28 de mai de 2014

Oferenda

Acordaram ao meio dia. Luxo de domingo. A garoa dançava com o vento e só não se punham a força dentro de casa por razão de janelas e cortinas. 

Acordaram ao meio dia. Fizeram panquecas:

- Mas eu não sei quebrar ovos! - ele dizia sob um leve desespero.

Comeram. Conversaram. Sentiam a vida fluir densa e doce. A seiva de uma árvore jovem. O mel não mais escondido e guardado num favo.

Ah! Era preciso levantar. Levantaram, mas não sem antes enrolarem mais um pouco na cama e colocarem-se a si mesmos em banho-maria do resto do mundo. O tempo não podia parar? O dia estava tão frio... Não podia o tempo congelar naquele instante? 

O mundo real os chamava lá fora: era a garoa dançando friorenta, com seu nariz vermelho.

Ah!

Levantaram. Meias e pantufas. Silêncio sepulcral de quem não quer acordar a si mesmo do sonho.

- Arrumar cama de casal é tão difícil para uma pessoa só... - ponderou com seriedade - Você não podia me ajudar... Para sempre?


8 de mai de 2014

Faithfully


Olhou-se no espelho depois do ocorrido e não se reconheceu: a cara fechada, os traços duros, o olhar sombrio. Não sabia por que continuava. Por que insistir? Talvez fosse sua fé secreta nas pessoas, na vida, em si mesmo. Afinal, não havia outra explicação possível para que um ser humano aceitasse tocar a sua vida como ele vinha tocando.

Fé... Fé? Tinha sim e, felizmente, tinha também sorte de não ser impulsivo, pois era um daqueles dias para se desistir de tudo.

[é, a fé é um troço perigoso...]