26 de ago de 2011

20 e poucos anos: E a vida era cheia de "good byes" incompreensíveis

Para Su

Lô estava com um copo de conhaque na mão: fazia tempo que eu não a via beber.

- Acho que desisti de entender... - ela me olhou pensativamente - Já não sei de boto fé nesse papo de amor.

- Ora, Lô. Não é porque não deu certo de novo que você não deve ter fé - ponderei.

- Já me falaram tanto sobre isso! Já ouvi tanto que me amavam de modo grandioso... "meu amor é tão grande"... já me fizeram tantas promessas (e me fizeram prometer em resposta)... já me chamaram de "minha mulher" e "amor da minha vida" tantas vezes... E todas acabaram da mesma forma: me deixaram sem que eu soubesse o porquê, como se eu não merecesse saber...

- Homem não gosta de discutir a relação. Fogem mesmo. Eu mesmo fujo, você sabe. Esse papo de "tudo se resolve com conversa" é balela. Mas o que você acha que aconteceu?

- Não consigo pensar em nada tão grave que eu tenha feito a ponto de ele me deixar. Mas acho que agora nunca vou saber...

- Será que não tem mulher no meio?

- Mas ele mal tinha tempo para mim...

- Uma antiga namorada, quem sabe?

- Ah, nem sei por onde especular. Também nem sei se quero. Agora parece que tanto faz: mais uma vez fico sem saber o que aconteceu. Me dói ver esse desrespeito, porque todas as vezes que terminei um relacionamento, foi olho no olho. Mas acho que homem não gosta disso... Acho que isso é imaturidade, não sei mesmo... Não quis me falar abertamente não para não me magoar, mas pra que eu não ficasse com raiva dele.

Não disse nada, não sabia bem o que dizer. Tinha medo de falar demais.

- E nem era amor, porque se fosse, não teria acabado assim. Acho triste quem não se conhece e não conhece o que sente. Exagera nas palavras. É sempre o outro que paga pela falta de autoconhecimento. Acho injusto.

- A vida é injusta - disse eu duramente.

- Talvez pela primeira vez eu veja esse tipo de situação com certa clareza... Sei que não faço mais planos com ninguém, não dá pra contar com ninguém. Fato. Ou como me disse Clara: "ninguém realmente se importa com você." Não levo mais esse papo de amor a sério.

- Você não está sendo um pouco dramática com "ninguém realmente se importa com você"?

- Não, porque é cada um cuidado dos seus interesses e tirando o seu da reta quando necessário. Eu dou a cara a tapa, doa o que doer, mas se o outro fica na dele e não me dá explicação alguma, com que respeito ele me vê? Como você acha que eu me sinto?

Eu não disse nada, não sabia o que dizer. Fiquei olhando para ela por um tempo. O ar desamparado bem podia ser um de seus ardis para que eu me compadecesse dela. Mas não era. Sabia que em breve ela estaria bem de novo, radiante de novo, feliz de novo. Era ela quem sempre me dizia:

"Pé na bunda é bom porque te empurra pra frente"

Mas por ora, bom, o preto do luto estava no preto de suas olheiras. Morte de amor matado é sempre uma coisa incômoda. Inconveniente. Acariciei-lhe os cabelos levemente e senti ainda o calor que seu corpo emanava. Sim, ela logo estaria bem de novo, já passara por coisas muito piores. Beijei-lhe a mão gelada:

- Sofra o que tiver que sofrer, mas não sofra muito. Por ninguém.

Ela me olhou no auge da sua meninice de mulher:

- Isso morre aqui.

E o seu desamparo era menor.

2 comentários:

Anônimo disse...

Amores, quando não dão certo, não é amor, talvez fosse um projeto, ou um desejo de amar.
Primeiro passo: não valorize demais o que não tem em si valor.
Segundo Passo: não leve essa experiência para outros relacionamentos, as pessoas são diferentes.
A dor passa, o porque eu? também.
Continue procurando seu grande amor.
A fila anda Lô, isso é o que tem de melhor na vida.

clelia, tia

Carolina disse...

"Pé na bunda é bom porque te empurra pra frente"

Adorei isso!
:)