26 de ago de 2015

Sobre galãzinhos da auto-ajuda

Devo estar ficando chata, porque ando desconfiando de todo mundo que me aparece com receita pronta, resposta certa, solução 100% garantida. Principalmente quando a receita, a resposta e a solução se referem à aprendizagem e, consequentemente, ao ser humano.

Por isso, quando o vi, tão bonito no palco, com seu cabelo milimetricamente arrumado, torci o nariz.

Eu já sabia bem quem ele era. Vê-lo ao vivo, com suas palavras sedutoras, seu discurso de auto-ajuda, seu sentimentalismo barato, sua auto-promoção cansativa, sua voz doce e mansa,  sua cara sem barba de bom moço, o modo como falava de grande escritores como se tivesse intimidade, a rasgação de seda... Sério. 

E a plateia ia ao delírio:

- Queria pelo menos uma noite com ele - ouvi uma moça dizer.

Mesmo?

Acho que quase ninguém se deu conta dos desserviços que ele vem prestando. Um picareta é sempre um picareta, mas um picareta que ocupa cargo político me incomoda mais, pois ele está me representando, ainda que mal e porcamente. Quem me representa é alguém que escreve livros fazendo pastiche com as ideias dos grandes educadores e filósofos, dizendo serem suas.

Só não sei o que é pior: aquele que engana ou o que se deixa enganar. Ou, olhando por outro ângulo: parece haver mais preocupação em tirar fotos com ele e examinar com cuidado o quão justa sua calça  é do que em ver o que ele realmente tem feito.

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