19 de abr de 2013

'destino' com D de 'desperdício'

"Aquilo soou quase como uma daquelas declarações dos oráculos gregos", pensava ela pensando nas palavras dele. Teve uma sensação de cartomante que lia seu futuro, as linhas de sua mão pequena e unhas azuis. Um tom de oráculo, do destino mais do que previsto e revisto ante os imprevistos da vida.

Fatídico. 

Um destino escrito, mas escrito em garrancho de letra de médico numa vida sem remédio!

Cuida? Cuido nada, cuido não!

O que não tem remédio remediado está.

Palavras dele e um bocejo dela. Ronronou no seu silêncio de leite morno com canela. Passeava os dedos pela própria nuca. Que raios era aquilo? Ai que preguiça de pensar e sentir qualquer coisa! Que preguiça de  precisar sentir alguma coisa! Não sentia nada, apenas uma alegria plena em si mesma.

A primeira vez em quanto tempo? Tanto...

"Aquilo soou quase como uma daquelas declarações dos oráculos gregos", pensava ela pensando nas palavras dele, enquanto folheava, desinteressadamente, a Cláudia do mês de março.

Mas aquilo não era nada. Levantou-se, balançou a juba selvagem e tirou os chinelos. As peças de roupa foram ficando no caminho até o banheiro. Nada que uma boa ducha e um óleo de baunilha não resolvessem. Foi se livrar de qualquer resquício de pó de fantasia que pudesse ter ficado de suas vidas passadas.

Ouvindo Baby (Os mutantes)


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