1 de dez de 2013

Lulu, Adote um Cara e pessoas-objeto

Ser feminista não é tratar os homens como muitos deles vêm tratando as mulheres desde o início dos tempos. Não é devolver na mesma moeda por tudo que passamos. Quem faz isso não entendeu nada. E aí a menina vira aquela chata que diz que nenhum homem presta e pensa que as mulheres são superiores blá blá blá.

Antes de qualquer coisa, é todo mundo ser humano. E gênero é coisa culturalmente construída. Grande perda de tempo essa disputa mesquinha por poder, para saber quem está certo, quem tem razão.

Somos tão mais do que isso...

Dois sites sobre "relacionamentos" têm dado o que falar: o Lulu e o Adote um cara.

Pensei, a princípio, que a revolta masculina em relação ao Lulu era muito salseiro, mas me coloquei no lugar e vi que também não curtiria que alguém se visse no direito de me dar nota (oi?) sem o meu consentimento.

Porque o grande lance do Lulu é a questão não ter o consentimento do mancebo. E, se por um lado, no Lulu a objetificação masculina se dá sem autorização, por outro, no Adote um Cara isso é feito consensualmente, como se você escolhesse um prato no cardápio. É assim que a gente lida com o ser humano? Se o outro se colocar em tal posição.... Bom.

Isso me fez pensar uma coisa...

Sempre acreditei que ninguém deve ser tratado como objeto, independente de ser homem ou mulher. Mas o Adote fez com que eu me lembrasse que as pessoas têm seu livre arbítrio para escolherem ser tratadas como objeto, caso seja essa a sua vontade E aí, bom, não é da minha conta - o que não quer dizer que eu vá tratar o outro assim, já que não é a minha praia.

E, afinal, o que é um concurso de Miss? 

A participante é avaliada quase que inteiramente por sua aparência e recebe notas. Só que ela escolhe estar lá, escolhe ser avaliada, escolhe a posição ornamental. Agradável aos olhos. Sempre impecável. E quem sou eu para questionar isso?

Só que quando uma mulher escolhe uma posição ornamental ou uma posição de objeto, ela não fala só por ela enquanto indivíduo: fala por todas as mulheres que a precederam e é como se assinasse embaixo de todas as coisas ruins feitas em relação à mulher e colocasse por água abaixo todas as conquistas femininas.

Mas, ainda assim, é direito dela. O que posso fazer é assumir um posicionamento diante da sociedade e esperar que entendam que, do mesmo modo que o outro tem o direito de ser quem ele quiser (objeto ou não), tenho também o direito de ser um ser humano complexo e em 3D - como todo mundo é, na verdade, embora nem todos escolham se mostrar assim.

Então, o que aprendi com tudo isso? Se uma pessoa escolher se colocar na posição de objeto, é direito dela - desde que os demais entendam que não se pode generalizar e que eu, por exemplo, não sou assim nem encaro as pessoas assim. Por isso que acho que o Lulu deu esse problema: não é consensual, fato que não ocorre com o Adote.

E, por último (e mais óbvio), acho que homens não sabem mais lidar com mulheres - e vice-versa.  Na verdade, as pessoas não sabem mais lidar umas com as outras.


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