31 de ago de 2011

Tamanho não é documento


Diário: QUÊ?

Na palestra sobre saúde no trabalho: 
Chuchu - Nossa! Perda auditiva é um risco para nós professores... 
Eu - Quê? 
Chuchu - Eu disse que perda auditiva é um risco para nós professores... 
Ana - Quê?
Chuchu - Perda auditiva é um risco para nós professores... 
Eu sorri para ele:
- É brincadeira.
 Ouvindo Lithium (Nirvana) 
 P.S. Post de número 1001 - ebaaaaaaaa!

30 de ago de 2011

Diário: Com quem posso contar?

Sobre contáveis e não-contáveis em inglês:
Eu - Quem aqui conta açúcar?
Aluno - Eu!
Eu - Mas você conta grãos de açúcar?
Aluno - É!
Eu - Então você devia arranjar alguma coisa pra fazer: está com muito tempo livre.

28 de ago de 2011

Diário: Coerência do Mercado





Gostei da coerência observada hoje na feira de antiguidade sdo MASP: os vendedores pareciam tão antigos quando as peças que vendiam.





Ouvindo Dois sorrisos (Móveis Coloniais de Acaju)

26 de ago de 2011

20 e poucos anos: E a vida era cheia de "good byes" incompreensíveis

Para Su

Lô estava com um copo de conhaque na mão: fazia tempo que eu não a via beber.

- Acho que desisti de entender... - ela me olhou pensativamente - Já não sei de boto fé nesse papo de amor.

- Ora, Lô. Não é porque não deu certo de novo que você não deve ter fé - ponderei.

- Já me falaram tanto sobre isso! Já ouvi tanto que me amavam de modo grandioso... "meu amor é tão grande"... já me fizeram tantas promessas (e me fizeram prometer em resposta)... já me chamaram de "minha mulher" e "amor da minha vida" tantas vezes... E todas acabaram da mesma forma: me deixaram sem que eu soubesse o porquê, como se eu não merecesse saber...

- Homem não gosta de discutir a relação. Fogem mesmo. Eu mesmo fujo, você sabe. Esse papo de "tudo se resolve com conversa" é balela. Mas o que você acha que aconteceu?

- Não consigo pensar em nada tão grave que eu tenha feito a ponto de ele me deixar. Mas acho que agora nunca vou saber...

- Será que não tem mulher no meio?

- Mas ele mal tinha tempo para mim...

- Uma antiga namorada, quem sabe?

- Ah, nem sei por onde especular. Também nem sei se quero. Agora parece que tanto faz: mais uma vez fico sem saber o que aconteceu. Me dói ver esse desrespeito, porque todas as vezes que terminei um relacionamento, foi olho no olho. Mas acho que homem não gosta disso... Acho que isso é imaturidade, não sei mesmo... Não quis me falar abertamente não para não me magoar, mas pra que eu não ficasse com raiva dele.

Não disse nada, não sabia bem o que dizer. Tinha medo de falar demais.

- E nem era amor, porque se fosse, não teria acabado assim. Acho triste quem não se conhece e não conhece o que sente. Exagera nas palavras. É sempre o outro que paga pela falta de autoconhecimento. Acho injusto.

- A vida é injusta - disse eu duramente.

- Talvez pela primeira vez eu veja esse tipo de situação com certa clareza... Sei que não faço mais planos com ninguém, não dá pra contar com ninguém. Fato. Ou como me disse Clara: "ninguém realmente se importa com você." Não levo mais esse papo de amor a sério.

- Você não está sendo um pouco dramática com "ninguém realmente se importa com você"?

- Não, porque é cada um cuidado dos seus interesses e tirando o seu da reta quando necessário. Eu dou a cara a tapa, doa o que doer, mas se o outro fica na dele e não me dá explicação alguma, com que respeito ele me vê? Como você acha que eu me sinto?

Eu não disse nada, não sabia o que dizer. Fiquei olhando para ela por um tempo. O ar desamparado bem podia ser um de seus ardis para que eu me compadecesse dela. Mas não era. Sabia que em breve ela estaria bem de novo, radiante de novo, feliz de novo. Era ela quem sempre me dizia:

"Pé na bunda é bom porque te empurra pra frente"

Mas por ora, bom, o preto do luto estava no preto de suas olheiras. Morte de amor matado é sempre uma coisa incômoda. Inconveniente. Acariciei-lhe os cabelos levemente e senti ainda o calor que seu corpo emanava. Sim, ela logo estaria bem de novo, já passara por coisas muito piores. Beijei-lhe a mão gelada:

- Sofra o que tiver que sofrer, mas não sofra muito. Por ninguém.

