10 de jan de 2016

Sobre amizades, rompimentos e "Toy Story"

Eram grande amigas. Tinham se conhecido na escolinha, mas as afinidades fizeram com que se aproximassem, mesmo depois de terem saído de onde estudavam. Eram como água e vinho, mas não como água e óleo: embora muito diferentes, havia um respeito tão grande e verdadeiro que eram quase como irmãs. A mais velha e a mais nova. Não se viam com frequência, embora morassem próximas uma da outra. Contudo, sempre que podiam se encontravam para um sorvete e para colocar a vida em dia. E foi assim durante alguns bons anos.

Se foi é porque não é mais. De repente, não mais do que de repente, a mais velha tornou-se incomunicável. Não respondia telefonemas, mensagens, e-mails, cartas...

- Ei! O que aconteceu? Está tudo bem? Fiz alguma coisa que te magoou?

A amiga respondeu que andava muito ocupada. E, graças as redes sociais, a mais nova pôde ver como andava realmente ocupada: saindo com outros amigos, indo a outros lugares, fazendo outras coisas - das quais ela tinha sido deixada de lado.

Vitimando-se, sentiu-se como um dos dos brinquedos velhos de "Toy Story", daqueles com os quais Andy não queria mais brincar. Mas, de fato, não gostava de se vitimizar e, não vendo culpa de sua parte naquilo que havia ocorrido, atribuiu tudo à vida. Mas sem culpá-la. O amor pode acabar sem grandes pirotecnias, sem grandes razões, meio que inexplicavelmente. É a vida. Talvez com a amizade, que não deixa de ser um tipo de amor, fosse a mesma coisa.

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