15/03/2012

Like a princess

Era uma vez...

Ela gostava do jardim de casa. Todas as noites, se sentava junto ao banco que dava para as roseiras brancas. Não gostava de rosas, mas a recíproca não era verdadeira: as rosas pareciam ficar mais felizes quando a viam. Tinha bom coração e boas intenções - então agradava as rosas e se sentava com elas.

Era uma vez um tempo em que ainda a agradava agradar aos outros.

E todos os pequenos insetos vinham visitá-la, sentada com um livro, com a flauta, com o bordado. A delicadeza de suas mãos e palavras escondia qualquer coisa no olhar. Mas sempre muito contida e serena por entre besouros esverdeados - fusquinhas metalizados -, mariposas veludosas, vagalumes incandescentes, centopéias dançarinas, mosquitinhos serelepes, grilos sensatos.

Era uma vez um tempo em que ainda bordava.

Pois eis que um sapo foi morar no seu jardim. Chegou como quem não queria nada e foi ficando e ficando. Logo veio outro e mais outro. Logo, eram cinco. Ela lendo, tocando, bordando. E eles ali, observando-a absortos.

Curioso era notar que ela nunca os procurava: eram eles que vinham até ela. Alguns cantavam, querendo sua atenção. Ela olhava e sorria, suavemente. Dificilmente eram encontrados por quem quer que os procurasse, mas bastava que ela saísse no jardim e lá estavam eles, diligentes e gentis.

Certa vez, ela pousou o livro no banco - Grimm - e encarou os sapos perplexa, como se despertando de um longo sono de cem anos:

- O que será que eles estão pensando?

14/03/2012

20 e poucos anos: Natureza feminina

Raul entrou casbisbaixo e desmoronou sobre o meu sofá. Depois, despejou sobre mim suas últimas notícias sobre a menina de quem ele tanto gostava. Concluiu brevemente:

- E ela disse isso - disse sentido.

Olhei com pena (coisa que ele de-tes-ta-va) e disse como que me desculpando:

- Ela está te manipulando, Raul.

- Eu sei, Lô - disse ele sem certeza e continuou - Mas me sinto tão culpado, tão mal.

- Mulher quando dá para ser ruim...

Seu tom mudou. Ele olhou para mim duro e sério.

- Você deve saber do que está falando.

Me senti acuada e confusa, enquanto queimava as mais recentes cartas de amor recebidas.

11/03/2012

Sobre Pokemons, relacionamentos estranhos e briga de galo

Ontem, eu e o Pirata chegamos a seguinte conclusão:

- Pokemon nada mais é do que briga de galo.

Os pokemons podem ser considerados animais que são colocados para brigar. A animação nipônica gira em torno das tais lutas. E num tempo em que as pessoas estão se conscientizando sobre os direitos dos animais, são celebradas batalhas entre personagens que podem ser comparadas aos últimos. Mas é claro que todo mundo sabe diferenciar realidade de ficção, afinal, nunca vamos ver uma criança colocando seu cachorro (na ausência de um pokemon) para brigar, certo?

Mas acho que o que me assusta é como o relacionamento entre mestre e pokemon é estranho:

- Pikachu, amo você -  pausa - Agora vá lutar e vença a batalha.

Ah, eu pelo menos não acho saudável lidar desse modo com quem se ama ou de quem se diz gostar. Por que colocar em perigo ou em risco quem se quer bem? E, no final do dia, o pokemon volta obedientemente para sua pokebola. Há quem faça isso no mundo real.

07/03/2012

Almas-gêmeas distorcidas

Ele tinha chegado aos cinquenta em crise. A falta de cabelo - e de segurança. A barriga que cismava em ficar saliente por debaixo da camisa preta da qual tanto gostava. A solução? Uma bela mocinha de vinte e um anos: corpo maravilhoso e disposta a tudo.

