30 de mai de 2013

Ah!

Não era por descaso, desprezo, desespero. Maldade? Simplesmente não se impressionava. Não é que se colocasse acima do resto da humanidade. Simplesmente sabia muito bem o queria. E era tudo muito simples.

- Sou jovem, mas não bocó - ela sorria, desviando o olhar para a janela.

Para que olhar nos olhos de quem não me olha de verdade? De quem escolheu ver só parte de mim.

Conhecia. Sabia. As mesmas história, os mesmos sorrisos, a mesma conversinha sem vergonha do chove-não-molha. Será que ninguém lia que aquilo não colava? E, ainda assim, o discurso colava, pegajoso, 

Ele chegou com um papo sobre a falta que ela fez.

- Ah, é mesmo?

Ela teria acendido um cigarro, caso fumasse. O olhou sem grande interesse, sem comoção, sem emoção. Sem fome, nem sede. Folheou uma revista enquanto ele vinha com as palavras que usara com tantas outras e que nem mais precisava ensaiar. Discurso pronto no homem nunca pronto.

E sem medo, nem susto, com serenidade, disse "não".

E a sua crença ficara guardada sei lá para quem.

Um comentário:

renatocinema disse...

Quanta saudade eu tinha de seus diálogos insanos, reais e imperdíveis.

Amei passar por aqui novamente.