31 de mai de 2011

Pérolas de Tia Lurdinha [2]

Sobre a Segunda Guerra Mundial:

Aí os nazistas - existem vários termos para "socialistas" - atacaram.

30 de mai de 2011

É isso o que você chama de sedução?

Cheguei em casa domingo à tarde e esbarrei com o caderno "Feminino" do Estado de São Paulo. Com o dia dos namorados chegando, a reportagem de capa anunciava modelitos próprios para a data. Nem sei porque me dei ao trabalho de abrir o caderno, pois acabei me deparando com o de sempre: peles de onça, salto altíssimo, batom forte e caras e bocas da modelo. Sedução se resume a isso? Um punhado de lugares-comuns que se compra por aí, como uma receita pronta para se conseguir quem se quiser. Felizmente, a vida se dá por outros caminhos, sem fórmula mágica. Do contrário, o tédio impera entre Adão e Eva.

Insensível: Ébrio

Ele insistia em seu discurso, em suas intenções - excusas? E ela insistia no dela:

- Esquece.

Um sorriso provocador e zombeteiro.

- Por que só me quis quando saí do seu alcance?

- Nessas coisas a gente não manda... Eu era só um menino.

O seu olhar quente era outro. Não era o mesmo na adolescência passada. Sua boca era outra. Sua nuca era outra. Outro gosto da sua nuca. Da sua boca. Era toda outra. E estava em outra.

- Se você me quiser, em vinte minutos tô na sua porta. Nem mesmo um vinho?

E, com distinta discrição, deparava-se novamente com sua recém-descoberta letalidade.

Ouvindo Sozinha minha (Lobão)

Pérolas de Tia Lurdinha [1]

Sobre o reitor da UNESP:

"Alemão é um belga suavizado"

27 de mai de 2011

O que não se aprende na escola

Li a anotação deixada na lousa:

"Trazer O primeiro beijo na próxima aula"

Claro que entendi do que se tratava - nome de livro - mas não pude de pensar no lirismo do pedido, caso não fosse nome de livro.

26 de mai de 2011

Clara e o realista

Queria ir embora com a noite, pegar carona num cometa qualquer:

- Você é responsável por aquilo que cativas.

Era aquilo? Lera o Pequeno Príncipe já havia tantos anos e aquilo continuava sem lhe ter feito grande diferença... Clara se sentou sobre a cama. Amanhecia. Deus ajuda quem cedo madruga. Deus estava naqueles que vendiam café e bolo para os trabalhadores nas ruas pelas manhãs nubladas., isso sim Mas ia ser dia de sol a transbordar sardônico pela janela. E a vontade de ficar transbordava pelos seus poros, embora, por fora, fosse a total imagem da frieza e do raciocínio lógico:

- Se me apressar, pego o primeiro trem.

Embora tivesse sono pesado, ele não demorou a acordar. Olhou no relógio e virou-se para ela:

- Mas ainda é cedo - ele sorriu sonolento - Você não vai não.

Seu livre-arbítrio questionado. E aquilo tinha um gosto delicioso. A vontade partilhada. Beijou sua mão e puxou Clara para perto. Mais perto. Por que insistir em construir uma distância que não existia? Para quê?

- Você fica aqui comigo - beijo do ombro - Depois te levo para o trabalho.

De repente ela não quis que existissem distâncias. Na verdade, elas já não existiam mesmo e Clara se agarrava a possibilidade de que nunca existissem. Mas não pensou muito: deixou os sapatos vermelhos, deixou-se abraçar e deixou-se querer e ser querida. Seu livre-arbítrio entregava-se sem pudores.

25 de mai de 2011

Verdade ou desafio?

Para quem não sabe, hoje , 25 de maio, é o Dia do Desafio (além de Dia do Orgulho Nerd).

Verdade ou desafio? Porque separar tais possibilidades deste modo? Quantas vezes encarar a verdade consiste num verdadeiro desafio? E quando vezes, quando desafiados, somos incapazes de lidar com a verdade? A verdade pode ser um soco no estômago, do qual se levantar pode parecer um desafio grande assim ó. Outras vezes, ela se mostra um verdadeiro afago, e o desafio acaba sendo resistir às possibilidades que parecem deveras favoráveis.

Abraçar uma meia dúzia de verdades parece bom. Para mim funciona, pelo menos: dá chão para podermos andar. E o que não é aquela lista que costumamos fazer ao final de cada ano com os desafios que queremos enfrentar no ano seguinte?