Ela me olhou no auge da sua meninice de mulher:

- Isso morre aqui.

E o seu desamparo era menor.

25 de ago de 2011

Sobre mulheres difíceis

O bom e velho Xaveco
Ela achava que ele já tinha sossegado, mas ontem lhe interpelou nos corredores:

- E aí, você não vai me passar seu e-mail?

Ela respondeu com um "não" firme e deu-lhe as costas. Ele sorriu e respondeu:

- Até o final do ano eu consigo!

Ela olhou para ele, fez um "joinha" e disse:

- Vai nessa.

E ela via o tom desafio que a obtenção de seu e-mail tinha assumido: para ele, ela se tornara um desafio. Mas a questão era justamente aquela: ela não estava se fazendo de difícil, ela simplesmente não queria nada com o tal sujeito.

Claro que há mulheres que adoram joguinhos, como muitos homens também. Mas há muitas e muitas mulheres cuja recusa não sinaliza "vai ter que tentar muito", e sim "não, obrigada" ou ainda "me deixa em paz, seu mala!" - num estágio mais de saco cheio.

Se por um lado há aqueles que não sabem dizer "não", há aqueles que não sabem ouvir "não".

24 de ago de 2011

Sobre metáforas teleféricas e 1 UP para mim!

Meu alter-ego olhando desconfiado para o checkpoint
Hoje eu me dei um tapa na cara [metafórico]:

SLAP

- Acorda, menina!

Às vezes parece que chegamos ao ponto final, mas é apenas o checkpoint, apenas uma parte do caminho percorrido. Por vezes acho que já encontrei o que procurava e meia volta percebo que me enganei. Bom, é sempre hora de entoar:

But I still haven't found what I'm looking for

Fico olhando os letreiros e tentando entender o que a vida me sinaliza. Nem sempre acerto, acho que mais erro do que acerto. Só sei que dirijo como homem. Pensei isso outro dia e não faço idéia do que isso signifique. Só pensei. Penso muito e muitas coisas.

A despeito do tapa [metafórico] não rolou auto-flagelação [verbal], mas também não sei o que rolou. Não sei o que está rolando e sendo digerido. Ainda tenho a imagem do prato mais vazio na minha frente. Tempo de vacas magras? Não exatamente. Mas há algumas coisas minguando de qualquer modo.

Antes que mergulhasse num redemoinho das velhas e boas impressões, especulações e confusões, tomei para mim as recomendações da fonoaudióloga, mas ando precisando desesperadamente de uma ilha de descanso. Não quis o papel da culpada nem da vítima. Quero algo diferente dessa vez. Qual papel então? Acho que não escolhi ainda. Quer dizer, já sei dizer quais são os que eu não quero... Talvez seja por aí que eu deva começar...

O que tenho de mais definido é a sensação que tive no teleférico no domingo: a ausência de medo e o sentimento de "o que será que a vida me reserva agora?". A vida é feita de altos e baixos, disso eu já sabia. Só nunca tinha parado para pensar que se não houvesse baixos, não haveria altos. É o lance do teleférico...

Ouvindo O Tempo (Móveis Coloniais de Acaju)

23 de ago de 2011

Sometimes always

Às vezes você precisa de pessoas mais velhas, pois elas te mostram que o seu sofrimento não é tudo aquilo que você pensava: elas não te deixam exagerar;
Às vezes você precisa daquela amiga mais chegada que pode até tomar as suas dores, mas nem por isso é parcial nem alimenta a sua raiva;
Às vezes você precisa daquela amiga mais madura que te compreende e oferece outra perspectiva;
Às vezes você precisa de um irmão para te dar um abraço, um afago, um sorriso;
Às vezes você precisa de uma criança pequena, capaz de dizer que você está linda, mesmo estando arrasada;
Às vezes você precisa de um homem que te diga que agiram errado e que você merece um pouco mais;
Às vezes você precisa respirar fundo e lembrar de todos aqueles que te inspiram nas diferentes esferas da vida;
Às vezes você precisa de um choque para perceber o que e quem realmente importa.
E saber que ocupa um lugar importante no mundo e é plenamente capaz de fazer as coisas darem certo.

