27 de out de 2015

Sobre o mundo dos adultos e outras coisas I

Nunca tive problema com o mundo dos adultos, aquela parte das responsabilidades, das contas e tudo isso que assusta tanta gente. Talvez em parte por conta do meu temperamento, em parte por conta da criação que tive. Os meus medos sempre foram outros...

Às vezes, esbarro com um ou outro pela rua. Mas peço desculpas (outra coisa de minha criação) e ambos seguimos nossos caminhos. Por vezes, precisamos sentar, tomar um café e discutir a relação. Contudo, ultimamente, eles devem estar andando por outras bandas, pois raramente nos vemos. No momento, os problemas são outros...

Falar em problema é meio pesado, mas são coisas que realmente incomodam. Uma coisa pode incomodar em vários níveis e o nível do dia é:

COISAS QUE SÃO NATURALIZADAS EMBORA NÃO SEJAM NATURAIS

Na verdade, pensando bem, existe uma lista disso para a vida, mas meu objetivo é só o de pensar nas coisas do mundo adulto. E uma que me assusta um pouco é o trabalho. Ou melhor, o modo como as pessoas lidam com o trabalho.

A maioria das pessoas com quem convivo trabalha demais. Mas quando eu digo demais, é demais mesmo. E aí fica naturalizado que tudo bem você varar madrugadas trabalhando em casa ou na empresa. Tudo bem deixar de almoçar e de se voltar a outras necessidades, tudo por conta do trabalho.

E tudo isso feito com frequência.

E é gente organizada, muito organizada mesmo - então, não, o problema não é organização.

Amo meu trabalho, quem me conhece sabe disso, mas fazer da vida o trabalho é... simplesmente... complicado. E se falo dessas pessoas que exageram quando o assunto é trabalho é porque estou tentando não enveredar por esse caminho. Na verdade, já enveredei e meu esforço é o de cair fora na próxima saída ou retorno. Já até liguei a seta! E ela grita:

CHEEEGAAAAA

(com todas as duas vogais que a palavra possui)

Mas, sabe como é, digamos que estou na Marginal Tietê e conseguir uma saída assim, fácil, não é exatamente, digamos, fácil. Mas a seta já está piscando e isso é um sinal - muito mais para mim do que para os outros.

Pensando bem, essa história toda piora ainda mais quando passam a celebrar esse excesso de trabalho. Não que haja uma competição para ver quem perde mais noites de sono preparando reuniões ou coisas assim, mas vejo as pessoas falando com um certo orgulho de quanto tempo se dedicaram a essa ou àquela atividade em detrimento de coisas essenciais.

E, assim, vão perdendo tudo: de dentes de leite do primogênito a shows incríveis do U2 (porque é preciso preparar a prova para dia X) e assim por diante.

Achei, primeiro, que isso fosse coisa da minha geração, mas desconfio que é coisa do nosso tempo mesmo. Seja como for, é bom mergulhar no trabalho e fazer cinco chegadas do nado medley, mas a vida não é só isso: a vida é também toboágua e pedalinho.

Sobre gente dita sensível

De que adianta a pessoa ter sensibilidade para escrever se não a tem para lidar com pessoas? Que seja um autor distante e não um conhecido querido.