29 de dez de 2013

O que te faz feliz?

"Suculenta" por Frau Forster
Mais uma vez retomo a pergunta - já tantas vezes perguntada, já tantas vezes respondida - só por que sempre me deparo com algo novo ou por que simplesmente pensar sobre felicidade é uma coisa que faz parte do ser humano?

Eu, que nunca liguei para plantas, fiquei de coração partido ao perder a plantinha exótica dada por Charlie, no dia dos professores. Fracasso doído, morte de parente. Eu, que nunca dei muita atenção para plantas, me vi ansiosa por comprar vasinhos de suculentas, violetas e outras plantas pequenas. Nasceu então uma nova necessidade: a de ter plantas em casa.

Casa limpa por mim me faz feliz. Cheiro de pinho sol, que me remonta a infância, imperando na cozinha e no banheiro. Almoço que você faz para uma grande amiga - e o almoço dá certo! Servir pizza ao amigo que chega tarde na sua casa faz bem (eu tava morrendo de fome!). Servir o outro faz bem.

Fazer o outro feliz faz bem. Entender que cada um tem o seu tempo: seu tempo de viver certas coisas e de entender outras. Às vezes, o outro, nem com todo o tempo do mundo, vai entender o que eu digo - o que não faz com que eu o ame menos.

"Reunião" por Frau Forster
Olhar com carinho para quem não concorda com você e para quem rejeita você e suas ideias. Como gostar menos do outro por causa disso?

Dar livros e mais livros com dedicatórias. Acertar no timing, no afago, na palavra, na música. Saber o que se quer e não se melindrar quando mudar de ideia. Olhar para antigas cartas, CDs, agendas e olhar com carinho para o passado, mas sem nostalgia, sem querer voltar no tempo. Aprender uma nova língua - que é aprender uma nova maneira de degustar o mundo. Curtir suas conquistas sem medo de inveja, olho gordo e afins, simplesmente porque você sabe que está protegido. Arrumar seus bibelôs de insetos como bem lhe dar na telha. E se desapegar de tudo aquilo que for necessário - incluindo os bibelôs.

Engraçado como algumas necessidades permanecem, mas outras vão embora para dar lugar a outras novas que vão surgindo. Deixei de precisar de muitas coisas e passei a precisar de outras. Acho que todo mundo é assim na verdade.

O meu olhar melhora o meu olhar
Com a felicidade é parecido: muitas coisas que antes me faziam feliz não fazem mais ou não fazem tanto. Bom, algumas coisas permanecem, mas vejo muita coisa nova brotando numa tranquilidade admirável, uma paz transbordante que escorre pelas janelas do meu apartamento, inunda o estacionamento e coroa as crianças que brincam.

O meu olhar também me faz feliz, minha maneira de ser, sentir, pensar e viver a vida. A cada dia que passa, percebo mais isso.

E você? O que te faz feliz?

Ouvindo (que também me faz muito feliz)



E, sem dúvida, 2013 foi um ano incrível. Obrigada.

1 de dez de 2013

Lulu, Adote um Cara e pessoas-objeto

Ser feminista não é tratar os homens como muitos deles vêm tratando as mulheres desde o início dos tempos. Não é devolver na mesma moeda por tudo que passamos. Quem faz isso não entendeu nada. E aí a menina vira aquela chata que diz que nenhum homem presta e pensa que as mulheres são superiores blá blá blá.

Antes de qualquer coisa, é todo mundo ser humano. E gênero é coisa culturalmente construída. Grande perda de tempo essa disputa mesquinha por poder, para saber quem está certo, quem tem razão.

Somos tão mais do que isso...

Dois sites sobre "relacionamentos" têm dado o que falar: o Lulu e o Adote um cara.

Pensei, a princípio, que a revolta masculina em relação ao Lulu era muito salseiro, mas me coloquei no lugar e vi que também não curtiria que alguém se visse no direito de me dar nota (oi?) sem o meu consentimento.

Porque o grande lance do Lulu é a questão não ter o consentimento do mancebo. E, se por um lado, no Lulu a objetificação masculina se dá sem autorização, por outro, no Adote um Cara isso é feito consensualmente, como se você escolhesse um prato no cardápio. É assim que a gente lida com o ser humano? Se o outro se colocar em tal posição.... Bom.

Isso me fez pensar uma coisa...

Sempre acreditei que ninguém deve ser tratado como objeto, independente de ser homem ou mulher. Mas o Adote fez com que eu me lembrasse que as pessoas têm seu livre arbítrio para escolherem ser tratadas como objeto, caso seja essa a sua vontade E aí, bom, não é da minha conta - o que não quer dizer que eu vá tratar o outro assim, já que não é a minha praia.

E, afinal, o que é um concurso de Miss? 

A participante é avaliada quase que inteiramente por sua aparência e recebe notas. Só que ela escolhe estar lá, escolhe ser avaliada, escolhe a posição ornamental. Agradável aos olhos. Sempre impecável. E quem sou eu para questionar isso?

Só que quando uma mulher escolhe uma posição ornamental ou uma posição de objeto, ela não fala só por ela enquanto indivíduo: fala por todas as mulheres que a precederam e é como se assinasse embaixo de todas as coisas ruins feitas em relação à mulher e colocasse por água abaixo todas as conquistas femininas.

Mas, ainda assim, é direito dela. O que posso fazer é assumir um posicionamento diante da sociedade e esperar que entendam que, do mesmo modo que o outro tem o direito de ser quem ele quiser (objeto ou não), tenho também o direito de ser um ser humano complexo e em 3D - como todo mundo é, na verdade, embora nem todos escolham se mostrar assim.

Então, o que aprendi com tudo isso? Se uma pessoa escolher se colocar na posição de objeto, é direito dela - desde que os demais entendam que não se pode generalizar e que eu, por exemplo, não sou assim nem encaro as pessoas assim. Por isso que acho que o Lulu deu esse problema: não é consensual, fato que não ocorre com o Adote.

E, por último (e mais óbvio), acho que homens não sabem mais lidar com mulheres - e vice-versa.  Na verdade, as pessoas não sabem mais lidar umas com as outras.