P.S. sinto que este post ficou levemente sentimental, mas, sinceramente, não me importo.

22 de ago de 2011

20 e poucos anos: Ansiedade

Cheguei doido da vida em casa. Lô já achou que era com ela: mania de perseguição, paranóia não assumida:

- Fiz alguma coisa, Raul? - ela me olhou preocupada.

- Não, tô maluco de raiva, só isso!

- O que aconteceu?

- Lembra que eu sempre brinco que você é um posso de ansiedade?

- Sim, você sempre diz isso.

Pausa.

- E, pensando bem, você tem toda a razão - ela continuou.

- Bom, hoje eu descobri que sou tão ou até mais ansioso do que você. A diferença é que você transborda e eu reprimo. De repente, eu quis ser como você.

21 de ago de 2011

Hoje aprendi que somos todos descartáveis.

Sobre aqueles que ajudam

A: - Falhei.
B: - Sim, você falhou. Deixa eu te ajudar.
A: - Não precisa.
B: - Precisa sim. Você não vai conseguir. Precisa de ajuda.
A: - Não, eu tô bem.
B: - Mas você errou.
A: - É eu errei. Na próxima eu acerto.
B: - Mas eu entendo mais e melhor. Sei do que estou falando. E você não é capaz.

20 de ago de 2011

20 e poucos anos: O meu, o seu, o nosso

E Lô voltava à mesma conversa que me parecia insurportável:

- Até quando você vai ficar sem falar com o seu pai? - ela me perguntou muito séria.

- Não sei, quase perdi a cabeça. Ele não tinha o direito de ter feito o que fez...

- Mas ele é humano não? - ela tentou explicar.

- E desde quando o fato de sermos humanos justifica os nossos erros?

- Não tô falando que justifica, Raul, só tô te pedindo pra tentar enteder o lado dele...

- E o meu lado, como fica? Como você acha que eu tô me sentindo?

- Você está sofrendo: tá na sua cara e nas olheiras que anda exibindo por aí.

- Exato, tô péssimo.

- E você já parou para pensar que ele tá sofrendo tanto quanto você?

Ouvindo Perdidos no espaço (Legião Urbana)

Os obedientes

Ela me perguntou o que eu queria fazer. Respondi-lhe e, após uma pausa, completei no meio do grupo:

- Não comecei ainda porque me falta tempo. Mas acho que me falta coragem também.

Ela sorriu maternalmente.

- Vou te dar uma ordem: comece o quanto antes.

Aquilo estava na minha cabeça desde sábado. Sim, o começo é sempre o mais difícil. E hoje decidi começar e comecei. Fazia tempo que não via uma ordem que valia a pena ser obedecida.


19 de ago de 2011

Pedagogia da rejeição ou à mercê

Ele se encantou com a professorinha. Pediu telefone, msn, facebook, orkut, e-mail. Ela polidamente respondeu que o contato com os alunos ficava restrito à sala de aula e, embora ele tivesse ficado um tanto zangado, pareceu se conformar.

Mas no dia seguinte tudo se repetiu. E ela descobriu que ele era dono de uma boca de fumo daquela região da periferia. E por muitos dias aquele ritual se repetiu e o medo, latente, era alimentado pelos olhares do rapaz. Um dia ele a esperou perto do carro dela, era bem tarde e felizmente ela estava acompanhada. Se não eu realmente não sei...

No dia seguinte, ela ficou sabendo que ele tinha sido preso duas vezes por assassinar mulheres que o haviam rejeitado.

18 de ago de 2011

Quinzinho e sua avó

Ele sorriu quando Garfield, secretamente adotado por Dona Cici, cruzou seu caminho com um andar arrastado. Cansaço? A avó tinha ido procurar os antigos albums de família: queria mostrar como Quinzinho não tinha mudado nada. Ah! Nada mesmo? ele passava a mão na barba delicada e sorria. Passou a mão pelos cabelos escassos, como que para ter certeza de que estava ali e de que aquilo estava acontecendo. Os cabelos fugiam aos feixes pela suas mãos agora fracas e magras. Mas não eram apenas os cabelos que escoavam por elas. Antes fossem só os cabelos.

- Olha você aqui, que coisa mais linda! - disse Dona Cici, voltando com um album velho, amorfo e cheirando a mofo.

