30 de set de 2011

As manifestações do meu amor

Sorriso. Abraço. Mãos dadas. Afago. Massagem. Bronca. Cartão - de natal, de aniversário, de puro carinho. Sem cerimônia. Poema. Romance. Haikai. Post no blog. Livros - todos os que escreveria para você, todos os que dedicaria a você. Conversas - longas ou curtas. Telefonemas. Piada. Gracejo. Álbum de figurinhas. Camisetas pintadas à mão. Balas - de coco, de mel, de milho. Sorvete partilhado. Me conta como foi o seu dia. Desenhos. Canções. Cantorias. Cobertores. Cuidado. O casaco - não esquece!  Ouvidos: todos os dois, só seus. Diário. Fotografias. Viagens. Caronas. Balizas. Pode vir que dá. Segredos. Sussurros. Solavancos. Então é assim que você fala comigo? Mas... Saudade...


...Sentimento sem cerimônia.


E, às vezes, meu amor se manifesta simplesmente em forma de torta - doce ou salgada, não importa: é torta e é sua.

29 de set de 2011

"Te vejo por aí"

Não foi isso o que dissemos, nem o que prometemos. Graças a Deus você não me fez essa promessa. Fez outras muitas e quebrou todas, mas essa não fez. Quanto a mim, bem, eu nunca prometi nada: sempre cumpro o que não prometo - meu olhar e meu afago.

Não trocamos mais cartas ou telefonemas ou carícias. Embore sua voz ainda ecoe suavemente pelas pareces da minha sala. E suas palavras brinquem aos meus ouvidos - como se ainda pudesse ouvi-las. Suas mãos  ainda parecem brincar com os meus cabelos.

Não marcamos nada. Mas esbarrei contigo por esses dias. Achei que você devia saber. Uma música. Duas músicas. Três músicas. CDs antigos que gravei há tanto tempo. A sensação? Uma felicidade morna e aconchegante - gato ronronando em cima do sofá. Porque só ficou o que foi bom.

Eu nunca vou saber que você esbarrou comigo também, por esses dias, mas num romance. Numa poesia. Num livro. Época em que compartilhávamos o nosso amor pela palavra escrita. A sensação? Nunca vou saber que você ficou amuado e ainda bravo comigo. Não sei se ficou o que foi bom também. Ou talvez eu tenha sido substituível. As pessoas às vezes o são, embora eu prefira a visão romântica de que sou única.

Erramos os dois. Nossas decisões foram tortas, mas Deus não escreve certo por linhas tortas? Nossos passos errantes parecem nos trazer sempre de volta um ao outro, numa dança entre o claro e o escuro. Nuances de cinza, pois o colorido ficou no passado - embora o passado devesse ser em sépia.

Foi-se o tempo em que tudo me lembrava você - minha vida se preenche e transborda por outras fontes inesgotáveis - mas certas coisas são pontuais. E coloco as boas lembranças (vivinhas da silva) para dormir quando ameaçam me deixar melancólica. Quanto a você, não sei o que faz com elas, mas desconfio que as mande embora quando pedem para entrar na sua vida:

toc toc  toc

Seja como for, para mim, o café preto com um bocadinho de chantilly é a personificação da sua pessoa. E sempre será.



28 de set de 2011

Ambiguidades desencontradas


O desencontro é triste: traz a dor da saudade e daquilo o que não foi, já foi e não mais será. O desencontro é cômodo e confortável: traz a dor da saudade e daquilo o que não foi, já foi e não mais será.

27 de set de 2011

Fada madrinha que nada!

 - Não, meu bem. Não tem ninguém precisando de Fada Madrinha por aqui. Você ligou para o número errado.

PIII PIII PIII PIII PIII

Não, eu não preciso de Fada Madrinha.

Por esses dias, a ficha caiu. De fato, eu faço mágica! Não, meus poderes de X-Men não estão ainda totalmente desenvolvidos - não consigo ainda derreter o celular dos alunos inconvenientes com o poder da minha mente -, mas já sei ler olhares com bastante clareza. E intenções também. E as que não sei ler - analfabeta funcional? - faço pouco caso: uma hora aprendo. Por ora, não me importo.

