20 de nov de 2013

Ela faz cinema

Despiu-se do último véu e viu:


...


Encarou-se com serenidade - e não como se tivesse feito uma grande descoberta.

Havia coisas que enterrara tão fundo em si mesma que nem mais lembrava, mas sabia que estavam lá. Era só passar a tarde deitada no quarto, o sol entrando pela janela sobre ela e era gato preguiçoso.

Mas a preguiça do corpo não era a preguiça da alma e ela pensava. Em tudo.

Por que esconder?

Porque era preciso. Não havia porque expor suas necessidades se ninguém parecia dar conta delas. E então se fazia forte. Um rochedo. Uma pedra no caminho alheio?

E mentia tão bem que parecia saber que não queria o que queria e que não precisava do que precisava.
E estava tudo bem.

Antes isso do que ficar para trás.

Um comentário:

renatocinema disse...

Enorme saudade de nossos diálogos estilo Almodóvar.

Fodásticos. kkkk