Sim, Quinzinho tinha sido uma criança adorável. E realmente mudara pouco: os olhos amorosos eram os mesmos e mesmo diante das dificuldades, o sorriso tranquilo de quem já não está no controle permanecia em seus lábos semi-cerrados.

- Bom - ela olhou para ele, mais de perto - Você tá muito magro, meu filho. Parece ter mais ossos do que eu. Meus bichos empalhados têm mais vida do que você! - um gole de conhaque.

- É assim mesmo - ele pegou sua mão com carinho.

Dona Cici sentou-se na grande poltrona empoeirada - fazia duas semanas que faxineira não vinha e a velha senhora já não conseguia fazer o trabalho doméstico - e suspirou:

- Tem alguma coisa que eu posso fazer por você, meu querido? Tem bolo! Quer mais conhaque?

- Não, obrigado, vó. Estou bem.

- Está bem uma ova - ela olhou muito séria e lúcida - Bem estou eu que até mergulho consegui fazer antes que minhas pernas piorassem de vez. Eu não gosto da juventude, dos jovens. Acho que é tudo uma perda de tempo, quer dizer, você aprende na juventude e aproveita quando é mais velho. O problema é quando o corpo não acompanha. Mas você, meu menino... Você é um tesouro.

Quinzinho sempre fora seu predileto.

- Obrigado, vovó. Mas acho que tudo é importante, inclusive a juventude. Mesmo porque nem sou tão jovem...

- Para mim é sim e sempre será.

Ela olhou pela janela, mas ele não soube o que Dona Cici olhava.

- Leva os discos do Johnny Mathis: ele sempre me anima. Quer levar a Floquinho?

Quinzinho olhou para ariranha empalhada.

- Não, acho melhor ela ficar com você.

- Mesmo, meu querido? Ah! Quando alguém me fala groselha, eu imagino que ela é a Floquinho e aí fico bem. Depois de velha, me recuso a ouvir besteira. Uma pena eu ainda ouvir tão bem - ela riu gostosamente.

Quinzinho sorriu. E, por um momento, a vida pareceu leve novamente.

Ouvindo Tempo de pipa (Cícero)

17 de ago de 2011

20 e poucos anos: Hoje não

Entrei no chuveiro sem pestanejar, esperando em vão que a água fervente  lavasse tudo aquilo que escurecia minha aura.

- Aura? - perguntaria Raul, risonho.

Não, ele não acreditava naquelas coisas, mas acreditava que rir (de mim) era o melhor remédio. Não ia dizer nada, aliás, não queria ver Raul nem ninguém. Queria mergulhar no travesseiro felpudo que me fazia espirrar loucamente e esquecer de todo o resto - inclusive de Raul. 

Mas ele logo chegaria e reclamaria pelo fato de eu ter deixado seu banheiro em petição de pântano. Só que não quis saber de Raul, só quis saber do meu banho naquele momento, deixar a água cair pelos ombros sempre tensos, pelos cabelos (mais curtos do que nunca), pelos braços e pernas longas. Sentir a água escorrendo pelo próprio corpo podia ser uma interessante experiência de auto-descoberta:

- Sim, eu sinto.

(Logo existo?)

Mas o que se fazer com que sentia? Barulho de chaves, é Raul na certa. Ouço meu nome arrastado. Finjo que não escuto e três minutos estou em sua cozinha, enrolada numa toalha e descascando uma maçã com ar displicente. Mas ele me conhece:

- Que voz era aquela no telefone?

- Nada, ué. Voz normal.

- Você estava monossilábica: sempre que fica assim é sinal de crise. O que aconteceu?

- Nada.

- De novo. Deixa de ser chata e desembuxa, Lola!

- Ou o quê?

Cruzei os braços e ele me olhou com um ar horrivelmente paternal. Poderia ter dado-lhe uma bofetada e ainda culpar os hormônios. Homens culpam os hormônios. Mas foi a pinta no nariz, a querida pinta no nariz que impediu que eu fizesse ou dissesse qualquer coisa. Eu o amava acima de qualquer coisa - e ele sabia.

- Olha, eu não tô bem, mas não quero falar sobre o assunto.

Sorri e entreguei-lhe a maçã descascada (Raul adora maçãs!). Ele me olhou perplexo:

- Acho que é a primeira vez que ouço que você não quer falar sobre um problema. Não quer mesmo conversar? Foi o namorado? O emprego? O chefe? Aquele babaca de novo? Você sabe que eu conheço gente no Jardim Nakamura...

