1 de mar de 2013

A palavra não dita

Para o Fã de Clube de Esquina

Ele me disse que o tema era batido, mas que não valia menos por conta disso. A gente sempre podia escrever. Tema batido e não mexido. Mal mexido.  Acho que ninguém se mexe. Alguém mexe com você?

Tema batido porque todo mundo tem uma história pelo menos. Tenho as minhas e mais uma constelação de coisas que li, ouvi, senti - mesmo sem saber o porquê. Porque as experiências são únicas, as pessoas são únicas. Logo, as histórias são únicas também oras. 

Contei suas histórias mil e uma vezes - e todas diferentes, porque foi tudo diferente, inclusive você mesmo! As minhas eu salpico com uma alegria fingida às vezes, noutras, ela é sincera, tão sincera quando o que ficou passou ficou passou de ruim.

Não valeria menos por ser falado demais. Acho. Penso. Vejo tudo o que existe e acredito poder haver ainda mais, poder dizer ainda mais - porque nem tudo foi dito. E é disso que quero saber: de tudo aquilo que ainda não foi dito. E vem vindo, de carona de mansinho, o não vivido, que me olha estupefato.

Não damos conta do tudo que liberta e escraviza. Sem contar o que fica pela metade, seja em soluço, seja em sussurro, perdido entre versos e viagens a terras desconhecidas. Uns hiatos suspensos e aquele suspense doído de dedo latejando (antes preso na porta): o que vem agora?

Pensamos nos mistérios insondáveis, ainda por vir, sorrio e anuncio, em tom de segredo:

- Hoje tenho uma outra história para te contar...

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