21 de jan de 2015

Sobre tomar cuidado com o que se defende ou 'je ne suis pas Charlie'


Com essa onda do Charlie Hebdo e inúmeras manifestações a favor do jornal, me veio uma pergunta:

- Será que as pessoas realmente sabem o que estão defendendo?

Digo isso porque vi inúmeras manifestações do tipo 'Je suis Charlie' e eu, sinceramente, nunca tinha ouvido falar no jornal (ok, me julguem se quiserem...) e acho bem difícil que todo mundo que se declarou defensor do jornal tenha noção ou um conhecimento mais profundo do que ele trata.

Se colocar a favor da liberdade de expressão, ok, nada mais justo, mas eu não ousaria defender algo que mal conheço (no caso, o jornal) e vi e vejo as pessoas vestindo a camisa sem saber exatamente qual é a do time em questão. 

Acho que ao mesmo tempo que devemos preservar e defender a liberdade de expressão, temos que ver o que fazer com essa liberdade. Ou será que posso falar o que quiser? De modo algum defendo os atentados terroristas ou qualquer tipo de violência, mas ridicularizar a crença alheia e coias do gênero não me parece algo de bom senso.

Fui atrás das charges e pelo que andei tentando entender delas (já que meu francês sofrível) falta muito bom senso em muitas delas, mas, como dizia meu querido ex-chefe:

- O que é bom senso para você pode não ser para o outro.

As medidas são diferentes, pois há subjetividade então se não posso esperar o bom senso do outro (que pode muito bem ser diferente do meu e precisarei aprender a lidar com isso - e vice versa), que eu pelo menos conheça aquilo que defendo, a fim de fazer um julgamento condizente com as minhas próprias crenças - de modo que eu tenha certeza daquilo que estou defendendo.

P.S. Vale a pena dar uma lida no artigo de Emerson Luiz.

20 de jan de 2015

Sobre a lógica do trânsito (e um bilhetinho jeitoso)

"Moço, eu não deixei você passar porque você está vindo à direita desde lá de trás e você vai furar a fila, bem na minha frente e a gente não precisa disso, né? Apesar dessa minha cara, percebi que você poderia muito bem ter dado seta antes e ir entrando na esquerda, em vez de furar todo mundo da direita pra esquerda, de uma vez só. É simples, não é pessoal. Eu sempre deixo as pessoas passarem na minha frente, mesmo os folgados. Mas, hoje, moço, resolvi resistir. E, de qualquer maneira, você conseguiu entrar atrás de mim, não? Eu achava que estava tudo bem, até o sinal abrir e você acelerar e sair em disparada com seu peugeotzinho, só para ter o prazer (?) de tirar uma fina de mim e me fechar com muito gosto. Sabe, moço, a gente não precisava de começar o dia nem a semana assim: você podia ter sido bem menos folgado. Acho engraçado isso: eu faço a coisa certa e você me acha a errada. Bom, moço, o errado é você e uma hora você aprende - talvez não pelas mãos de alguém como eu."

19 de jan de 2015

Sobre "Não, eu não recebi o e-mail"



A: - Mas a gente não voltava a trabalhar hoje? Saímos dia 19/12 e voltamos dia 19/01, não? - no celular, falando com uma colega e esperando os demais chegarem ao local de trabalho.

B: - Voltamos amanhã. A Fulana mandou um e-mail na sexta, avisando que a volta era dia 20/01.

A: - Não recebi o tal e-mail.

Volta para casa e, chegando lá, olha a caixa de entrada e o spam de seus dois e-mails. É. Não tinha recebido nada mesmo.

(e assim começava a semana)

15 de jan de 2015

Sobre a falta de borboleticidiade do nado borboleta


Antes da minha aula começar ontem, observei alguns alunos nadando. Crawl, costas, peito e... O que era aquilo? Aquilo, meus caros, era nado borboleta!

Saí da escolinha de natação quando estava começando o nado borboleta, de modo que nunca me dediquei muito a isso. Bom, saí da escolinha há mais de dez anos e não acompanho muito os esportes, daí o meu susto ao ver aquelas pessoas nadando o que se chama "borboleta".

