19 de mar de 2013

E eis que um elefante me surpreende na cozinha!

- Vou tatuar um elefante.

- Por quê?

- Os elefantes não esquecem.

***

Porque eu pensei que a minha memória fosse só minha. E a sua, só sua. E não é que elas eram, na verdade, uma só? E nos lembramos do dia em que nos conhecemos exatamente do mesmo jeito?

Perguntei por perguntar, só para ver o que você ia dizer. E vi.

[valeu até um leve alçar de sobrancelhas]

Dois pontos de vista de ângulos diferentes, mas a sua narrativa era a minha. E a minha era a sua. Me surpreendeu, sério mesmo. Eu que já não espero nada me deparei com...

A nossa narrativa é a mesma, ainda que a gente não tenha uma história - ou temos? Na sua, na minha mente - secretamante.

Você também se lembra de uma foto antiga minha que eu nem lembrava. E lembrava o bastante para poder encontrar uma sósia minha num filme antigo. Sósia? Não exatamente, mas queria saber porque ela te fez lembrar de mim.

Quis saber e não perguntei. Mais tarde, desvendo. Você, esquivo. Eu, essa mania de achar que sei ler a língua dos outros.

***

- Olha o elefante que eu fiz...

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