Há vários caminhos e maneiras de encontrar a si mesmo. Esse foi um dos caimhos que eu escolhi. E percorro túneis e estradas na esperança de que os livros me ajudem a entender o mundo e a mim mesma. Bom, até agora não falharam.
09/02/2010
06/02/2010
Diário: Saberes e sabores [2]
Adoro provar novos sabores. Principalmente quando o meu dia tem gosto de sorvete de damasco, um desses sabores que te surpreendem e te mostram como a vida pode ser simples e doce. Aqui de cima, todos parecem reles mortais, porque hoje não ando, flutuo.
04/02/2010
Desculpe, perdi alguma coisa I
Ele me disse várias coisas - numa das conversas mais surreais dos últimos tempos. Com muita delicadeza e educação, apontou várias deficiências e insuficiências minhas. Ouvi tudo com atenção, sem melindres e sem me achar a última pessoa sobre a Terra. E ele cheio de dedos para que eu não me ofendesse.
Entretanto, ao mesmo tempo em que me mostrava como eu não lhe bastava, tentava me vender o seu peixe. E eu me perguntei: por quê? Ele me disse que o que que tinha e o que eu era não eram importantes para ele. Aceitei seus esclarecimentos sem problemas. Com um ou dois argumentos - fracos, se comparados ao resto - ele me disse o porquê da nossa conversa.
E eu ainda me pergunto: por que me quer se eu não sou o bastante para ele? Mais uma das perguntas que nunca me serão respondidas...
01/02/2010
Dia dos namorados
O casal está na praça de alimentação de um shopping center. Trocam seus presentes de dia dos namorados. A menina entrega o embrulho miúdo:
- Caso você não saiba como usar, eu te explico - ela sorri açucarada.
O menino abre o embrulho: dentro há dois chaveiros. Quando observa com mais atenção, percebe serem um menininho e uma menininha. Passado o medo inicial de que ele achasse aquilo muito brega, a menina explica:
- Eu fico com o menininho e você com a menininha.
O menino parece ter gostado muito, seu olhar também é açucarado. Ele entrega seu presente e a menina guarda o desapontamento da escolha sem graça. É isso que ele dá para a namorada? Mas maior do que isso é a sua surpresa em relação aos chaveiros: antes de se despedirem, ela lembra que cada um deles ficaria com um chaveiro. O menino não diz nada, nem lhe entrega o seu chaveiro.
E a menina fica só o ponto de exclamação quando o menino vai embora com os dois chaveiros:
- Acho que ele não entendeu a idéia dos chaveiros... - ela suspira semi-incrédula.
Dos legumes
O vegetariano e as duas irmãs carnívoras estão em frente à uma tenda de comida chinesa, na Liberdade:
- Huuum. Tempurá é uma delícia! - diz o vegetariano animado.
- O que você vai querer? - pergunta a carnívora mais velha - Eu vou de rolinho primavera - seus olhos brilham.
- Vou de tempurá também - diz a carnívora mais nova.
- Mas só tem de camarão, né? E não acho bom voce arriscar - banca a tia a mais velha.
- Não, tem tempurá de vegetais - esclarece o vegetariano.
- Ótimo! Vou querer tempurá de vegetais... - diz a mais nova faminta.
O vegetariano faz o seu pedido. Em seguida, a carnívora mais velha pede à atendente simpática:
- Por favor, vou querer uma fanta, um rolinho primavera e um tempurá de vegetais.
- Vegetais? Legumes, você quis dizer - explica a atendente, sorrindo.
- É... - diz a carnívora mais velha, ligeiramente confusa com tal correção.
O vegetariano comenta baixo:
- Ué, mas legume não é vegetal?
Matemática
Os dois estão discutindo:
- O quê? Qual? - pergunta ele.
- Você acha que 1 + 1 = 1! - ela grita.
- E não tem que ser assim? Tem até a música do U2... - ele comenta sem entender.
- Mas você está desvirtuando a música! Cadê a nossa individualidade? - ela pergunta.
- Sempre tivemos as nossas diferenças e elas estão começando a atrapalhar. Estou notando a sua individualidade... - resmunga ele.
- Do que você está falando? Você é o individualista aqui, incapaz de dividir suas alegrias e tristezas! Nunca vai dividir a vida com ninguém! - ela diz.
