21 de fev de 2013

Luminescente

O calor já a tinha incomodado mais, muito mais. A rejeição já a incomodara mais também. Assim como o lanche esquecido em casa sobre a mesa. O guarda-chuva que insistia em quebrar. A sua dificuldade de abrir portas - literalmente. O peso desnecessário carregado pra lá e pra cá - literalmente. A falta de sono e o excesso de sonhos. A falta de jeito para certas coisas, condizente com a idade.

Tudo isso já incomodara bastante.

Mas aí, de algum modo estranho, essas pequenas coisas simplesmente deixaram de importar. Eram tão... pequenas. Pequenas comparada ao quê?

A moça no café sorria, com seus pés e joelhos à mostra. Definitivamente, paixão. Uma daquelas coisas grandes que fazia o mundo girar o rio fluir um rio no qual mergulhava inexplicavelmente corajosa. Paixão, pura e simples, na sua essência mais incandescente e luminosa. 

Paixão pela vida. Impetuosa[mente]. Era preciso escolher o que se levava até o fim. Aquilo que seria o seu fim. Final feliz? O que se vivia com intensidade.



Um comentário:

Daiany Maia disse...

Música linda e com a história da música e daquela anterior, ainda mais