28 de jun de 2011

Sobre a esperança, a expectativa e a espera.

Para o Pantera

Ele me acompanhou até a estação de trem. Falávamos sobre expectativas.

- Foi esse mesmo assunto que conversamos na primeira vez que te acompanhei até a estação de trem.

Sorrimos. Aquilo tinha sido há seis anos atrás. Já. Somos outros, a estação de trem e a situação nossa também são outras, mas são as recorrências que me fascinam: mais uma vez retomamos, sem nos cansar, aquilo o que quase ninguém consegue entender.

Entender, até entedemos. Somos até capazes de análises frias e racionais. Mas e quando tem sentimento em jogo - jogo minhas teorias pela janela? Difícil. Por esperar demais, sofri demais. Mas esperar de menos me soa tão mesquinho e medíocre. Como encontrar um equilíbrio?

Uma vez, há alguns anos, me prometeram que dividiriam o segredo da vida assim que o encontrassem. Falharam comigo e eu também falhei, mas vou descobrindo aos poucos os tais segredos - plural com P maisúculo. E um deles é o equilíbrio, principalmente no que concerne a expectativa e a esperança.

Hoje eu acabo esperando muito menos do que esperava há um ano atrás. Talvez certas coisas estejam tão claras para mim que os óculos escuros servem para que essas verdades estridentes não me ceguem. Se por um lado, aprendi a esperar menos das pessoas, por outro, aprendi a esperar mais por elas - em todos os sentidos.

Esperar menos não é esperar de menos - nem pecado. Mas foi uma coisa que eu não escolhi, pois se pudesse escolher, teria escolhido há muitos anos atrás. É a vida, acho. As coisas têm razão de acontecer no momento que acontecem. O acaso não existe, mas poderia me proteger enquanto eu andasse distraída.

Mas o que tenho como certo para mim é que o ser humano sempre vai esperar algo, pois a esperança e a expectativa são justamente duas das coisas que nos fazem o que somos: humanos.


Um comentário:

Pantera disse...

essência é o que é. se só está, uma condição provisória, um momento, uma fase, não é essência, é acidente.

6 anos... poxa! já são 6 anos... nada, nada, um quarto da minha vida... e ainda assim, ainda esperanças e expectativas...

vai ver somos essencialmente isso: esperanças e expectativas... não as mesmas: com dinâmicas, processos, monadologicamente diversas (agora até lidamos com elas!), mas, essencialmente, ainda são esperanças e expectativas.

mas, o mais importante, meus olhos já não mais olham mais só o chão, nem os seus só o céu: olhamos à frente, e nossas esperanças e expectativas são sobre a paisagem que temos pelo caminho. e já não tenho mais medo de andar por ele