5 de set de 2011

Procura-se pedrinhas para caleidoscópio

Alguns filmes são providenciais. Quando assisti 500 days of Summer (2005) foi providencial e me fez encarar as coisas com mais leveza, além de me fazer entender uma série de questões - ou ao menos aceitá-las. Livros e filmes sempre me salvam, justamente porque normalmente me fazem refletir, matutar, analisar. Ou simplesmente respirar.

A adorável M.T. Bianco sempre fala daquilo o que é óbvio e a gente nem se dá conta. E é verdade. Grande parte dos meus filmes de cabeceira me trouxe coisas novas, sendo que muitas são óbvias - o que não faz com que eles sejam menos legítimos. Não há problema em ser óbvio, desde que seja significativo (tal regra não se aplica aos filmes se suspense, naturalmente)

O fato é que às vezes eu preciso de alguém ou alguma coisa para me lembrar do óbvio, para me lembrar daquilo o que eu já sei, mas insisto em esconder no fundo de uma gaveta esquecida. Não, não adianta encher o mural, a casa, a vida de post-its: acho que é preciso esquecer mesmo às vezes, deixar certas coisas adormecerem, para que sejam acordadas depois que acordamos - ou que tenhamos entrado em acordo com os outros, com a vida ou com nós mesmos.

Gosto dos filmes que falem sobre a vida e sobre pessoas, em suma. E que me fazem refletir sobre ambos - e sobre a minha vida. É como ver a vida por um caleidoscópio. Acho que uma das coisas que busco sempre  são outros pontos de vista, outras pedrinhas para caleidoscópio - além é claro das respostas das grandes questões existenciais, o que faz com que a breve conversa sobre Foucault e Wittgeinstein tenha feito meu sábado.


Quando vi o trailer de O Homem do Futuro (2011) estava acompanhada e me disseram:

- Cheio de clichês.

Sim, não nego, mas alguns clichês são tão asssutadoramente verdadeiros que me deixam sem saber o que dizer. São os clichês das coisas óbvias, sobre como a vida funciona, por exemplo. Clichê de beijo no happy ending e o próprio happy ending são totalmente dispensáveis. Quero algo com um pouco mais de substância, ainda que óbvio e que seja um clichê. E foi isso o que encontrei na mais novo longa-metragem de fição-cientítica brasileira.

Entre outras coisas, O Homem do Futuro é sobre como não sabemos lidar com questões "simples" da vida, sobre a ação do tempo e também sobre o que acontece quando não resolvemos certas coisas intimimamente. O tempo só cura se assim permitirmos.

Talvez no fundo seja só uma historinha bobinha de amor, mas eu consegui ver um pouco mais,:nossa capacidade de enxergar as coisas sob novas perspectivas quando imersos em novas realidades e como podemos tirar aprendizado de toda as as coisas não lá muito legais que nos acontecem.

Wagner Moura, meu muso, mostra sua versatilidade a a trilha sonora é ótima. Saí realmente pensativa de lá, se bem que fico achando às vezes que tudo me faz refletir, matutar, analisar. Me sinto imersa na vida como num grande laboratório: observando e experimentando as possibilidades. Ah! Seja como for, o filme rende boas risadas. Fica a dica.



Ouvindo Tempo Perdido (Legião Urbana)


P.S. Falando em novas perspectivas, me apaixonei por Wittgeinstein (eu e meus alemães). Caso alguém também se interesse por um engenheiro/ filósofo maluco que escreveu sobre linguagem e comunicação vale dar uma conferida!

Um comentário:

Vinícius Cássio disse...

Vou tentar assistir O Homem do Futuro nesta semana! ^^

PS.: Wittgenstein é do balacobaco. Ininteligível. rs