8 de jul de 2011

Monólogos disfarçados de diálogos

Me acostumei tanto com monólogos disfarçados de diálogos que quando alguém realmente me ouve, eu me espanto. Não espantamento de levantar do sofá, mas o de me fazer sentar e perguntar:

- Tem alguma coisa que você queria falar também?

Percebo que em algumas instâncias, estive falando sozinha por anos e isso me deixou um pouco baqueada. Ou me ouviam e não diziam nada (literalmente) ou apareciam com todas as pedras nas mãos (metaforicamente) ou riam largamente (e assustadoramente) de tudo o que eu tinha a dizer.

Falar não é sinônimo de se comunicar. Falar muito menos ainda. E muito pode se dizer no silêncio. Mas esse mesmo silêncio pode funcionar como veneno em qualquer situação. Alguém pode pedir a sua opinião sobre um problema quando só quer, na verdade, ser ouvido: um monólogo disfarçado de diálogo.

Temos dois ouvidos, mas raramente ouvimos mais do que falamos. E há quem pareça ter quinhentos ouvidos. Há momentos em que o é melhor se fazer de João sem braço - e sem ouvidos (vou fingir que não ouvi) ou todo ouvidos (melhor só ouvir e não dizer nada). 

Seja como for, acho que é fundamental ter percepção e sensibilidade mínima para saber quando falar, quando calar (sem esquecer que quem cala consente) e quando perceber que o diálogo que você busca não vai passar de um monólogo, dependendo de com quem você fala.

3 comentários:

Elaine disse...

Oi Frau, taí uma verdade:"falar não é sinônimo de se comunicar". Gostei do texto!
Abraço.

Ludmila. disse...

"Constantly talking isn't necessarily communicating."

Joel Barish disse o que eu já sentia na pele...

Acho que já desisti de tentar diálogos faz um tempo. Não funcionam... Hoje fico esperando um aparecer, uma oportunidade clara. Se não aparece eu simplesmente deixo para lá.
Talvez seja mais fácil e até meio covarde, mas não posso evitar.

*

legof disse...

desculpa, você disse alguma coisa?
Brinks XD
BELA MÚSICAAAA ;)