- E você que anda querendo subtrair coisas de mim? Quer que eu mude! Que eu deixe de ser uma série de coisas...
- Pelo menos eu tento somar algo à sua vida - ela desiste.
Uma porta bate.
30/01/2010
Clara conhece Ulisses
E eram sempre os homens errados. Clara teria pensado com um enorme descontentamento, mas como não sabia muito sobre Ulisses, ainda estava aérea. Tinham sido todos errados, não por causa dela, mas porque eles não quiseram ser os certos. Alguém havia lhe dito que o par perfeito é aquele que quer ser seu par perfeito.
Seus amigos torceriam o nariz e ela torceria-lhes o pescoço se viessem a criticá-la: ia fazer as coisas e viver à sua maneira. Cansou de conselhos ridículos e alianças frouxas. E foi neste momento que conheceu Ulisses. Nunca tinha se interessado por um homem mais velho, mas ele era especial. Sempre atencioso, simpático e amável. E maduro. Uma maturidade que parecia brilhar em seus cabelos prateados.
Clara sabia ser aquela mais uma de suas paixonites, já que era só isso que vingava em seu coração ultimamente. Entretanto, logo reparou na aliança. Mas pior do que isso foi ter feito amizade, sem querer, com a filha de Ulisses, uma moça da sua idade. Mas pior do que isso foi ter ouvido o próprio Ulisses:
- Clarinha, às vezes você lembra muito a minha filha, sabia?
De doce, o sorriso de Clara se fez uma careta azeda. Depois de ponderar um pouco, Clara riu da sua doçura e do seu azedume. Decidiu continuar amiga da filha de Ulisses e continuar convivendo com ele. As cabeçadas lhe traziam goles de bom senso. Mas não podia deixar de pensar em como Ulisses era o homem certo.no momento errado.
27/01/2010
Sabores e saberes
Era a leveza partilhada. E as pequenas coisas da vida. As bobagens e as grandes coisas. As histórias que iam de tecendo delicadamente, como uma peça rara. E sua alma havia escolhido o mais leve vestido de verão. E tinha ido comprar sorvete.
- Napolitano ou Flocos?
Se eram as únicas possbilidades, como podiam trazer à sua boca os mais diversos sabores? Ela sorri, só imaginando.
Ouvindo You give me someting (James Morrison)
Zeca diz adeus
Zeca arrastou seu coração pesado até a estação de trem. Deixou que algumas composições passassem, pois não sabia se ia passar. O quê? Tudo. Apesar de não ter garoa, era como se ela estivesse lá para umedecer seu coração, que, sustentando aquele sentimento abafado, acabaria mofado - pelúcia esverdeada.
E em tom de mofa ele tinha saído. Seu sarcasmo e seu pior lado tinham sido despejados sobre ela - um balde de água fria. Aonde ela foi? Será que volta? Será que eu volto? Mais um trem passa apitando que uma moça entre logo logo logo. Ela tinha medo de relógios. Temia ser aprisionada por um deles, por isso não sabia que ficava ou se partia. O medo de se deixar levar pelo tempo cronometrado. Mas o trem tinha que seguir! Um pé para dentro, outro para fora.
Zeca pensava entendê-la.
E veio a garoa. Claro, ela sempre vem para encardir a nossa alma insípida. Zeca tinha medo das nuvens que se aproximavam porque elas tinham a certeza que lhe faltava. E seus olhos vertiam reticências que escorriam pelo seu rosto e inundavam tudo o que havia por perto.
Tinha medo da decisão das nuvens, do fatalismo dos relógios. Tal era o seu fracasso que abraçava desesperadamente o tempo psicológico como se nada mais importasse. Era o seu tempo e de mais ninguém. Jamais poderia dividi-lo. E via em sua mente os ponteiros se derretendo - cera vermelha. Mas não havia vela acesa - tinha medo do fogo.
Mas o seu maior medo era outro. Borbulhava sanguineo e intenso por trás de seu rosto macilento e morto. Máscara abortiva. De suas orelhas, cheias de dúvidas, emergiam pontos de interrogação:
Teria ele deixado para trás uma muleta emocional ou o grande amor de sua vida?
Ouvindo Goodnight goodnight (Maroon 5)
Assinar:
Postagens (Atom)




