9 de jul de 2011

E era uma vez a deturpação da lei da oferta e da procura

Charlie e eu resolvemos passar o dia na Galeria do Rock - que já não é tão do rock assim - e nos deparamos, logo de cara, com uma loja só de chapéus. Na verdade, nem tinham tantos chapéus, mas uma variedade de bonés (bah!) e... BOINAS!

Coleciono boinas. Confeccionei algumas de crochê e os resultados podem ser classificados de "frustrantes " a "plenamente satifsatório" - mas confesso que essa coisa de fazer sem receita, sem molde, sem instruções tem o seu charme e encanto.

Mas o fato é que entramos para ver as boinas. Havia duas vendedoras que nos viram e fingiram não nos ver. Okay, não responderam ao nosso "bom dia" simpático e aprazível. Preferiram continuar conversando entre si sobre o que quer que fosse. 

Encontrei as boinas na vitrine. E eis o "diálogo" que se estabeleceu com uma das mocinhas:

- Bom dia, posso ver as boinas?

- Estão aqui.

Quando fiz a pergunta acima, eu já tinha visto as boinas e sinalizado tal fato, tendo batido levemente o indicador sobre o balcão de vidro. Mas a atendente não se deu ao trabalho de tirar as boinas para me mostrar: preferiu deixá-las debaixo do balcão mesmo. Será que daria muito trabalho tirá-las e depois colocá-las de volta, correndo o risco de efetuar uma venda?

- Quanto estão saindo?

- Vinte.

- Quais cores você tem?

- Essas.

Mais uma vez a atendente não se deu ao trabalho de tirar as benditas boinas debaixo do balcão. Havia uma boina cinza por cima das demais, de modo que eu não conseguia vê-las direito. A despeito da  falta de empenho, insisti - correndo o risco de me passar por tapada (ou chata?).

- Além da cinza, quais são as outras cores?

Finalmente, a atendente tirou as demais boinas debaixo do balcão de vidro, num misto de descaso e má vontade. De repente, percebi que já não queria a boina. E que, muito provavelmente, pouco importava se eu a comprasse ou não. Ela não queria me vender e eu já não queria a boina. E, finalmente, nos entendemos e eu fui embora, sem levar nada obviamente.

Sou uma cliente bastante razoável, por isso, erroneamente, acabo sempre esperando ser tratada de modo razoável. E posso não estar muito a par das estratégias mercadológicas e tendências de vendas, mas algo me diz que tem alguma coisa errada no tratamento que nos foi dado na tal loja. Ou vai ver que estou querendo demais... Vai saber.

2 comentários:

legof disse...

God...qual o problema com essas pessoas ¬¬
Por questão de princípios você devia ter jogado a boina nela e ter dito: "não é em mim...que você vai dar o chapéu...YEAAAAHHHHHHH"

Clelia tia disse...

A primeira coisa que me veio a cabeça, foi que a pseudo vendedora gostaria de estar no seu lugar passando pela galeria do rock (que não é mais tão assim), docemente olhando boinas.Ela e muitas pessoas estão contaminadas pela bactéria da indiferença sofrendo do mal da invisibilidade.