Ela tinha chegado aos vinte e um com muita preguiça e pouca formação. Não sabia o que fazer da vida e, mesmo que soubesse, não moveria uma palha. A solução? Um cinquentão disposto a tudo: mantê-la com todos os seus caprichos.

Eram almas-gêmeas.

Casaram-se.

E o mundo era justo.

06/03/2012

Sobre cafés, expectivas e tentativas

Ela voltou três dias depois ao mesmo atendente. Poxa, o cara trabalhava num centro cultural e manjava de Wittgenstein e de Pscinálise.

- Oi, tudo bem? - ela, alguma timidez.

- Tudo sim e você? - ele, sem qualquer timidez.

- Acho que você não se lembra de mim... - ela sorriu com um naco de esperança.

- Lembro: a menina da Virgínia Woolf.

Ela sorriu. Ele sorriu.

- Então... Eu estava pensando...

Deixou no ar, ela ficou olhando os cabelos bagunçados e os olhos tranquilos por trás dos óculos.

- Sim?

Deixou no ar, ele ficou olhando o vestido no joelho e o enfeite de flor nos cabelos.

- Então... Você não gostaria de tomar um café comigo agora à tarde?

Ela sorriu. Ele sorriu, triste.

- É que eu já tenho compromisso.

Na aliança na mão dele, ela leu: compromissado.

- Ah, me desculpa: eu não tinha reparado.

- Tudo bem, sem problemas.

Ela: suspiro.

- Bom, não custa arriscar.

- É - ele sorriu triste.

Ela tinha vindo de longe só para vê-lo e tentar a sua sorte. Enfim. Sorriu de volta e se despediu dele: um tchau resignado e suave.

(Ele: suspiro)

05/03/2012

Da delicadeza

Para o Filho de Foucault.

Ele sorriu suspirante:

- Em beijo em cada mão.

Ela sorriu sussurrante.

- Ah não! Lembro que você disse que todos os homens beijam as mãos. Então, um beijo na ponta do nariz.

- Beijo no nariz é coisa muito boa.

Ela ofereceu o nariz arrebitado. Um silêncio morno.

- Mas beijo nas mãos também.

E ofereceu suas mãos.

04/03/2012

Quem gosta de falsidade levanta a mão!

Acho curioso quando as pessoas, quando perguntadas sobre o que não suportam nos outros, respondem categóricas:

- FALSIDADE.

Bem, convenhamos, há muita gente falsa que não gosta de falsidade. E o que eu já ouvi de gente que fala pelas costas falando isso... Enfim.

Nem os falsos gostam de falsidade, mas estarão sendo sinceros? Ou é uma questão de hiprocrisia mesmo? Claro que não! Ninguém gosta. Bom, acho. Já ouvi gente dizer que prefere ser enganada (!) e que gosta de pessoas misteriosas - se bem que mistério não é a distorção da verdade, apenas o seu desconhecimento.

Por outro lado, há aqueles que confundem toscamente sinceridade com grosseria. E parece que estamos, de um modo ou de outro, subvertendo o significado real das coisas. Afinal, não dá para aplicar a Doutrina do Relativismos para tudo no mundo.

03/03/2012

Mil e um


Mil e um beijos foram prometidos. Não no papel, não verbalmente. Num olhar mais demorado - por entre os carros ou por entre os lençóis? Só sei que foram - pouco importa onde, pouco importa quando. O que importa é que é fato. Não fato consumado, mas fato que se vem consumando - mais e mais a cada dia. E vem nos consumindo, para nascermos do que depois?

E nós, que tanto temíamos as promessas, nos demos as mãos e dissemos: vamos? E, ao mesmo tempo, nos olhamos desconfiados e olhamos desconfiados para o céu recheado de nuvens.

- Putz! Vai chover!

Faço uma careta, tiro as sandálias e saio correndo descalça de debaixo da marquise.

- Vamos? - estendo a mão.