Ri de Raul, de sua vontade maluca de me ajudar, ainda que por meios escusos.

- Não importa, mesmo. Hoje não quero conversar. Hoje não.

Ele me olhou com piedade e levantei a voz, como que para me defender:

- Vou sair para resolver umas coisas. Posso levar suas chaves? Meu apartamento tá sem luz:, cortaram. Esqueci de pagar a conta. 

- Pode, caro. A casa é sua, você sabe. 
- Eu diria o mesmo se meu lar doce lar estivesse em melhores condições. Bom, vou me arrumar. Já volto.

Voltei, já vestida e pintada. Palhaça? Talvez todas as cores e batons pudessem esconder o que vinha de dentro e de derramava por fora, mas não esconder de crianças:

- 'Cê tava chorando, tia? - o filho de Raul ao me olhar de relance.

Apareci na sala para me despedir de Raul - olhar fixo no televisor. Noticiário? Vício. Ele me beijou a mão e beijei-lhe a testa. Ele mandou que eu ficasse bem e simplesmente sorri. Ele não tinha mais nada a dizer. Nem eu. Exceto por, já junto a porta:

- Sabe o que eu mais queria agora?

- O quê?

- Saber escrever bem para poder expurgar tudo o que sinto. Tudo.

16 de ago de 2011

Primeiras impressões

Cheguei a comentar com alguém sobre sua pessoa. Tinha um ar levemente teatral. Falamos sobre sua filha e  diferentemente do que eu esperava, ele admitiu que o que ela tinha de graciosa, tinha de prequiçosa.

Não sei se era a estranha combinação de roupas ou sua voz profunda e ecoante ou os belos cabelos bagunçados e vastos. Tinha um ar de maestro e eu podia facilmente imaginá-lo erguendo a mão com vigor e regendo majestosa e apaixonadamente uma orquestra sinfônica.

Ficara bastante curiosa acerca de sua profissão e hoje, ao nos esbarrarmos, descobri que ele é músico.

P.S.: confesso que ele daria uma boa personagem de livro.
P.S. 2: fiquei feliz por ter podido confiar na minha primeira impressão.

O "Eleanor Rigby" dos sete mares





Quem é o braço direito do polvo?

15 de ago de 2011

Em busca do tempo e das demais coisas perdidas

Hoje a comida não teve gosto. Prato vazio. Os sapatos na vitrine não tiveram graça. O sol passou despercebido. O sorriso foi fingido, mas não porque dissera a um amigo que costumo brilhar às segundas. Era outra coisa. O tempo não passou. E as lágrimas se esconderam do olhar público e meu passo fez com que nem dessem as caras - mas nos momentos de solidão era impossível ser diferente. Mal-estar de cabeça, coração e estômago. Nem todos os filmes, livros e pinturas me distrairiam do que me perturbava intima e intensamente. Mas o dia ainda havia de continuar. Era cedo ainda, olhei no relógio. Mas para as demais coisas, talvez fosse tarde. Para medir esse tempo não havia relógio de pulso, parede, água ou sol.

Hoje que acordei com a mente tão límpida e a ideia tão clara sobre o que fazer. Sim, mesmo assim. O dia não tinha acabado ainda, mas talvez as demais coisas sim. Fosse como fosse, a vida havia de continuar.

Auto-promoção vampira

 

Eu não sou fã de historietas de vampiros - não das atuais, pelo menos -, mas realmente gostei desse livro. O fato de eu ter gostado é um dos motivos por estar aqui divulgado. Mas estou, na verdade, me auto-divulgando, pois a tradução livro (do inglês para o português) é minha! 

Vale a pena dar uma conferida!



14 de ago de 2011

Simplesmente não

            - Estou indo – suspiro.
            - Já vai? – surpresa.
            - Já devia ter ido antes – confissão.
            - Não fale assim – repreensão.
            - Não devia ter vindo – reconhecimento.
            - Não devia dizer isso - censura.
            - Não me diga o que dizer ou fazer – despedida.
            - Não vá embora – súplica.

E a vida era uma sucessão de negações.

13 de ago de 2011

Mario, seu feio!


