2 de abr de 2014

Sujo ou encardido?

O fato é que jogou-se na máquina de lavar: quis testar na própria pele o poder de Ariel e dos amaciantes, sim, os amaciantes, pois era preciso amaciar a sua alma de brim.

Um dia fora tule, mas veja bem: tule é coisa delicada que deve ser lavada à mão. Não havia quem o quisesse nas mãos, não havia quem o tratasse com delicadeza. E, um dia, acordou brim, que guardava um encardido da vida. Ou era sujeira mesmo?

O balanço da máquina parecia uma canção de ninar e quase pegava no sono. Pra lá, pra cá, pra lá, pra cá. Ficava de molho um pouquinho e logo voltava pra lá, pra cá, pra lá, pra cá. Passados os dias de banho-maria, o molho da máquina não era nada. E logo voltava a ser ninado pelo modo "lavar" da máquina.

Enxague. Enxaguou. Desaguou. E a água não parecia acabar nunca. Deus meu! D'onde vem tanta água? Escoou finalmente toda a água: hora de centrifugar. Sensação ruim. Girava rápido e mais rápido. Enjoo. Barco viking. Sensação ruim.

Ufa! Fim de ciclo! Saiu e foi se ver no espelho...

Que surpresa a sua perceber que ainda estava um tanto quanto encardido (ou sujo?)... Cansado das promessas que não eram cumpridas - a do sabão em pó, no caso - não teve dúvidas: aconchegou-se numa bacia e foi quarar ao sol. 

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