E a pessoa olhando com a chateação de quem deixa o bolo passar do ponto.

- A gente faz outro bolo - eu poderia ter dito com carinho, mas...

pra que mentir?

Dizer que não há segundas chances é uma coisa meio forte, quase cruel: acho que a vida nos é generosa. Todavia, a impressão que carrego é que muitas vezes uma chance pode ser a primeira e a última ao mesmo tempo. Bom, pelo menos de acordo com algumas coisas que tenho visto. Claro que isso soa um pouco dramático, mas não é porque soa dramático que não seja verdadeiro.

Ah!

Não sei exatamente o que as pessoas querem da vida. É preciso estar atento às oportunidades, que nem sempre se apresentam como se espera. Também não sei o que os outros esperam. Talvez um milagre. Talvez algo ou alguém que se encaixe perfeitamente em categorias e conceitos pré-concebidos. 

Sei lá. As coisas e as pessoas têm um timing. É quase uma lei da natureza, sabe? Um momento certo para a  coisa certa. Porque se deixar para depois... O momento se perde, as pessoas se perdem umas das outras, das coisas, dos planos, dos sonhos. Não é maldade, juro. São só os momentos que passam - uma vez.

Às vezes, sou muito dura e digo que quem não dá a cara a tapa não merece ser feliz e bem... Pensando bem... Talvez eu seja mesmo, mas, pelo menos, o bolo queimado não é meu.

6 de jun de 2013

Quando a sutileza não favorece

Era tão sutil, mas tão sutil, mas tão sutil que raramente as pessoas desconfiavam de suas intenções.

5 de jun de 2013

4 de jun de 2013

Diário: Considerações e causos alimentícios

Hoje à tardezinha, eu, em busca de uma refeição saudável na lanchonete:

- Boa tarde! Que salgados vocês têm?

- Boa tarde! Vamos ver... - responde a atendente simpática e amigável - Temos de queijo, frango, quatro queijo, escarola com queijo e enroladinho de salsicha.

- Hum. Certo, vou querer um café e um salgado de escarola.

A simpática atendente me traz o salgado morno e apetitoso. Sigo até as mesinhas, deposito minhas tralhas coisas e me sento, acompanhada do meu salgado e do meu café.

Primeira mordida e volto para o balcão, sem graça:

- Com licença, moça, mas esse salgado não é de escarola com queijo.

- Não? Do que é? - ela pergunta.

- Espinafre com ricota - esclareço, muito sem jeito.

- Ah! Entendi... - suspiro - Quer do que então?

Li naquele "ah" um certo desprezo:

"Mas é a mesma coisa!", no sorriso educado, mas já não simpático. 

Ora, eu sempre como nessa lanchonete e sei diferenciar os salgados. Além disso não gosto do salgado de espinafre com ricota porque ele é esponjoso... E, mesmo que gostasse, poxa, eu não pedi outra coisa? E educadamente não expliquei o que estava errado? Me senti como se fosse crime reclamar. E não era e não é. 

Pode parecer uma grande bobagem, mas, hoje, você não reclama do salgado. Amanhã, é o troco. Depois, é a wi-fi. A encomenda comprada on-line que não chega nunca. E aí a gente vai se acomodando. E as coisas nunca mudam porque nunca ninguém reclama e quem teria que melhorar seus serviços também se acomoda.

*****

Não há coxinhas porque vivemos numa sociedade em que comer coxinha não é politicamente correto. Mas isso são outros quinhentos... E eu conheço mães que mandam de lanche doces e salgadinhos para os filhos de diabéticos - e depois ficam de marcação na professora da criança. Mas isso também são outros quinhentos...
*****

Acabei optando por um enroladinho de salsicha, porque aí não tem erro: salsicha é sempre salsicha - não vai ser confundida com frango, peixe ou carne de vaca, mas... Na verdade, a salsicha é uma comida fictícia, não? É um atestado de não-realidade. Por isso, o café veio bem a calhar, pois não há no mundo coisa que me chame mais para a realidade, para o mundo concreto, das ações, do palpável do que o café.

[tomado sem açúcar mesmo] sempre lembrete.

Adeus mundo das ideias do enroladinho de salsicha - e toda a ilusão que ele representa: aquilo que não se sabe bem o que é, não se tem certeza, não se sabe descrever... Ah como eu desgosto da vaguidão...

E como disse meu amigo Filósofo, depois de ter ouvido o meu causo: "O café te trouxe para a terra".

- Me vê um café pé-no-chão? Sem açúcar nem nuvem. Mas bem que pode chover.

2 de jun de 2013

Sobre clichês musicais e paradigmas florais

Para o Fã do Clube de Esquina

Coração, você tem que entender que os meus clichês são os melhores. São justos e bons e dignos. Não que eu goste de clichês, mas muitos têm a sua razão de ser e existir e não perecer. So let them be. Então, não maltrate os meus clichês musicais recheados de afeto e de certeza da boa qualidade e validade - e de  que alguma diferença podem fazer na sua vida.

O mesmo para as flores e demais paradigmas. Tomo aqui paradigma como sinônimo de clichê. Me enrolo? Ah! Nem todos os clichês são dispensáveis assim como nem todos os paradigmas devem ser quebrados. Precisam ser quebrados? Porque eu gosto sim de receber flores e adoro quando me acompanham até a estação. É uma sensação boa, sabe?

Um clichê tem o seu valor e a preservação de certos paradigmas também. Nem tudo tem que vir abaixo para construirmos algo novo.

Quadrilha

Enquanto uma fazia pouco caso das suas investidas, a outra pedia-lhe que ficasse mais - até o amanhecer. 
E, de repente, querer era um desperdício.