Toda vez que uma mulher é preterida por conta de um jogo de videogame, penso em duas possibilidades (haverá uma terceira?):

(a) ela é tão desinteressante que não merece a atenção de quem a acompanha;

(b) ele, no fundo, não se importa tanto assim com ela.

Seja qual for a possibilidade, a situação é problemática.

Dos ditadores doces


Difícil é dosar na dureza e na doçura - rapadura? Ser firme sem levantar a voz. Ser suave sem perder a autoridade. Ser afetivo sem dar muita liberdade. Lidar com pessoas é uma das coisas mais desafiadoras que existe - e também uma das mais deliciosas. Mas há momentos em que o silêncio é tudo o que precisamos.

11 de ago de 2011

Da preferência feminina: o bom moço ou o rebelde?

Já conheci bons moços que revelaram não ser exatamente "bons" e outros rapazes que sustentavam o discurso do cafajeste, mas também não o eram. Seja como for, o fato é que na hora de colocar nos termos do mundo dos quadrinhos, temos aquele conflito já velho: 

Ciclope vs. Wolverine

Conflito esse que se revela, na verdade, uma coisinha muito chata.

Faz alguns anos que um amigo meu, fã de quadrinhos, trouxe a seguinte "verdade" à tona:
"O Ciclope é um chato e um frouxo, tem que se dar mal mesmo. Já o Wolverine é o cara, tanto que a Jean Grey trocou o molengão por ele".

Não foram exatamente essas as palavras deles, mas eis a essência. Bom, no triâgulo amoroso acima citado eu não sei o que é pior: Scott, Wolverine ou Jean. O Scott é meio bobão mesmo e um tolo por  ficar com a Jean. A Jean está na categoria sonsa sem graça, podendo mesmo ser comparada a quase imbatível Lana Lane. E o Wolverine é o famigerado bad boy pelo qual todas as garotas do mundo suspiram. É mesmo? 

Porque foi isso o que eu ouvi mais de uma vez: as mulheres preferem os cafajestes, ainda que digam o contrário. Ouvi isso mais de uma vez e mais de uma vez me irritei com a generalização. Se tem uma coisa que aprendi é que, nessa vida, tem gosto para tudo. Assim, fica bem coerente o ardente (?) X-triângulo amoroso. E é coerente mulheres que gostam de bons moços e cafajestes, porque é simplesmente uma questão de preferência, do que se espera do outro. No melhor estilo esterótipo mesmo, né, porque é isso o que vende.

Já da minha parte, bem, prefiro lidar com pessoas de verdade ou personagens esféricas. Qualquer um que não se agarre a um esterótipo como o homem ao mar se agarra a corda dentro da tempestade.

10 de ago de 2011

As duas faces do umbigo

"Deus deu a vida para cada um cuidar da sua", li certa na vez numa daquelas placas de caminhão - sem preconceitos literários, hein?

Tal frase inspirada é de total e abosluta verdade: nossas vidas seriam mais produtivas, menos problemáticas e mais leves se não ficássemos de olho na grama (mais verde?) do vizinho. Ou seja, se cada um cuidasse do seu umbigo, a vida seria melhor.

Será mesmo?

Pergunto isso porque, se por um lado, há pessoas que cuidam demais da vida alheia, por outro, há aquelas que cuidam da própria vida e dos próprios interesses, sem se importar com os demais e entonam o discurso dolorido aos meus ouvidos:

- Ah, mas isso não é problema meu....

Ouço muito isso, principalmente quando as pessoas não querem assumir novos papéis sociais que surgem - independente da nossa vontade.

E fico sem saber o que é mais delicado: o que "cuida" dos umbigos alheios ou o que só tem ciência do seu próprio.

9 de ago de 2011

Como [não] ser paciente.

Ele pediu um instante e me olhou, perplexo:

- Como você consegue ser tão paciente?

- Deus me fez assim.

Pausa dramática.

- O que não significa que eu seja trouxa.


8 de ago de 2011

Mediando conflitos ou Das idéias roubadas

As crianças faziam cartazes em grupos. Ele foi se chegando, num misto de revolta, inconformismo e manha:

- Ô tiiiiiia, a Carol roubou a minha idéia!

Olhei para ele e, como se contasse um segredo, confessei:

- Mas se ela fez isso, quer dizer que era uma idéia muito boa mesmo!

Ele sorriu contente:

- Nossa! É mesmo!

