15 de nov de 2015

Sobre a nova moda do "amiga, não se apega!"

Então é essa a nova moda, a nova tendência: você se desfaz de quem vai embora porque é preciso desapegar. Nada de ter o seu tempo para digerir o fim, viver seu luto, fazer um balanço (não só do fim da relação, mas da própria relação em si): o negócio é deixar o outro para trás, como se ele não tivesse feito parte de nada, da sua vida, da sua história, de quem você foi, mesmo que por um breve espaço de tempo.

Se apegar é brega? Feio? Old fashioned? Deve-se ter vergonha de não superar tudo na velocidade da luz? Parece que é mais uma coisa que alguém de fora, que nada sabe sobre nós, impõe para a vida de dentro, a nossa vida.

Aprendi muito com meus términos e eu não seria quem sou hoje se não tivesse passado por essas experiências, tendo tirado o melhor que pude delas. Podemos aprender muito com a frustração, com o sofrimento, com aquela coisa de tudo ter saído muito diferente do que tínhamos planejado. Não somos deuses, não controlamos os sentimentos dos outros - e, muitas vezes, nem os nossos

Não é necessário ostentá-los, mas fingir que não estão lá, escondê-los debaixo do tapete de um sorriso para quem. E a aí você quer mostrar que estar bem ou quer ficar bem? para ficar bem, é preciso tempo, agora, qualquer pode mostrar do Facebook o quão feliz depois do fim de um casamento de 20 anos.

Não sou psicóloga, terapeuta nem nada assim, mas imagino que passar por cima de coisas em vez de tentar digeri-las pode nos fazer arrastar alguns cadáveres indefinidamente. São os negócios pendentes. Aí a pessoa nunca mais consegue se relacionar bem com os outros 

A vida segue, é claro, mas cada um de nós sabe o seu tempo, o seu ritmo, o seu passo - com o sapato que for, mas de preferência um que não machuque os calos.

Eu nunca deixaria que alguém me forçasse a superar um término antes do meu tempo. E agradeço a todos que sempre respeitaram isso

P.S. Pantera, lembrei tanto das nossas conversas! =)

Ouvindo "Lost stars" (Keira Knightley)