30 de mai de 2011

Insensível: Ébrio

Ele insistia em seu discurso, em suas intenções - excusas? E ela insistia no dela:

- Esquece.

Um sorriso provocador e zombeteiro.

- Por que só me quis quando saí do seu alcance?

- Nessas coisas a gente não manda... Eu era só um menino.

O seu olhar quente era outro. Não era o mesmo na adolescência passada. Sua boca era outra. Sua nuca era outra. Outro gosto da sua nuca. Da sua boca. Era toda outra. E estava em outra.

- Se você me quiser, em vinte minutos tô na sua porta. Nem mesmo um vinho?

E, com distinta discrição, deparava-se novamente com sua recém-descoberta letalidade.

Ouvindo Sozinha minha (Lobão)

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