Eu disse que faria um feitiço para o calor voltar - e não é que deu certo? As duas blusas de lã que se fundiram a minha pele que o digam. Nem precisei chantagear São Pedro com informações altamente sigilosas. Sim, eu sou esse tipo de pessoa - quem me conhece bem o sabe.

- Você não está com calor? - perguntou o professor de canto.

- Nada!

O calor era para os fracos. O frio também. Ei! O que mais era para os fracos? Sei lá. Fracas só as minhas costas... Massagem? Pois não. Devia ligar para a tal Fada Madrinha e pedir alguma bugiganga da Polishop. A Polishop sem dúvida tem alguma coisa para as costas, não?

Não sei ainda fazer mágica da massagem. Pergunto a vocês: Como?

Mas aprendi bem a arte de fazer das tripas coração. Interessados? Pergunte-me como. Inscrições aqui. Requer habilidade, mas, mais importante: é preciso ter um coração. E tripas, naturalmente. A mágica de endurecer sem perder a ternura. A bala cujo sabor doce não peca pelo excesso de suavidade nem pelo seu extremo oposto.

A mágica do afago mais suave, da palavra acolhedora, do sorriso que desarma. E de ser por outros desarmada.  A mágica de estar sempre presente nem  sempre estando de corpo presente.

A mágica de corrigir trezentas provas com uma cajadada só (sou contra a violência aos  coelhos) e não assustar com a língua inglesa os alunos que ficaram trinta anos fora da escola. A mágica de fazer as pessoas se sentirem importante quando de fato o são - e não sabem.

A mágica de fazer os alunos memorizarem o que é hiperbole pelo exemplo tosco:

- Fiquei esperando o Terminal Varginha por cinco séculos.

Faço a mágica da multiplicações dos sorrisos. Os peixes, eu passo a vez. Quem sou eu afinal de contas? Uma reles mortal com complexo de Fada Madrinha, mas sem aquele ar de Gênio da Lâmpada:

- Seu desejo é uma ordem.

Isso já era.

Meu sorriso é sincero quando digo:

- Tome, pode pegar: esse pedacinho da minha vida é seu.

Só me falta a cartola - ou a varinha de condão?  - meras formalidades.

O que sou, carrego comigo.

25 de set de 2011

Do ré mi fá sol lá si

A: - Você já pensou em cantar em barzinho?

B: - Oi?

A: - É um desperdício não dividir a sua voz com o mundo. Sua voz é f***!

B: - Ah... Já pensei em cantar por aí, mas por prazer.

A: - Mas eu acho que você devia gravar...

B: - Sim, já fiz isso: gravei na webcam.

A: - Em estúdio!

B: - Oi?

A: - É sério! Conheço um estúdio ótimo. E você tem uma voz linda: daria uma ótima cantora de MPB ou jazz!

B: - !

Cantando Milagreiro (Cássia Eller e Djavan)

23 de set de 2011

O nunca é pra sempre?

Porque nunca é tempo demais, intenso demais, forte demais. Permanente demais. Dá para confiar no nunca? E no sempre? Dá? Intenso demais. Pior ainda. Desconfio certeira, serena, sem cerimônia. Um olhar blasé para esses dois extremos que nada significam para mim. Significaram um dia, hoje já não. Nada. Dois extremos que as pessoas vomitam por aí, sem se dar conta de sua força, do quanto nos comprometem, nos amarram, nos escravizam. Sou escrava de ninguém. Ninguém é meu dono, muito menos dois advérbios de tempo despejados sobre mim com absurda frequencia. Sendo assim, até segunda ordem e improvável mudança de itinerário (Parságada que nada!), ambos deixam de existir para mim.

22 de set de 2011

20 e poucos anos: Úlcera

Para Raul

Me virei impaciente na cama e lá estava Raul, de boca aberta, babando como uma criança. Uma criança. Não conseguia dormir: minha cabeça letajava intensamente, meu peito ardia - literal e metaforicamente. O médico dizia que não era nada: eu devia ter comido algo muito forte que atacara meu estômago. Raul dizia que não era nada: eu devia estar exagerando nos problemas, como sempre. Hiperbólica. Ele, eufemismo. Nossas conversas ultimamente: pleonasmos espasmódicos.

