14 de dez de 2012

Gato mia

Porque decidiram brincar de gato mia e o gato miou, se não tudo, um pouco, alguma coisa, muita coisa. Muito miou. Só que o meu jogo é outro:

- Atirei o pau no ga-to to...

[mas o ga-to to não morreu-reu-reu] a história da minha vida.

Não era medo: era só o desconforto causado por estar no escuro, sem saber quem estava comigo - alguém contra mim? Hoje, nem o desconforto: um escuro honesto, sem farolete. Luz interna? Intuição. O sexto sentido apurado, mas sem ver gente morta, só as coisas vivas. E, ainda que estivesse tudo claro, eu fecharia meus olhos para seguir assim.

Entretanto, as flores eu deixo morrer:

- Você precisa cuidar das flores que ganhou.

- É.

- É assim que você vai cuidar dos seus filhos?

- Não, não vou precisar regá-los.

É tempo de cirandar por outras bandas, plantar em outros campos. E já colho alguns bons frutos, expressos em palavras e abraços. Afeto.

- Você plantou uma semente de amor em cada um de nós.

Tateio no escuro em busca do gatos danados, mas me escapam - obviamente. Então esbarro comigo mesma, essa cara que me dificulta a vida, os óculos, o cabelo ansioso por mudança. Bom, vir ela veio, a galope, fazendo malabarismo com objetos em chamas.

Ui! 

Radical?

Abri uma trégua: sai para o quintal, coloquei um pires de leite. Os gatos foram se aproximando. Vieram pelo leite ou para rir de mim? Nada. Me olham simpáticos, compreensivos. Meu cafuné logo virou um ronronado suave e terno:

- Está tudo bem - eles me dizem.

Aí eu olho para o céu, para eles, para os rumos que a minha vida está tomando, bonitos e diferentes desenhos ganhando forma a partir de um esboço. E repito:

- Está tudo bem.

Sorrio. Welcome brave new world.

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