5 de jan de 2014

Ripley e Shaw: as sobreviventes de Ridley Scott

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As férias são o momento ideal de correr atrás do tempo perdido quando o assunto é cinema. Não, não estou falando necessariamente nos últimos lançamentos, mas sim dos clássicos que, por 'n' razões, nunca consegui ver.

Sim, eu vou à videolocadora. E simplesmente adoro. Não vejo o mesmo encanto em baixar filmes, embora, é claro, muita coisa eu não encontre na minha videolocadora e tenha que baixar, mas não é a mesma coisa - nem de longe.

E um dos filmes que estava na minha listinha de must-see era "Alien" (1979) de Ridley Scott.

Eu já tinha visto o seu "Blade Runner" (1982) e confesso que não gostei muito não - inclusive escrevi um post sobre isso na época. Não é que eu ache o filme ruim. Longe de mim! Já estou grandinha para saber separar "o que não gosto" de "é ruim" e reconheço a qualidade da obra e como ela (ainda) é um marco no cinema e na sci-fi. Maaaaaaaaaaaaaas... Não gosto - e não me perguntem o porquê.
Ripley
Assisti "Prometheus" (2012) no ano passado e achei bem interessante. Gostei muito da história e achei um começo legal para a série Alien.

* Contém spoilers!

Gosto muito do modo como os dois filmes - "Alien" e "Prometheus" trabalham a questão do silêncio. Tem filmes em que  música te sufoca e não deixa que você recorra aos outros sentidos envolvidos em assistir um filme, ou seja, a visão - normalmente é visão e audição, certo? Ou então a música é tanta que acaba atrapalhando e não deixa que você realmente deguste o filme.

Charlie, que estudou e manja dos paranauês de cinema, me disse que o silêncio é subestimado. Concordo e a acrescento que ele é subestimado também no mundo não-ficcional - mas isso é assunto para outro post.

Quero mesmo é falar sobre as duas heroínas e protagonistas.
Shaw

Ripley e Elizabeth Shaw são sobreviventes. São fortes. Eu poderia dizer que são mulheres fortes, mas as vejo antes como seres humanos fortes. Entretanto, uma coisa que me fez gostar muito dos filmes é justamente o fato de que são mulheres e dão conta do recado. 

Elas não têm poderes especiais, nem manjam de estratégias de guerras nem dispõem de super armas. Elas são de um "carne-e-osso ficcional". Dá pra entender?

A palavra é verossímil (se bem que a cena do "parto" de Shaw é meio assim, sabe?)

E algo que me atrai nas personagens: elas têm medo. E são duronas. E brigam. E lutam. O medo não as impede de lutar. É humano. E gosto disso.

Elas se adaptam e passam a desempenhar funções que não estavam no contrato, digamos assim. É interessante ver como as personagens são construidas. E aí me pergunto: será que esse lado "forte" de ambas já existia antes e só estava adormecido ou surgiu em decorrência do meio no qual estavam inseridas?

Shaw é ainda mais durona, se a gente pensar no lance com seu marido, no episódio da "gravidez" e tudo mais - o que não tira, de modo algum, o valor de Ripley que, mesmo diante da adversidade (que atendia pelo nome de "Alien"), fez questão de salvar o gato Jones.

Vale a pena ver tanto "Alien" quanto "Prometheus", não só por Ripley e Shaw, mas pelo enredo, pelo silêncio e pelo modo do Ridley Scott trabalha com a luz (indispensável na construção das tensão, assim como o som). Enfim, eu recomendo!


Um comentário:

renatocinema disse...

Como você não gostou de Blade Runner? Imperdoável para uma poeta.

Sobre os outros filmes: Amo Alien, tenho todos e odiei o outro.

Porém, gosto quando você cita a importância do silêncio na obra.

Mas, reveja Blade......é um filme que merece ser AMADO. KKK Ou dizer o motivo de não gostar. kkkk