Tinha me cansado dos homens que não me levavam à sério. Mas estava mais cansada ainda de ser sempre deixada quando mais precisava do outro. Que outro? Nem Raul mais queria saber. Meu melhor amigo, aquele que tinha sido o grande amor de minha vida. Troçava das minhas angústias e fazia pouco caso daquilo o que para mim era vital. De repente eu não podia exigir que ele entendesse

Estar em crise e mais uma vez sozinha. Estava na hora de tocar o meu barco sozinha, parar de depender dos outros, do apoio alheio, do olhar alheio. De nada adiantava dividir a cama ou a vida se ficava só nisso. Bom, talvez estivesse exigindo mais do que ele podia me oferecer. Fosse assim, Raul não mais me servia. Não que  eu usasse as pessoas, mas ele não tinha então mais nada a me oferecer. E eu sabia o que eu podia oferecer - a ele ou a qualquer outro homem, a qualquer outra pessoa. E o que eu recebia dos outros? O que tinham a me oferecer? Tinha começado a pensar nisso e me assustei: me ofereciam muito pouco.

Talvez eu estivesse fazendo mesmo um grande drama em relação a nossa situação. Não tinha mais o que conversar. Acho que ele estava em outra. Com ou sem outra - isso não importava. Nunca tinha importado, bem, importara há uns anos atrás. Mas eu era outra. Ele, outro. E eu ainda me questionava sobre a natureza da nossa relação. Fosse qual fosse, tinha se tornado insustentável.

E eu me tornava uma pessoa pior quando estava ao lado dele. Era aquilo nos últimos meses. E a mesma insônia sinestésica e amorfa se arrastava por meses. E ele sempre aquele sono tranquilo, despreocupado. Me enraivecia. Tinha raiva de Raul por ele não me entender.

Me negava a me render aquele seu otimismo idiota e fútil - propaganda de tevê. Preferia sofrer o que precisava, mas ainda não aprendera a sofrer em silêncio. E ele também merecia silêncio. Não podia culpá-lo. De repente, não funcionávamos mais e detestei como as coisas se complicavam conforme envelhecíamos, como os relacionamentos se revelam mais complexos, complicados e conflitantes.

Cansei do conflito, do meu cansaço de Raul. Meu drama transbordava: não por conta das coisas em que estava imersa, mas por conta daquilo que Raul despertava em mim.

E ele não despertava. E era sempre eu quem tinha que acordá-lo.

Resolvi que era hora de deixá-lo dormindo. Melhor para mim e para ele. Não, melhor para mim. Não me importei com ele, só meu meu umbigo sem pudores, sem afeto. Se me perguntassem, não diria "fiz isso por nós". Essa história de ir embora pelo outro, pelo bem do outro era uma das maiores covardias que eu já tinha visto. E ainda via. E ainda veria tantas outras vezes. As pessoas não assumiam a si mesmas, seus reais sentimentos e intenções - e muito menos o fato de não se conhecerem.

Deixei Raul babando em sono esplêndido. Berço esplêndido. Silenciosamente (um milagre?), me vesti, peguei a mala desfeita e a refiz. Fui me refazendo. CDs, livros e paz de espírito me acompanharam porta a fora.

21 de set de 2011

Mais chá?




A vingança é um prato que se come frio, mas a ansiedade é o chá que queima a sua língua.

20 de set de 2011

Pontos de vista musicais são pontos de audição?

Uma mesma música pode ter duas versões que suscitam sentimentos bastante diversos. Eis um belo exemplo de uma bela canção:

Nunca (Os outros), a original, mais alegrinha.


Nunca (A banda mais bonita da cidade), versão mais melancólica.


Gosto de ambas, mas se me pedissem para escolher, acho que já passei da fase da versão - prefiro a orginal, embora eu esteja ensaiando a versão. Ops!

