8 de jan de 2014

"É como andar de bicicleta: a gente nunca esquece" - MENTIRA!


Todo mundo fala que a gente nunca esquece como andar de bicicleta depois que aprende. Okay.

Fazia mais de dez anos que eu não andava de bike e decidi andar pelo centro histórico de Sampa numa excursão. 

Nem preciso dizer a tragédia que foi, principalmente quando a bicicleta era grande demais para o meus humildes 1,62.

Saber andar de bicicleta eu sabia - mas naquelas. Tão mal que nem sei se a palavra "andar" caberia, acho-a muito forte, sabe? Nos primeiros quinze minutos, eu soube cair de bicicleta, mas... quem não sabe? Assim, não fiz nada de especial, então por que o incômodo?

Bom, alguém mentiu...

De repente, minha alegre infância da bicicleta branca e lilás sem rodinhas foi em vão! Porque eu tinha esquecido sim como andar de bicicleta.

Isso deve fazer uns dois anos. Ontem tive outra experiência parecida.

Resolvi voltar a nadar. E um dia me disseram que a gente nunca esquece como se nada.

Alguém mentiu de novo...

Cara... Eu não sei respirar. Mesmo. Dificílimo coordenar braçadas e respiração. Falta de coordenação geral e que pressa era aquela? Onde eu queria chegar? À borda, do outro lado da piscina? What for?

Com o tempo passando, fui melhorando, o professor dando dicas e tal. Eu nunca me afogaria, mas as coisas não eram como antes. E, mais uma vez, a ferrugem ataca:

- Nadar nadar mesmo? Eu tinha uns doze anos.

Pois é.

Então é isso: a gente aprende e esquece, sim! É a ferrugem, meus caros, nos sabotando. Mas quem esquece, pode se lembrar. Porque esquecer não é desprender, não é perder. É como quando você aprende uma língua e fica muito tempo sem usá-la: volta-se a ter contato com ela e as palavras vão voltando.

E foi assim que fui lembrando aos poucos, bem aos poucos mesmo (e no meio do trânsito da alameda Porto Geral), como se anda de bicicleta. E foi assim também que saí semi-satisfeita da piscina, depois de mais de dez anos sem a toca  e óculos de natação.

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