Pílulas: A Partilha


Compartilharam tanto e tudo. O relógio deu a última balada. Balaio de gato. O relógio deu a última hora. Hora de partir. Hora de fazer a partilha. Cada um para um lado, seu canto, seu umbigo solitário. A solidão inconsolável do café frio. Do umbigo frio. Umbigo e pés. Sempre os pés que nem sempre sabem onde tudo começa nem onde tudo acaba. Mas, hoje, pareciam saber. Uma valsa de despedida. Sem o derramamento de sangue nem de lágrimas. Eram crescidos e fortes e brilhavam ao sol, com uma juventude bonita e desmedida. Eram outras as coisas com medida. Prazo? Talvez. Suspiro. Hora da partilha. Quem partilha uma vida esbarrando com a partilha. Ah! Ele: rádio, vinis, fitas K7. Ela: livros, quadros, tintas. Ambos 


param 



e olham as memórias que se ofertam belas e coloridas na fruteira, bem no centro da mesa da sala de jantar.

Com quem ficam elas?

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