7 de ago de 2011

5 de ago de 2011

There goes the fear

Por esses dias, descobri que não é porque você sabe lidar com um tipo de medo que sabe lidar com os demais. Já tive medo de coisas estúpidas, como o de engordar. Já tive medo te bater o carro, ficar desempregada, perder o namorado, morrer sozinha... Mas acho que o que tenho sentido é diferente de tudo o que já vivi. E não tenho a mínima noção de como lidar com isso.

4 de ago de 2011

Pijama nunca foi presente para criança

Porque eu já ganhei muito pijama nessa vida. Ah sim! Principalmente quando era pequena. Esperava boneca, tiara, livro ou um brinquedo qualquer... E vinha o pijama. Se você que está lendo já me presenteou com um durante minha infância, me desculpe, mas tenho que admitir: Pijama nunca foi presente para criança.

Nunca entendi a graça dos Bananas de Pijamas, mas hoje entendo que pijama é coisa cara, ridiculamente cara - o que poderia ser traduzido por "é um bom presente". 

Hoje mais madura e mais conhecedora da dinâmica e dos mecanismos que movimentam as engrenagens da vida, entendo que o pijama é realmente um bom presente. Principalmente quando é um pijama de verdade, e não a calça de moletom e aquela camiseta antiga. Depois de velhos, bem que podíamos ganhar pijamas de verdade.

3 de ago de 2011

Diário: E a Caridade me desafia!


Se a Caridade fosse uma coisa fácil, ela não seria Caridade. Acredito que a tal "facilidade" venha com o tempo - assim espero. Todavia, certas situações sempre se apresentam como grandes desafios. Desafios que são provas disfarçadas? E o que eu quero provar, afinal de contas? Que não só entendi mas como também ponho em prática o que me ensinaram por tantos anos? Não, mas que estou no caminho certo. Provar não para o mundo, mas para mim.

E a Caridade me desafia a ser melhor.

2 de ago de 2011

Manda quem pode e obedece quem tem juízo?

Esse papo de regras foram feitas para serem quebradas está mais batido do que clara em neve. Seguir regras não quer dizer ser alienado e não raciocinar sobre aquilo o que se obedece. Também não quer dizer que, cedo ou tarde, não seremos capazes de fazer com que caiam por terra. Só não gosto de regras quebradas por regras quebradas, num discurso vazio e sem propósito.

Mas o meu problema é com gente incapaz de reconhecer autoridade. Talvez porque eu nunca tive problema com ela. Reconhecer a autoridade, seja ela qual for, é, em parte, reconhecer nosso próprio lugar no mundo porque, querendo ou não, parte de nós é construída a partir do outro. De seu olhar, suas palavras, seu toque, suas lições, sua posição no mundo. Acredito que uma pessoa que não reconhece autoridade seja incapaz de reconhecer seu lugar no mundo.

Acho que sempre vai haver alguém acima de nós, seja lá qual for a hierarquia. É preciso bom senso para mandar e humildade para obedecer - principalmente quando a tal autoridade se revela incapaz de bem exercer suas funções e não há nada que nosso discurso subordinado possa mudar. Também tenho visto isso. É duro avisar o capitão do Titanic que há um iceberg logo ali e assistir o navio afundar porque não nos foi dado o devido crédito.


1 de ago de 2011

Diário: Esquecidos

Ele me viu de saída. Pequeno. Nunca tinha me parecido tão frágil. Era falador, brincalhão. Dava um trabalho que só. Mas carinhoso e não era um mau menino. Onde vivem os monstros. Magrinho, veio me abraçar, toda carregada de livros.

- Tchau, teacher.

Tão bonitinho. Frágil. Ninguém sabia o que fazer com ele, dadas as suas peraltices. E, naquele momento, suspeitei que as coisas fossem simples:  talvez ele precisasse de muito pouco. Ou melhor, o que para nós às vezes pode parecer pouco.

Eram já quinze para as oito e as aulas tinham acabado as seis. Estava na escola desde de manhã e agora esperava a mãe, como sempre. Talvez esperasse mais do que isso. Senti que precisava de mais do que tinha. Pouco. Feio julgar assim, mas não pude evitar. Não sei se aquele olhar de desamparo, olhar perdido, como um pequeno filhote sem rumo era o de sempre. Sei só que depois disso, o meu olhar sobre ele mudou.

Ouvindo Better man (James Morrison)