27 de set de 2011

Fada madrinha que nada!

 - Não, meu bem. Não tem ninguém precisando de Fada Madrinha por aqui. Você ligou para o número errado.

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Não, eu não preciso de Fada Madrinha.

Por esses dias, a ficha caiu. De fato, eu faço mágica! Não, meus poderes de X-Men não estão ainda totalmente desenvolvidos - não consigo ainda derreter o celular dos alunos inconvenientes com o poder da minha mente -, mas já sei ler olhares com bastante clareza. E intenções também. E as que não sei ler - analfabeta funcional? - faço pouco caso: uma hora aprendo. Por ora, não me importo.

Eu disse que faria um feitiço para o calor voltar - e não é que deu certo? As duas blusas de lã que se fundiram a minha pele que o digam. Nem precisei chantagear São Pedro com informações altamente sigilosas. Sim, eu sou esse tipo de pessoa - quem me conhece bem o sabe.

- Você não está com calor? - perguntou o professor de canto.

- Nada!

O calor era para os fracos. O frio também. Ei! O que mais era para os fracos? Sei lá. Fracas só as minhas costas... Massagem? Pois não. Devia ligar para a tal Fada Madrinha e pedir alguma bugiganga da Polishop. A Polishop sem dúvida tem alguma coisa para as costas, não?

Não sei ainda fazer mágica da massagem. Pergunto a vocês: Como?

Mas aprendi bem a arte de fazer das tripas coração. Interessados? Pergunte-me como. Inscrições aqui. Requer habilidade, mas, mais importante: é preciso ter um coração. E tripas, naturalmente. A mágica de endurecer sem perder a ternura. A bala cujo sabor doce não peca pelo excesso de suavidade nem pelo seu extremo oposto.

A mágica do afago mais suave, da palavra acolhedora, do sorriso que desarma. E de ser por outros desarmada.  A mágica de estar sempre presente nem  sempre estando de corpo presente.

A mágica de corrigir trezentas provas com uma cajadada só (sou contra a violência aos  coelhos) e não assustar com a língua inglesa os alunos que ficaram trinta anos fora da escola. A mágica de fazer as pessoas se sentirem importante quando de fato o são - e não sabem.

A mágica de fazer os alunos memorizarem o que é hiperbole pelo exemplo tosco:

- Fiquei esperando o Terminal Varginha por cinco séculos.

Faço a mágica da multiplicações dos sorrisos. Os peixes, eu passo a vez. Quem sou eu afinal de contas? Uma reles mortal com complexo de Fada Madrinha, mas sem aquele ar de Gênio da Lâmpada:

- Seu desejo é uma ordem.

Isso já era.

Meu sorriso é sincero quando digo:

- Tome, pode pegar: esse pedacinho da minha vida é seu.

Só me falta a cartola - ou a varinha de condão?  - meras formalidades.

O que sou, carrego comigo.

2 comentários:

Vinícius Cássio disse...

bonito! =)

Elaine disse...

Que fofo, ops, fofa você! ;)

Ótimo texto, acho (tenho certeza) que já conhecia alguns trechinhos lá do seu perfil do face rs, bom lê-los no todo!

Abraço.