A princípio, o jogo verdade ou desafio parece estar restrito a uma pré-adolescência esquecida. Mas se pararmos para pensar, seremos questionados durante a vida toda: verdade ou desafio? e, mais frequentemente, declamaremos: verdade e desafio.

22 de mai de 2011

Um pedacinho do paraíso

Para você

Se o pecado mora ao lado, por que não a felicidade? Acho que somos expulsos do paraíso várias vezes durante nossas vidas. E é sempre difícil. Às vezes, tudo desmorona sobre nossas cabeças e a vida parece não passar de uma piada de mal gosto. Às vezes, você escolhe as cartas certas e ganha o jogo. E, às vezes, você nem precisa de jogar nada: a vida simplesmente acontece, se apresenta com a clareza e a naturalidade de um "bom dia" compartilhado junto à uma xícara de café.

Mas isso não me impede de apostar tudo neste momento: todo o meu fôlego, o meu afeto, a minha presença, o meu abraço, tudo de mim que foi se perdendo e que acabo reencontrando neste caminho de volta, no qual, pela primeira vez em anos, o que passou, realmente, passou.

Pela primeira vez em muito tempo, o tempo presente se mostra ser realmente um presente. Fazia muito, mas muito tempo mesmo que não sentia essa sensação de pedacinho de paraíso. Ainda que sejamos expulsos, temos ainda duas pernas para redescobrir o caminho de volta. E se acompanhados, de mãos dadas - uma das melhores coisas da vida - fica muito mais fácil (e maravilhoso) seguir. 

Mas me deparo com você e percebo que este caminho que trilhamos é diferente dos outros pelos quais passei. Porque eu e você somos outros. Assim, não há caminho de volta, na verdade, mas um caminho novo para um outro lugar: um novo pedacinho de paraíso. Nosso. Tem gosto de uma felicidade sabor canela, felicidade partilhada, que não há coisa melhor nessa vida.

Ouvindo Oração (A banda mais bonita da cidade)

20 de mai de 2011

Karmo [2]

Quem acompanha o blog talvez se lembre que postei esse tirinha lá nos primórdios... Mas posto de novo, porque continua sendo a mais pura verdade... E essa é, dem dúvida, uma das minhas preferidas.

 
(Clique para ampliar)


Mais tirinhas do Karmo aqui.

19 de mai de 2011

Quando já não precisamos saber



"Deixamos de precisar de certas respostas quando nossas vidas passam a ser preenchidas por outras perguntas"
(Frau Forster)

Porque o Sidney merece um elogio!

Cheguei em casa na terça à noite: estava sem telefone e, logo, sem internet. Pela manhã, ligamos para a Telefônica, a fim de resolver o problema. O prazo dado foi de 24 à 72 horas e qual não foi a minha supresa ao ter tudo resolvido lá pelas 14h30 de ontem?

A gente está sempre reclamando dos prestadores de serviço, mas eles merecem elogios quando fazem seu trabalho bem feito. Em dez minutos, ao telefone, Sidney consertou o que precisava e me colocou ligada de volta com o mundo.

E os elogios que Sidney merece são "eficiente" e "competente" - na minha opinião, dois dos melhores elogios quando se está falando de trabalho.

16 de mai de 2011

Mesa pra dois



"De nada adianta o prato cheio se a cadeira ao meu lado está vazia"

Karmo [1]

 Depois do Fernando Gonzales, Karmo faz as melhores tirinhas, na minha singela opinião.

 (Clique para ampliar)


Confiram mais no site do autor.


Ouvindo She came in through the bathroom window (Joe Cocker)

15 de mai de 2011

20 e poucos anos: Maternidade

Cheguei em casa agora há pouco: uma tristeza ver o Corinthians perder. Lô tinha ficado em casa para cuidar da filha de uma amiga nossa. Filha pequena e eu imaginando como Lô havia de dar conta da menininha (não tem o mínimo jeito com crianças de quaisquer idades)... Lô anda com essas idéias de maternidade na cabeça e o bebê só a deixou mais entusiasmada... e angustiada também.

Entrei na sala. Lô cantava baixinho:

How many roads must a man walk down,
before you call him a man?
How many seas must a white dove fly,
before she sleeps in the sand?
And how many times must a cannon ball fly,
before they're forever banned?
The answer my friend is blowing in the wind,
the answer is blowing in the wind.

