31 de mai de 2010

Aparentemente, Zeca existe.

Gosto de Zeca, de Quinzinho, de Clara, Bibi, Trash Girl e Lili. Zeca é o fracasso. Quinzinho, um sonhador prático, bastante encantador. Clara nasceu femme fatale e virou mulher de carne e osso. Bibi é uma criança graciosa que não me visita faz tempo. A Trash Girl brotou da minha revolta cansada e intensa. Lili... Ah! Lili é minha favorita, minha filha predileta, e ela é justamente uma das razões do blog. Todos eles, mas ela em especial, me mostram o mundo e muito de mim. E todos eles me ajudam de algum modo.

Por isso, são meus filhos, muito do que vivo ou vejo. Às vezes as duas coisas juntas. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que Zeca existe de verdade e lê o meu blog! No último post sobre ele, um leitor intitulado de “Prazer, Zeca” comentou:

- Meu nome é Zeca?

Lamentável pensar na possível identificação da pessoa em questão com o post. Triste mesmo. O meu Zeca não é uma das pessoas mais felizes ou bem resolvidas. Ele nasceu justamente de uma situação de extremo descontentamento e revolta da minha parte. Depois, foi adquirindo esses tons de cinza encardido e azul desbotado que impregnam sua existência - agora possível e provável.

No primeiro post sobre ele, a personagem identifica-se a si mesma como covarde. No último post, ele ratifica isso, ao invés de retificar. Há muito mais distância entre “ratificar” e” retificar” do que entre as vogais “a” e “e”. Contudo, talvez eu esteja sendo injusta com Zeca: ao menos dessa vez ele decidiu pensar em agir – fato significativo vindo de alguém que nunca nem mesmo pensaria em tal coisa. Seja como for, já não tenho pena dele.

Daí eu não sei se a vida imita a arte ou se a arte imita a vida. Bom, o que eu faço não é arte, todavia, arrisco dizer que transborda alguma forma de vida – um pouco mais intensa do que a de uma ameba.

2 comentários:

Cayo Candido disse...

Gosto do Quinzinho...

Anônimo disse...

Ficou linda essa passagem:

"Depois, foi adquirindo esses tons de cinza encardido e azul desbotado que impregnam sua existência - agora possível e provável."

Lembrou-me muito de um poema de Verlaine, chamado "Arte Poética", no qual o poeta comenta a importância do Azul e do Cinza. As cores mais importantes para o Simbolismo. E também as suas cores preferidas. (talvez as minhas também, não estou bem certo).

O cinza simboliza o "Indefinido", a "dúvida", e o azul tudo aquilo que é "ideal", "utópico", "Inatingível". Juntá-los é juntar o preciso ao impreciso. (Estou parafraseando mal e porcamente alguns versos do belo poema, que Verlaine me perdoe).

Por isso gosto tanto da poesia simbolista...

O que isso tem a ver com a história do Zeca? Sei lá. Essa passagem me fez filosofar essas besteiras todas, e como ninguém, a não ser você, sabe quem sou eu, não tem problema postar isso. ^^ Acho...

O que importa é que essa passagem ficou linda... embora terrivelmente melancólica, e como eu adoro a melancolia!

Beijos,
Holmes.