18 de set de 2011

Sobre a constância


Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my thoughts
Let me sing you a waltz
About this one night stand
You were, for me, that night
Everything I always dreamt of in life
But now you're gone
You are far gone
All the way to your island of rain
It was for you just a one night thing
But you were much more to me, just so you know
I don't care what they say
I know what you meant for me that day
I just want another try, I just want another night
Even if it doesn't seem quite right
You meant for me much more than anyone I've met before
One single night with you, little Jesse, is worth a thousand with anybody
I have no bitterness, my sweet
I'll never forget this one night thing
Even tomorrow in other arms, my heart will stay yours until I die
Let me sing you a waltz
Out of nowhere, out of my blues
Let me sing you a waltz
About this lovely one night stand


** Uma das minhas cenas preferidas de um dos meus filmes preferidos, Before Sunset (2004)

*** Ninguém entende tanto de constância como eu.

**** Você já se sentiu assim em relação à alguém?

17 de set de 2011

Jean Grey no chi-ne-lo

Na sala de aula:
Eu - Se você não guardar esse celular vou derreter ele agora!
Aluno - Derreter com o quê?
Eu - Com o poder da minha mente!! 
Alunos gritam. 
Aluno - A professora é um X-Men!
Vale dizer que estou usando e abusando de meus poderes de telecinese e leitura de mentes.

16 de set de 2011

Vamos?!

A: - Vamos?

B: - Agora?

A: -  Vem comigo?

B: - Agora?

A: - Pula comigo?

B: - Ah não sei não...

A: - Vamos!

B: - Talvez depois...

A: - Deixa para lá: você acaba de perder o momento...

15 de set de 2011

Cheia de graça

Para a Dançarina

Quem me acha muito séria é porque não me conhece. Almocei pensando nisso hoje, lembrando das minhas alunas adolescentes rindo dos meus comentários:

- Professora, você é doida!

Há pessoas que convivem diariamente comigo e me acham séria. Há pessoas que convivem comigo por meses e anos, e ainda assim me acham séria. Será que é porque eu levo a vida a sério? Já fui sentenciada em almoços de domingo:

- Mas ela é tão séria!

Falando assim, seriedade me soa quase como falha de caráter, principalmente com as novas modas humorísticas. Mas, se por um lado não me acho tão séria, por outro, sei que não sou a pessoa mais engraçada do mundo. FUN FUN FUN.

Já convivi com muita gente que ostentava o título:

ENGRAÇADO DA VILA

e não vi muito disso não viu? Não gosto do humor às custas dos outros, para auto-afirmação de gente mal resolvida. Sim, , terapia sai caro, né? Mas reconheço que o humor varia de cultura para cultura e mesmo de meio para meio mesmo. E talvez de faixa etária para faixa etária - ou eu deveria dizer "idade mental"? (ui!) E muitas coisas perdem a graça com o tempo, enquanto outras parecem atemporais.

Poxa, tô achando que essa história de humor é um tanto quanto... relativa! Ou será que estou apenas me utilizando de um ardil para me convencer de que sou divertida? Não que isso fosse mudar a minha vida, mas enfim...

Pensei em Thor por esses dias e das vezes que o fiz gargalhar. Thor deve ter sido o cara mais sério que conheci até hoje e eu o fazia rir com frequencia. Mas acho que eram coisas muito nossas, muito parte do mundo paralelo em que vivemos por alguns anos. Ele me disse muitas coisas, mas nunca disse que eu era séria.

Okay, eu não nasci para o humor, para fazer as pessoas rolarem de rir. Charlie é desse jeito: você não passa cinco minutos ao lado dela sem rir um bocado. Seu humor é delicioso

Mas eu não sou séria como dizem por aí. Também não preciso ostentar um (sor)riso 24 horas, preciso?  Só Barbies e aeromoças fazem isso.

Seja como for, me contento em levar a vida com leveza e com o bom humor. Acho que assim a gente nunca envelhece nem endurece o coração. Uma coisa meio Becel, sabe? "Faz bem pro coração".

(Vale lembrar ainda que existem vários tipos de humor e todos eles têm bons representantes - não sou muito fã de "besteirol", mas Monty Python é uma das melhores coisas humorísticas que eu já vi)

Ouvindo uma bela versão do clássico Will you still love me tomorrow? (Lykke Li)

14 de set de 2011

Ciranda cirandinha

A: - Cansei de brincar.