Eu me lembrava mais ou menos do movimento dos braços e lembrava também que cansava muito mais do que os outras modalidades de nado. O que eu não me lembrava era de como esse nado não tinha a borboleticidade da borboleta.

Borboleticidade? Oi?

Okay, okay... O movimento dos braços que se assemelham a "asas de borboleta", entendi. Mas borboletas costumam ser associadas a graça, leveza e delicadeza e não se vê nadinha disso! - bom, isso na minha opinião de leiga.  Acho um nado até que bonito, mas o nadador para mim, se assemelha muito mais a alguma criatura mitológica marinha do que uma singela borboleta.

Se alguém viesse nadando borboleta na minha direção, eu gritaria:

SOCORRO!!!

Na certeza de ser atacada pela criatura, digo, nadador.

Não podiam ter dado a essa modalidade o nome de alguma outra criatura alada?


13 de jan de 2015

Sobre lindos bebês, suas mães exemplares e... o Facebook.

E eis que a mudança drástica obrigou-a a postar em seu status no Facebook:

"Gravidíssima #mãesolteira #guerreira #mãedemenina"

Uns meses depois, exibia e ostentava milhares de fotos daquela criaturinha linda, de nome lindo e com as mais bonitas roupinhas. Muitos "inhos e inhas".

Milhares de fotos nas quais mostrava como era uma mãe presente, sempre fazendo gracinhas com a sua filhinha. Milhares de "curtidas" e comentários do tipo:

"Que coisa mais fofa!"
"Linda sua menina!"
"Super mãe!"
"Nossa! Você está se saindo uma ótima mãe!!!"

Quando ficava com a filhinha, gostava de registrar tudo para poder compartilhar com seus muitos seguidores e fãs e super amigos.

Nos outros 90% do tempo - enquanto estava na faculdade, na balada, na yoga, na aula de zumba, no bar, no clube, no shopping, na aulinha de inglês - quem cuidava daquela linda criaturinha de nome lindo era sua mãe, que não postava nada no Facebook, mas que viu os primeiros dentinhos nascerem e, depois, caírem.

8 de jan de 2015

Sobre chuááá, tchibum e outras onomatopeias aquáticas

Eu, no meu primeiro retorno à natação, em janeiro de 2013
Da última vez que tentei voltar a nadar (o que foi há aproximadamente um ano), me senti um peixe fora d´água - tum nu num nu pish - : por muito pouco não tive um ataque cardíaco por forçar demais meu coração exagero, além de não saber mais que é preciso coordenar braços e pernas e não saber mais respirar.

Conclusão: desisti na terceira aula. Bom, me achei péssima (e fui mesmo), mas também, fazia o quê, mais de dez anos que não nadava...

Mas aí como os azulejos da piscina tinham um "T" de "teimosia", eu sabia que, cedo ou tarde, voltaria a nadar. Além do "T", tinha o lance de atividade física: quando se é sedentário e não se é fã de musculação, é preciso buscar outras possibilidades. No meu caso (e no de muitas pessoas, tenho certeza) um problema é a questão dos horários: eu adoraria fazer dança, por exemplo, mas meus horários nunca batiam com os horários das escolas e academias. 

Que fazer?
A disposição de azulejos formando um "T" de "teimosia" foi a única
responsável pelo meu retorno glorioso ao mundo da natação

Eu sempre tinha gostado de nadar e se meu primeiro retorno não havia sido de glória e louros (ou algas?), mas eu tentaria de novo.

Aprendi a nadar com 11 ou 12 anos e enquanto a maioria das garotas de 15 anos esperava festa de debutante, eu esperava me transformar em sereia a voltar para o mar. Quando isso não ocorreu, foram anos de terapia até eu compreender que:

1) Sereias eram seres mitológicos;
2) Eu nunca seria uma sereia (que sonoro!);
3) Se eu fosse um ser mitológico seria alguma outra coisa menos graciosa (às vezes penso ter um potencial reprimido para Minotauro)

Enfim...

