18 de set de 2012

aqui dentro

"Crossing the heath windy day" (Paul Falconer Poole)
Cocei a cabeça. Meus cabelos bagunçados. Pé de vento. Mas quem precisa de ordem externa quando tudo o que importa é o que se tem por dentro? É, só isso que importa. O resto vai embora com o tempo.

E por dentro é turbilhão. Mais até do que o vento que espalha as sementes, faz dançar as flores, bagunça o que está por fora. Por dentro é bagunça organizada - o que não quer dizer que sei bem onde está cada coisa, cada sentimento. E precisa? Precisa não, precisa nada. E o que não preciso, eu reciclo. Papel machê. Chocalho de arroz. Um sorriso.

É essa mania de reaproveitar o que não serve mais. Mas aprendi a reconhecer o que serve, o que se faz necessário. Se bem que estava precisando de óculos e não percebi: perceberam por mim. Só que os óculos não fazem com que eu veja nada que eu já não visse, do mesmo modo que o Mágico de Oz não deu ao Leão covarde nada que já não tivesse.

Olhei para um lado, para o outro. Sempre faço isso, mesmo quando é rua de mão única. Porque nunca se sabe quem vem guiando lá longe. E desse não se tem controle. Muito bem. Então olho para os dois lados antes de atravessar. Nada posso fazer sobre o outro nesse sentido e, de qualquer modo, não teria essa pretensão. Não mais, nunca mais.

Meu nariz desconfiado sente cheiro de chuva. Lembro de todas as coisas bonitas que venho ouvindo, percebido, visto. Pensei no que fazer com o cabelo, com a vida, com os sonhos - e com o vestido vermelho. E atravesso a rua. Ah como é bom estar viva...

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