B: - Quer brincar de outra coisa?

A: -Talvez mais tarde. 

Silêncio.

A: - Só sei que não quero mais brincar de roda e, principalmente, cantar Ciranda Cirandinha.

13 de set de 2011

Meu reino por um indicador

A: - Me dá férias?

B: - Tá aí um poder que eu não tenho... ainda.

A: - Vou cobrar no futuro.

B: - Me dá um dedo? Eu trocaria o dedo pelas férias.

A: - Depende. Qual dedo?

B: - O indicador direito.

A: - Ah, não vai dar: ele é fundamental pra tocar guitarra...

Ouvindo All the young dudes (David Bowie)



12 de set de 2011

Diariamente

Para a sedução, Capitu mode on;
Para a os momentos de criação, David Bowie mode on;
Para a metafísica, Clarice mode on.
Para fingir a dor, Fernando mode on.
Para o tapa na cara, Milan Kundera mode on;
Para a dança, Carlinhos de Jesus mode on;
Para o sonho, Bandeirantes IV mode on;
Para o riso, Leon mode on;
Para refletir, Ignácio mode on;
Para a maldade, Raquel mode on;
Para as lágrimas, Brilho eterno mode on;
Para a beleza, Avon mode on;
Para a leveza, você mode on;
Para o adeus, Summer mode on;
Para a vida, Titãs mode on.

Ouvindo:


11 de set de 2011

Você não vai nem tentar?

Ele me perguntou:

- Mas você não vai correr atrás do que quer?

*alto grau de irritabilidade no ar*

Ele me olhou como se eu tivesse desistido sem tentar, quando, na verdade, decidi me poupar de coisas sem futuro.  Cada um conhece o seu limite e sabe até onde pode ir (e percebo que um dos grandes problemas das pessoas é justamente não conhecer a si mesmo e seus sentimentos).

Fui até onde deu, até a beirada do abismo. De lá, voltei pra casa, porque eu não tenho perfil de quem pula - nem de quem faz os outros pularem (glup!). Brincadeiras a parte, eu acho feio isso de apontar o dedo na cara dos outros e falar o que o outro deve ou não fazer. Okay, ele não fez isso, porque ele é sensacional, mas muito me surpreende que não entenda que cada um tem o seu modo de agir e descobri que esse é o melhor modo pra mim.

Tentei, tentei, tentei. Não deu? Toco o barco! Ou deveria atrasar a minha existência efêmera com algo que não vai render nem folha, quanto mais fruto? Persistência e perseverança são coisas belas e admiráveis, agora teimosia e comportamento a la cabeça dura, ah... Penso em como sou jovem e nas milhares de coisas ainda por fazer. Aí eu paro e separo o joio do trigo: o que não vale a minha insônia do que vale o meu cansaço.

10 de set de 2011

Wecolme to Las Vegas!

A: - Quer dizer então que você quer jogar?

B: - Sim.

A: - E vai ser o quê? Buraco?

B: - Não.

A: - 21?

B: - Não.

A: - Truco? Pôquer?

B: - Não. Não sei jogar nada disso. E também não quero aprender.

A: - Então que raios você vai jogar?

B: - Aquele jogo.

A: - Ah! Aquele? Tem certeza? Logo você?

B: - É, eu sim.

A: - Vai usar as mesmas regras de sempre?

B: - Que nada: meu jogo, minhas regras- ou a falta delas.

9 de set de 2011

Zeca contra as ilusões

Zeca olhou pesaroso - pólvora:

- Me iludi com você: achei que fosse uma ilusão.

- Por isso você fez o que fez? - ela, à queima roupa.

- Pelo menos agora sei que você era real.

- Mas eu tô sangrando - ela põe um lenço sujo sobre o buraco de bala no peito.

- Sim, sinto muito, mas agora tenho certeza que você não era uma ilusão: seu sangue é de verdade.

Ouvindo Every you every me (Placebo)

8 de set de 2011

Não olhe pra baixo!