E sei que nós dois engolimos, temerosos, o chavão "quem sai na chuva é para se molhar". Faz parte do nosso show. Mil e uma gotas de chuva, mil e uma empadinhas de frango (ai azia), mil e um sustos para curar soluços, mil e uma noites de histórias de fazer inveja a Sherazade.

Para meus antigos amantes, eram mil, para você mil e um: cafunés, cafés, caramelos. E, ao mesmo tempo, sem grandes pretensões de te agradar. Os cabelos são meus, as roupas, os gestos, as palavras. Só eu sei o que partilhar e do que abrir mão. E não te peço para não me pedir, pois sei que você sabe o que pedir:

[o mundo, leio nos seus olhos - enquanto você me lê em braile]

Espero que não conte sobre nós, nem as coisas que te prometi. Há coisas que são só nossas. Para o resto, existe o resto: os jornais, revistas e televisão. Para nós, serão criadas mil e uma línguas para expressar aquilo que nem a gente [nem o mundo, ah!] consegue entender.

29/02/2012

Quando a gente foge daquilo que persegue

Quero muito. Muito mesmo. Não desesperadamente, mas fazia muito tempo que eu não queria alguma coisa desse jeito. Mas tem um probleminha: com a mesma intensidade que quero, não quero.

O que fazer quando queremos muito - muito, muito mesmo - uma coisa e, ao mesmo tempo, não a queremos de jeito nenhum?

[porque parece que estou fugindo daquilo que persigo]

Eu não sei, disse a mim mesma, perplexa, me olhando de soslaio num reflexo qualquer.

[ando brincando de gato e rato com meus desejos?]

Conversa vai, conversa vem, descobri que existe mais gente que se sente como eu e que, como eu, não faz ideia do que fazer com essa situação. Incoerente? E eu lá estou ligando para incoerência? Só queria saber mesmo por onde trilhar.

Não, não estou em cima do muro. É apenas uma corda bamba e me equilíbrio, como posso, até que decida o que é maior: o meu querer ou o meu não-querer - ou até que eu cansada de me equilibrar não consiga mais me equilibrar, ceda caia para um dos lados. 

E não basta listar prós e contras [lista longa]: empate. Até que eu saiba o que fazer, que delícia seria parar o tempo... Deixar tudo em suspenso. Mas tem três coisas aí: primeiro, eu me acomodaria (acho que quase qualquer um se acomodaria, na verdade); segundo, a vida não pára para que eu escolha, decida e bata o martelo; terceiro, eu não posso ficar em suspenso.

27/02/2012

Ramona e Clementine: "Achou melhor não comentar, mas a menina tinha tinta no cabelo"

She's fickle, impulsive, spontaneous... God what am I going to do?
 [Scott Pilgrim, sobre Ramona Flowers]

* Contém Spoilers!
 
Scott Pilgrim ficou sem chão quando percebeu a real natureza de Ramona Flowers: inconstante, impulsiva e espontânea. Não haveria manual de instrução no mundo que pudesse explicá-la ou controlá-la (como não há para ninguém, na verdade, mas as pessoas não percebem isso).

- Deus, o que vou fazer? - ele se pergunta.

Nem etérea, nem efêmera. Bem concreta, mas não exatamente tangível. E Scott só se deu conta disso depois de perceber com que facilidade a garota de seus sonhos tinha mudado a cor do cabelo. E ela o faz com um desprendimento que o assusta, pois é esse mesmo desprendimento que ela poderia usar (e não só poderia usar, como usa) com outras coisas. Pessoas e ele mesmo.

Eu já escrevi aqui sobre mudanças capilares. Podem não significar nada. Mas podem ser tudo. Para mim, são sempre alguma coisa: concreta, mas não tangível. Pode ser um rito de passagem ou uma mudança mínima que seja.
 
Me perguntaram por que eu tinha mudado a cor do meu cabelo e por que tinha escolhido a cor que escolhi:

- Porque me deu vontade uai! - abri um largo sorriso.

