21 de ago de 2015

Sobre o garçom mais simpático do mundo

Mais uma vez cá estou eu falando sobre despedidas... Será que isso é um sinal? Possivelmente, só não sei ainda de quê...

Acontece que eu e B. costumamos frequentar uma pizzaria perto de casa. Gostamos muito de lá: a pizza é boa, assim como o preço. E o atendimento é, sem dúvida, um diferencial - por isso mesmo escolhi escrever uma frase só para ele, para destacá-lo.

A equipe de garçons é muito boa e um deles, desde o começo, chamou minha atenção: Joaquim. Outro motivo que me faz gostar desse lugar é o fato dos garçons usarem crachás e eu saber seus nomes. Gosto dessa humanização, sabe? Antes de ser funcionário, é ser humano e tem nome, então por que não ter um crachá para que todos saibam quem é aquela pessoa? E eu sempre fico imaginando que história de vida esses homens trazem por trás do

"Calabresa"

"Perperoni"

"Palmito"

O fato é que Joaquim (afinal, a história hoje é sobre ele...) é um dos garçons das pizzas doces - que, diga-se de passagem, são excelentes - e é o garçom mais alegre que eu conheço. Extremamente simpático e de sorriso sincero, ele era conhecido como "o garçon das pizzas doces".

Digo isso porque, certa vez, senti sua falta e vi um novo rapazinho (que parecia a personagem Tintin de Hergè) trabalhando como garçom. Conclusão? Perguntei a um dos garçons sobre Joaquim. Ele suspirou e disse que Joaquim estava de aviso prévio, que estava cansado de lá e que ninguém servia pizza doce como ele.

Fiquei feliz por saber que todos reconheciam seu trabalho, mas muito triste em saber sobre o aviso prévio. Temi nunca mais vê-lo nem poder dizer:

- Olha, eu gosto mesmo do seu trabalho!

Fui para casa pensativa. Como as pessoas podem fazer a diferença em nossas vidas e não se darem conta disso? Eu não podia pensar que Joaquim iria embora sem saber que ele fazia a diferença no mundo, colocando amor no seu trabalho, na função que exercia.

Essas coisas são importantes, sabe? As pessoas são importantes e devem ser reconhecidas, assim como sua dedicação e seu trabalho. E tenho para mim muito essa coisa de gratidão, agradecer ao outro pelas coisas que faz, bem feitas, mesmo que isso, em tese, não passe de sua "obrigação".

Lembrei daquela frase: "O trabalho dignifica o homem" e Joaquim me passou essa coisa de dignidade em todas as vezes que o encontramos na pizzaria. E eu não podia deixar que ele fosse embora sem que soubesse disso.

Na vez seguinte que fomos à pizzaria, antes de ir embora, resolvi falar com ele. Fui sem graça, mas resolvida, sem querer atrapalhá-lo em seu horário de serviço:

- Com licença... Percebemos sua ausência na última vez que viemos aqui e perguntamos sobre você a um colega. Ele disse que você está de partida. Espero que você seja feliz nessa nova fase da sua vida e saiba que ninguém serve pizzas doces como você.

Ele me sorriu feliz, com uma pizza em cada mão, e agradeceu.

E foi assim que eu disse adeus a Joaquim.


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