Se houvesse um teste sobre "quem você seria no circo?", meu resultado daria, sem dúvida, a equilibrista.



Ouvindo The Last Song (Camera Obscura)

7 de set de 2011

Sonhar pra quê?

A: - Você acredita em significado de sonhos?

B: - Acredito que eles sempre significam alguma coisa, mas nem sempre o que parece.

Pausa breve.

B: - Por quê?

A: - Tive aquele sonho de novo. Será que é premonitório?

B: - Talvez seja o seu subconsciente dizendo o que espera que aconteça.

A: - Hum. Acho que é só o meu consciente enrustido mesmo.

6 de set de 2011

Diário: Indicadores, indicadores onde estão? Sei não!

"Experimenta ficar sem usar o indicador direito quando você é destro" foi a frase que coloquei no facebook hoje. E eu que andava prevendo uma bela queda de escada, mal imaginava que o drama viria literalmente pela porta: foi com gosto que minha mão esquerda traidora empurrou a porta de ferro:
SLAM

fez a porta, enquanto meu indicador direito gritava de dor. Sua voz ecoou pelo corredor, embora eu tivesse ficado calada, pensando que entraria em cena nos próximos cinco minutos.

Okay, respira. Foco. Vou bater o ponto. Que ponto que nada! Olha para o seu dedo, ele está azul! E o que fazer quando seu dedo não passa de uma salsicha azul? Bom, dá para dirigir e escrever, mas não dá pra digitar direito. Dói.

Embora o descuido tenha sido da mão esquerda - o que faz com que eu a declare devidamente "sinistra" - e do meu mau hábito de bater portas pesadas, a punição veio para o pobre dedo indefeso: gelo e giz.

Seja como for, agora estamos todos de castigo.

P.S. Pela terceira vez na vida, vi estrelas. Queria um modo mais agradável de vê-las puxa!

Capitu mode on

Ela sorriu enigmaticamente:

- Já percebi como alguns homens me olham - ela disse.

- E o que você pretende fazer a respeito? - lhe perguntaram.

- Absolutamente nada.

5 de set de 2011

Procura-se pedrinhas para caleidoscópio

Alguns filmes são providenciais. Quando assisti 500 days of Summer (2005) foi providencial e me fez encarar as coisas com mais leveza, além de me fazer entender uma série de questões - ou ao menos aceitá-las. Livros e filmes sempre me salvam, justamente porque normalmente me fazem refletir, matutar, analisar. Ou simplesmente respirar.

A adorável M.T. Bianco sempre fala daquilo o que é óbvio e a gente nem se dá conta. E é verdade. Grande parte dos meus filmes de cabeceira me trouxe coisas novas, sendo que muitas são óbvias - o que não faz com que eles sejam menos legítimos. Não há problema em ser óbvio, desde que seja significativo (tal regra não se aplica aos filmes se suspense, naturalmente)

O fato é que às vezes eu preciso de alguém ou alguma coisa para me lembrar do óbvio, para me lembrar daquilo o que eu já sei, mas insisto em esconder no fundo de uma gaveta esquecida. Não, não adianta encher o mural, a casa, a vida de post-its: acho que é preciso esquecer mesmo às vezes, deixar certas coisas adormecerem, para que sejam acordadas depois que acordamos - ou que tenhamos entrado em acordo com os outros, com a vida ou com nós mesmos.

Gosto dos filmes que falem sobre a vida e sobre pessoas, em suma. E que me fazem refletir sobre ambos - e sobre a minha vida. É como ver a vida por um caleidoscópio. Acho que uma das coisas que busco sempre  são outros pontos de vista, outras pedrinhas para caleidoscópio - além é claro das respostas das grandes questões existenciais, o que faz com que a breve conversa sobre Foucault e Wittgeinstein tenha feito meu sábado.


Quando vi o trailer de O Homem do Futuro (2011) estava acompanhada e me disseram:

- Cheio de clichês.

Sim, não nego, mas alguns clichês são tão asssutadoramente verdadeiros que me deixam sem saber o que dizer. São os clichês das coisas óbvias, sobre como a vida funciona, por exemplo. Clichê de beijo no happy ending e o próprio happy ending são totalmente dispensáveis. Quero algo com um pouco mais de substância, ainda que óbvio e que seja um clichê. E foi isso o que encontrei na mais novo longa-metragem de fição-cientítica brasileira.