Era uma cena comovente: Lô a meia luz com o bebê no colo, murmurando a canção suavemente. Fiquei observando na surdina, admirado. Era um lado de Lô que eu não conhecia. Suspeito que ela mesma não conhecesse. Acho que a vida tem dessas coisas mesmo.

Dali a pouco ela voltava do quarto: o bebê tinha dormido e ela vinha me receber com o afago costumeiro. Andava diferente e eu querendo saber o porquê, mas preferia não perguntar. Acabei por perguntar outra coisa:

- Blowing in the wind?

- É.

- Algum motivo especial?

- Era isso ou Joana Francesa.

13 de mai de 2011

O que não dizer quando você conhece "a" garota?

Não, ele não disse isso!
Não, ela não caiu nessa!

Ou eu sou muito chata ou eles vivem num mundo onde uma conversa dessas cola!Ou talvez sejam as duas coisas ao mesmo tempo...

Padrões de Beleza... Pra quem?

** "Eu me cuido, mas ele sabe que tenho tendência a engordar. Me aceitou assim e ponto".


** "Eu sempre gostei dos esquisitões"


** As amigas conversam:

Juju adora homem magro de ruim, de preferência, branco que nem papel. Ah! Cabelos compridos.
Cacá se amarra em cara mais forte e alto, jeitão de academia, moreno. Mas não muito musculoso.
Gigi gosta de caras mais cheinhos, troncudinhos. Gosta de mãos e sobrancelhas.


** "Mulher bonita não tem idade"


** Falando sobre a vocalista da banda Nightwish ele se empolgou:

- Ela é a mulher perfeita! Uma voz maravilhosa! Linda, alta, magra, pálida, cabelos escuros... Parece a Mortícia da Família Addams!

As mulheres da sala se entrelhoram.

- Taí a mulher ideal!


** "A beleza está nos olhos de quem vê"



** "Eu nunca vi uma boca como a sua"


** O  namorado dizia que ela era gorda. Terminaram. No mês seguinte, virou modelo.


** O rapaz que caçoa da parente:

 - Ela é tão gorda que nem cabe na foto!

Ele tem pernas finíssimas e ninguém zomba dele por isso.


** "Gosto dos seus olhos, do seu nariz de batata e da pintinha que vem junto com ele. Gosto dos seus pés de lírio e das suas orelhas".



11 de mai de 2011

Chá de bebê misterioso ou Minha primeira vez comprando fraldas

Quando comentei com uma amiga que precisava comprar fraldas, ela me olhou assustada como eu imaginei que fosse olhar:

- Hein? Pra quê?

- Ah! Não não para mim não! - respondi e percebi seu olhar de alívio.

O fato é que na sexta-feira, no trabalho, me entregaram um convite para um chá de bebê. Eu teria simpatizado muito mais com a idéia se conhecesse a mãe do bebê! Não tinha reparado em nenhuma barriguinha saliente nos últimos meses e a única colega grávida estava assim há pouquíssimo tempo, ou seja, sem barriguinha.

Além das fraldas, o convite pedia babadouros e ao comprá-los, a vendedora me perguntou o óbvio:

- Menino ou menina?

Aí a ficha caiu e percebi que não fazia idéia! Então eu não só não conhecia a mãe, como não sabia se o bebê era menino ou menina. Me safei com um par de babadouros verdinhos, cor unissex (?). Para mim, amarelo era mais unissex, mas não tinha nada amarelo. Na verdade, acho que qualquer coisa mais clarinha, tons pastéis em geral, servem para bebês, mas como ainda se tem essa concepção de que azul é para meninos e rosa é para meninas, preferi me garantir com o senso-comum.

Ontem finalmente conheci a futura mamãe - radiante. Entretanto, fiquei pensando sobre a obrigatoriedade de certos eventos sociais. Me senti compelida a participar de um evento de alguém que eu não conhecia. Claro que comprei os itens com gosto, mas não é essa a questão. 

A questão é que o chá de bebê foi realizado na hora do intervalo, na sala dos professores, o que fez com que eu me sentisse obrigada a participar. Além disso, como já disse e volto a dizer, eu não conhecia a futura mãe! O que me faz pensar que você não precisa ser a melhor amiga de algém para ser convidada para um chá de bebê, mas é legal, pelo menos, fazer parte do círculo da pessoa, não? A coisa toda me pareceu um tantinho desesperada, fossem pelos presentes, fosse pelo número de pessoas. E o que me serve de consolo é que eu não era a única a desconhecer mãe a bebê: um terço das moças não conhecia.