Deu vontade de mudar, só isso. Mas o que me assusta é que a tintura parece não ter mudado só a cor do cabelo, mas também as ideias da minha cabeça: me vi com uns pensamentos totalmente novos, umas vontades diferentes, umas ambições inesperadas. Quero - e só.

Sementes latentes que germinaram por causa de quê? 

Na linha de Ramona Flowers, há minha querida Clementine: igualmente inconstante, impulsiva e espontânea. Deu vontade, ela vai lá e faz. E assim pinta o cabelo várias vezes. Simplesmente porque deu vontade. Não estou dizendo que pode se fazer o que quiser na hora que quiser [é óbvio]: existem milhares de regras sociais e, acima de tudo, bom senso. Mas creio que a gente se poda muito, mesmo quando não precisaria.

Sempre celebrei a constância e as coisas todas certinhas, mas sabe que estou vendo um certo charme no oposto? Mesmo porque, acho que todo mundo acaba por obedecer uma coerência interna, ainda que tal fato não fique muito evidente.

Nem tudo a gente precisa explicar - nem para gente, nem para os outros. Nem tudo precisa de planejamento: o "deu vontade" pode fazer nossos dias mais coloridos - no meu caso, literalmente. É preciso se dar ao luxo de não querer ter todas as respostas. Bom, eu não tenho, nem vou ter, nem quero ter. Quero descobrir com a vida, com os novos livros, ideias, pessoas, viagens, tons de vermelho, tatuagem, canções, amores. É isso.

Toda e qualquer coisa que marque a nossa experiência de vida como fato consumadíssimo e único. E isso não se planeja, se vive. A própria felicidade não é uma coisa que se planeja -  o que não quer dizer que a gente não possa fazê-la acontecer.

[pois é, acho que acordei passional...]

26/02/2012

Sobre o ciúmes [mais do que nunca] sem sentido

Uma conversa entre amigos.

Ela: - Saí com um cara.

Ele: - É? E aí?

Ela: - Não deu certo.

Ele: - Que bom!

Ela: - ?

Ele: - Tenho ciúmes de você.

Ela: - Tá de brincadeira, né?

Ele: sorriso amarelo.

Ela: - Mas você já não tem uma namorada para sentir ciúmes?

Ele: - Tenho ciúmes de você. Ponto.

25/02/2012

Quinzinho e a Química [2]

E era sempre aquele papo de dessanilização da água. Precisa de água doce, então faça agua doce, oras!, pensava ele. E passou anos em seu laboratório, repetindo sempre o mesmo processo: era seguro e o resultado garantido, pois Quinzinho sabia muito bem o que estava fazendo e já fazia aquilo há tanto tempo que nem se lembrava mais. Era a receita infalível.

Mas, um dia...

Fez vinte e cinco anos. Cansou da água, embora não de sua mutabilidade. Destrancou um antigo baú com uma antiga chave, cuja cópia derretera há algum tempo. De lá, tirou um antigo jogo de química com inúmeros frascos, recipientes, líquidos coloridos e aromas. 

Colocou-os todos gentilmente sobre o balcão de fórmica fria e pôs-se a experimentar. Não teve medo: as explosões fariam parte da brincadeira. Mesmo porque, haveria descobertas diversas - ele bem o sabia.

[o Empirismo era uma benção]

24/02/2012

Labels

He: - May I ask you something?

She: - Sure.

He: - Are you in love with me?

She: - Well, not really. I have a crush on you, that's all.

He: - Ok.

She: - Why do you wanna know?

He: - Because it'll be easier, that's good.

She: - What?

He: - Leaving.

23/02/2012

Quizinho e sua obsessão

Porque quando era pequeno, Quizinho passou muito tempo com seu avô, um senhor roliço e simpático. Bonachão em modos e palavras. Ele tinha uma certa sabedoria da vida, sabedoria discreta, sem ostentação. Mal sabia Quinzinho que nunca mais veria alguém saber tanto e demonstrar tão pouco.