Entre outras coisas, O Homem do Futuro é sobre como não sabemos lidar com questões "simples" da vida, sobre a ação do tempo e também sobre o que acontece quando não resolvemos certas coisas intimimamente. O tempo só cura se assim permitirmos.

Talvez no fundo seja só uma historinha bobinha de amor, mas eu consegui ver um pouco mais,:nossa capacidade de enxergar as coisas sob novas perspectivas quando imersos em novas realidades e como podemos tirar aprendizado de toda as as coisas não lá muito legais que nos acontecem.

Wagner Moura, meu muso, mostra sua versatilidade a a trilha sonora é ótima. Saí realmente pensativa de lá, se bem que fico achando às vezes que tudo me faz refletir, matutar, analisar. Me sinto imersa na vida como num grande laboratório: observando e experimentando as possibilidades. Ah! Seja como for, o filme rende boas risadas. Fica a dica.



Ouvindo Tempo Perdido (Legião Urbana)


P.S. Falando em novas perspectivas, me apaixonei por Wittgeinstein (eu e meus alemães). Caso alguém também se interesse por um engenheiro/ filósofo maluco que escreveu sobre linguagem e comunicação vale dar uma conferida!

4 de set de 2011

Caminhos do desejo

Mãos dadas:

Ela - É por ali?
Ele - Não, é em frente.
Ela - Mas não disseram que é por ali?
Ele - E quem são eles pra dizer por onde devemos andar?
Ela - Tudo bem, mas então por onde?
Ele - Acho que temos que virar à esquerda.
Ela - Hum, acho não: acho que é à direita.

Mãos separadas:

Ele - Como a gente faz se cada um quer ir pra um lado?
Ela - Vem comigo!
Ele - Mas é o caminho errado! Vem comigo você!
Ela - Mas não é o caminho certo.

Mãos saudosas:

Ela - E se a gente voltasse pelo caminho pelo qual viemos e encontrássemos outra opção, outra possibilidade?
Ele - Quem sabe dê certo, mas eu só lembro de parte do caminho...
Ela - Não tem problema: eu lembro da outra parte.

Mãos dadas.

Ouvindo Lobotomia (A banda mais bonita da cidade)

3 de set de 2011

2 de set de 2011

Bobagens sobre a lua e suas extensões existenciais



O gostar que mingua machuca,
Mas toda lua que mingua cresce também:
Nasce de novo e vira nova
Só para depois cheia ser.

1 de set de 2011

Clara e o Romântico

Quando ele conheceu Clara, ela estava entubada, presa à uma cama de hospital: foi amor à primeira vista. Magra, pálida, doente. E frágil, extremamente frágil - o que fazia dela uma criatura extremamente encantadora. Para ele.

Dia após dia, ele vinha visitá-la e contemplar aquela moça bela cuja vida ia minguando, como a de uma tuberculosa em seus últimos dias. Virgem intocável. Ele vinha ler poemas românticos todos os dias para ela, que permanecia a maior parte do tempo inconsciente.

Entretanto, aos poucos Clara foi se recuperando, o rosto ganhando cor, as mãos, movimento, os olhos, toque. E quanto mais ela melhorava, mais ele se sentia arrasado, ao constatar que sua Musa Romântica deixava de ser Romântica.

Os amigos de Clara, que vinham visitá-la com frequencia, estranhavam o rapaz que parecia mais e mais triste conforme ela vinha melhorando. Clara percebeu isso também quando acordou e se assustou com aquela figura introspectiva que parecia rondar as camas da enfermaria sem destino acertado - teria ele qualquer destino acertado?

Sua força, sua cor, suas mãos não tardaram a voltar. E, tão logo isso aconteceu, ela saiu Realista do hospital na garupa da moto de Lô, pensando que não nascera para musa de Romântico - ou para qualquer outro tipo de Musa.

Ele, por sua vez, pôde sofrer, gostosamente, o seu amor não-correspondido tão Romântico.