9 de mai de 2011

Cinco verdades sobre ciência, matemática e física.

1) O sanduíche prensado desafia as leis da física;

2) O abraço é a menor distância entre dois amantes;

3) A gravidade sempre vence;

4) Os opostos se atraem, mas não permanecem unidos;

5) Química é o que acontece quando você esquece o leite fora da geladeira - ou quando o olhar e o sorriso encantam.

8 de mai de 2011

I just wanna dance ou O conselho de Lizzy

A festa ainda estava começando e eu já morrendo de vontade de ir para pista dançar. Mas não queria ir sozinha. Dançar sozinha é estranho e as minhas amigas ainda estavam na mesa, tirando fotos. Eu estava de pé, junto a cadeira: ensaiava alguma coisa, um tanto timidamente.

A garçonete, que era a cara de Norah Jones - o que me fez lembrar de My blueberry nights - ofereceu um salgadinho, não sem antes perguntar sorrindo:

- Mas o que você está esperando pra ir dançar?

Sorri de volta.

- Ah, vou daqui a pouco - respondi.

Dali a pouco ela volta, com outra bandeja:

- Ainda aqui?

Dessa vez, lhe dei razão: fui para a pista de dança - e já ia tarde.

5 de mai de 2011

Da confiança que vai embora

Poucas coisas são tão frágeis quanto a confiança. Uma vez que ela não existe mais, fica difícil olhar para quem nos traiu com os mesmos olhos. Na verdade, eu pelo menos não consigo. Nem sei se um dia vou conseguir. A confiança é construída de tijolos de tempo e de fatos. O tempo faz dela algo sólido. Mas basta um suave sopro para que tudo vá abaixo. Esse sopro pode vir de várias formas e vem, normalmente, quando menos se espera. E o que se faz quando a confiança deixa de existir? Pode-se fazer as malas, mas nem sempre é possível. Às vezes a convivência é necessária, então basta não se doar mais, não dividir mais, não compartilhar mais, não se abrir mais. Resolver o que precisa ser resolvido sem "ajuda", sem ninguém. Lidar com os problema e demais questões internas sem a participação e opinião de ninguém. Alguma outra sugestão de como agir?


4 de mai de 2011

O vandalismo como solução?

No passado, quando os primeiros trabalhadores das indústrias começaram a perceber as desvantangens que as máquinas estavam trazendo - desemprego e menores salários - resolveram quebrá-las em sinal de protesto. Não perceberam que não eram as máquinas as culpadas pelas péssimas condições de trabalho que enfrentavam nem que não eram elas as responsáveis pelo desemprego. Acabaram por ser despedidos, outros foram contratados. Outras máquinas foram compradas. Quem foram os prejudicados?

Em 2011, quando a população é obrigada a lidar com as péssimas condições do transporte público - superlotação, ônibus quebrados e em péssimas condições, atrasos homéricos - ela se revolta e resolve quebrar os ônibus que tanto fazem de suas vidas um inferno em sinal de protesto. Não percebem que não são os ônibus ou o motorista ou o cobrador os responsáveis pela miséria do transporte público.  Acabam por ficar sem transporte: é um ônibus a menos nas ruas, onde eles já são escassos e sucateados. Quem foram os prejudicados?

O que foi que mudou?

3 de mai de 2011

Pelo direito de meninas serem crianças - e não mulheres em miniatura

Porque eu fico doida quando eu vejo calçados para meninas pequenas com salto. Por que não deixar as crianças serem crianças? Por que querer que aos quatro anos de idade as menininhas usem maquiagem - como eu vi por esses dias? A infância deveria ser sagrada, mas parece ser um "momento" cada vez mais invadido por coisas do mundo dos adultos que nada tem de infância. Cada vez mais erotizadas, essas meninas perdem a infância muito cedo, entram na adolescência muito cedo e deixam para trás uma série de experiências fundamentais para sua formação enquanto seres humanos. A preocupação extrema com roupas, aparência e maquiagem, os interesses, as conversas, as prioridades... Além de se tornarem mulheres em miniatura, estão se tornando pequenas mulheres fúteis.