Um dia, o avô lhe disse:

- Cresça logo, meu filho.

Sábio que era o avô, Quinzinho levou aquilo a ferro e fogo. O avô faleceu, mas ele continuava com aquele pensamento de amadurecer o quanto antes, uma busca incansável. Queimou alguns anos de sua mocidade e perdeu muita coisa, muita experiência em busca da experiência.

Mal sabia ele que o avô, humano que era, também podia errar E devia ter errado. Se Quinzinho tivesse completado - internamente que fosse - no tempo certo, a sua vida seria mais leve mais rica e plena. Mal sabia ele que a tal experiência que ele buscava estava ligada a muitas coisas que ele evitava e postergava: quanto mais buscava sua maturidade, mais se afastava dela. Um imã repelente. Os sinais eram iguais e ele, o mesmo.

Até que um dia, Quinzinho acordou diferente. Foi depois de ter saído do hospital. Acordou e se deu conta de que seus vinte e poucos anos estavam um tanto quanto empobrecidos. Não estava aproveitando a vida. 

- Não é uma questão de sair bebendo até cair e dormir cada noite com uma desconhecida - ele explicou junto ao túmulo do avô e continuou - É questão de ser permitir certas coisas.

Pudesse Quinzinho ver os mortos, veria o fantasma do avô contente, as mãos grandes e cheias e um sorriso de aprovação:

- Acho que você finalmente entendeu o que eu quis lhe dizer.

22/02/2012

Napolitanos somos todos


A graça do sorvete napolitano é a combinação entre morango, chocolate e nata. Quem deixa o morango de lado, não entendeu nada de nada: os três sabores juntos dão origem a um quarto sabor único, só possível na presença do morango.

Assim são as pessoas, formadas por diversos sabores. Como querer que neguem sua complexidade, excluindo o morango, o chocolate ou a nata? Quem só quer o chocolate, quer o outro só em parte, não em sua totalidade. E para que querer alguém pela metade? Ou só ser querido em parte?

21/02/2012

Quase

Esbarraram-se na Paulista no feriado.

Ele: - Por que você está fugindo de mim?

Ela: - Não estou fugindo de você!

Ele: - Ah não?

Ela: - Não fui mais atrás de você e você não foi mais atrás de mim. Achei que estava tudo certo.

Ele abriu a boca, depois fechou. Olhou para seus sapatos sujos. Ela olhou para o lado, virou os olhos e sorriu de volta para ele.

Ela: - É só que... você não era o que eu esperava.

Ele: - Ótimo! Você cria as expectativas e eu pago o pato?

Ela: - Não. Não crio expectativas.

Ele: - Duvido!

Ela: - Está bem: mas as que eu crio são comportadas, controladas. E essas você preencheu.

Ela corou. Ele ficou olhando sem entender. Ela sorriu.

Ela: - O problema foram as expectativas que você criou sobre você mesmo. Essas estão fora do meu controle e essas você não preencheu.

Ele abriu e boca, depois fechou.


20/02/2012

Dane-se a reciprocidade [1]: Saudade

Ela: - Tô com saudade de você.

Ele não respondeu nada e ela nem esperava que ele  respondesse: certas coisas precisavam simplesmente ser ditas. Nem mais, nem menos. Dizer aquilo a fazia feliz e aquilo lhe bastava.

Terno-eterno

Fez um filho
para fazer seu amor ficar.
Ficou.
Mas o seu amor mudou:
Quer só ficar com o filho,
Novo-terno-eterno amor.

Com um filho o fez ficar,
Mas que fazer para fazê-lo partir?

19/02/2012

Metaaaaaaaaaaaaaal

Uma conversa entre amigos:

A: - Briguei feio, cara.

B: - Mesmo? Ah que chato!

A: - Chato nada: foi punk mesmo.

B: - Só punk?

A: - Como assim?

B: - Tem dias que são punk, outro são gore metal.

Silêncio.

A: - Então acho que foi gore metal mesmo.