"Aproveite, Mike: esta é a sua última medalha"
Tudo isso para dizer que criei coragem, vergonha, disposição etc. e voltei a nadar. Depois de um ano, me inscrevi numa academia e comecei as aulas e, curiosamente, me saí muito melhor do que na tentativa anterior. Creio que isso tenha ocorrido por eu ter mais conhecimento do que preciso fazer, pois acho que quando eu nadava aos 11 anos, não refletia muito: simplesmente nadava e pronto. Todavia, como estava enferrujada, foi necessário reconhecer respiração, braços, pernas, ritmo e essas coisas todas sobre as quais nem me toquei em 2013.

A experiência do primeiro fracasso aquático me preparou para um retorno mais legal e satisfatório =)

E Michael Phelps que me aguarde! 




7 de jan de 2015

Quando desistir?

Parece meio deprê esse papo de desistir - e isso logo no segundo post do ano! Mas prefiro pensar que saber a hora certa de desistir é uma necessidade humana, necessidade esta que me traz uma certa palavra-chave: "dignidade".

Pode ser uma grande oportunidade profissional, uma antiga amizade ou o sonho de uma vida... Aí você insiste, persiste, teima, dá tudo de si e... Não vai mais. Não vai. Ou nunca foi mesmo. E então vem a dúvida se é o momento certo.

Sinceramente, não costumo ter problemas em saber a hora certa. Já fiz muito estardalhaço nessas de tirar o time de campo, mas nos últimos anos, aprendi a sair com sutileza - e dignidade. 

Quando é coisa pequena, tudo bem: sempre desisto de usar franja, mas sempre volto atrás.

Só que nem sempre a coisa é simples como um corte de cabelo e nem sempre a gente tem a resposta assim pronta.

6 de jan de 2015

Sobre pássaros e 2015...

Esse foi um dos quadros que eu NÃO comprei, embora quisesse muito. Problemas de molduras esfolada ¬ ¬

Faz um bom tempo que não escrevo nada por aqui - não, não abandonei o blog - porque a vida lá fora nos chama e eu não quis deixá-la pra lá. Não, não pode e percebo como esse mundo virtual pode nos engolir fácil fácil. 

Pois bem: cá estou eu de volta  e de volta da Leroy Merlin com meia dúzia de quadrinhos, pois se eu começo 2015 diferente, a casa vai começar diferente que essas paredes sem quadros começam a me incomodar depois e um ano e pouco.

Se bem que esse papo de ano novo é bem delicado e já devo ter escrito sobre isso:

O ano de 2014 foi um bom ano, embora com suas inevitáveis perdas e algum muito mertiolate, mas, sei lá, estou tão tranquila com 2015 que até me estranho, sabe? Pensei em algumas coisas que quero fazer e só: sem grandes ambições, sem esperar uma enxurrada de felicidade e blá blá blá. 

E como diz o ditado: "só tem chance de ganhar na loteria quem aposta" Está aí um bom ditado pra seguir em 2015.

P.S. 1) 
Há um bebê passarinho piando na árvore debaixo da minha janela. Me diz se isso não é benção? =)

P.S. 2) 
10 coisas que aprendi em 2014:

1) Cola branca cola TU-DI-NHO;
2) Formigas adoram café;
3) Má administração (seja lá do que for) é uma coisa realmente terrível;
4) Reclamar gasta energia demais e deixa a gente cansado, por isso, se se puder evitar, é uma boa;
5) Nem sempre boas pessoas são bons profissionais e vice-versa;
6) A distância entre um crítico e um chato é ínfima;
7) O que não tem remédio remediado está;
8) Cansaço pode ser facilmente confundido com tristeza e vice-versa;
9) Negociar é uma das coisas mais difíceis do mundo;
10) Estou na profissão certa.

P.S. 3) Quem me inspirou a escrever foi a Silvia, que lê/ lia meu blog e disse estar com saudades dos meus textos =)