2 de mai de 2011

Clara e as teias

Clara e Júlio estão sentados no sofá encardido da sala de estar. Estão no apê dele. Pela janela olham a vida tomando cor lá fora, mas talvez quisessem olhar mais para dentro de si mesmos. Queriam e olhavam. A paisagem era só justificativa para ter o que falar. Encher o silêncio com qualquer coisa que não fossem suspiros. Ou sussurros.

O sol está prestes a transbordar do horizonte e a conversa que se mantinha superficial toma ares subterrâneos, de profundezas enigmáticas, de criaturas indefinidas. Caminhos sem volta talvez. Tanto fazia, tanto fizesse. Estavam sentados lado a lado há horas. As taças de vinho vazias há horas.

- Eu sei algumas coisas. Acho que não é tão difícil seduzir alguém. Eu não sabia, mas aprendi.

- Aprendeu onde?

Júlio quis saber "com quem", mas limitou-se ao "onde". A pupila cresce com o seu interesse ofegante.

- Ah. É a vida né?

Clara sorri com a sua certeza de mulher, ainda que discreta. Meio sorriso diluído da luz que entra da janela.

- Não acredito em você - Júlio sorri  sem jeito com seus olhos que são dois sóis - 'Cê mesma tá cansada de dizer que não existe receita para essas coisas...

- Mas quando foi que eu falei em receita? Só estou falando que sei de certas coisas, coisas que no fundo acho que toda mulher sabe.

- É mesmo? Como o quê?

- Como isso.

Ouvindo Kind of blue (Mile Davis e John Coltrane)

De como virei consultora

Bom, começou em 1900 e bolinha, quando me pegaram para Cristo, quer dizer, consultora sentimental.  Fala que que te escuto e coisas afins. Muitos lenços de papel, paciência e uma vontade sincera de ajudar, embora tantas vezes sem saber como. Na maioria, de fato. Eu contava com pouca experiência de campo, mas costumava ser um poço de bom senso. Aliás, ainda sou.

Já estava acostumada quando entrei na faculdade e virei consultora acadêmica. Foram cinco longos anos. Ajudava os outros a se organizarem, emprestava material, estudava junto, puxava a orelha, dava apoio emocional. Árduo, mas fazia com muito gosto.

Depois disso, achei que a vida fosse voltar ao marasmo relativo. Voltou, mas alguns amigos insistem que eu devo escrever um livro de auto-ajuda sentimental. Falo até que vou, mas no fim encaro com riso: não me sinto realmente apta a dizer como alguém deve viver a sua vida, o seu romance... Ok, às vezes até digo, mas são casos extremos. Quem sou eu para dizer que sei como fazer alguém feliz? Que tenho a receita? Não tenho não. Ninguém tem, na verdade.

Mas me surpreendi ao me tornar consultora de coisas mais simples, mais mundanas - e nem por isso desagradáveis. Afinal, não é todo dia que viro consultora de presentes femininos ou de camisas e gravatas masculinas...

Só que aí eu me assusto com o que ainda vem pela frente. De que eu posso virar consultora ainda? E por que as pessoas costumam recorrer à mim, seja para o coração, a faculdade, a camisa ou a loção hidrantante feminina? Bom, até agora ninguém reclamou da consultoria, deve ser um bom sinal. Devo estar no caminho certo.

Ouvindo Aurora (Foo Fighters)

1 de mai de 2011

De princesa à plebéia... fala sério!

O assunto da semana foi o casamento no melhor estilo conto de fadas de Kate e William. Eu até convenci algumas pessoas de que tinha ido:

- Por que você vai? - me perguntaram.

- Porque eu não iria? - respondi - Sou uma pessoa influente.

Inventei que tinha ido com uma celebridade: Rowan Atkinson. E as pessoas acreditaram!

- O vestido tá no carro lá fora  - comentava.
Então os meus choques foram três: 

1º)  Perceber que as pessoas acreditaram em mim;

2º) Pensar que as pessoas acham que eu seria amiga de Rowan Atkinson.

3º) Ouvir a palavra "plebéia" com uma frequencia nunca dantes ouvida. Aí eu penso o quanto tudo isso é antiquado. "Plebéia" me parece ter um peso tão grande e na verdade não significa nada - principalmente na nossa cultura brasileira e principalmente quando o casal já estava junto há oito anos, ou seja, tanto faz quem é o que. Antes de sermos da plebe ou da realeza, não somos humanos?

Ouvindo Leaving on a jet plane (Peter, Paul and Mary)