22 de dez de 2015

Sobre o retorno dos platônicos

Não foi culpa dela. A menos que ela fosse culpada por existir. É que existir às vezes bastava, às vezes era o suficiente. E era o caso. Mas não era culpa dela. Era culpa sim de uma certa luz por entre nuvens num fim de tarde, dessas que insistem em estar lá mesmo com chuva.

E ela também estava lá, mesmo com chuva. Guarda-chuva na mão, oferecendo uma carona. Mas por que falar de culpa? Ele se sentia tão... Leve. A vida fluía quando estavam juntos. Aquela mulher pequena e forte e leve e suave e intensa e... Cintilante. O esmalte de suas unhas, as palavras de sua boca, seus lábios.

E ele se viu como um colegial: o mesmo olhar, a mesma falta de jeito. Aquela idealização... Mas colegial na casa dos trinta? Complicado. Mas havia coisas mais complicadas. Mesmo porque todos sabemos que certas pessoas terão esse efeito sobre nós, não importa a idade - a nossa e a delas.

Queria passar o máximo de tempo possível ao seu lado, ouvindo sua voz e suas ideias e suas piadas terrivelmente sem graça.

Ela era tudo o que sua esposa não era.

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