15 de ago de 2011

Em busca do tempo e das demais coisas perdidas

Hoje a comida não teve gosto. Prato vazio. Os sapatos na vitrine não tiveram graça. O sol passou despercebido. O sorriso foi fingido, mas não porque dissera a um amigo que costumo brilhar às segundas. Era outra coisa. O tempo não passou. E as lágrimas se esconderam do olhar público e meu passo fez com que nem dessem as caras - mas nos momentos de solidão era impossível ser diferente. Mal-estar de cabeça, coração e estômago. Nem todos os filmes, livros e pinturas me distrairiam do que me perturbava intima e intensamente. Mas o dia ainda havia de continuar. Era cedo ainda, olhei no relógio. Mas para as demais coisas, talvez fosse tarde. Para medir esse tempo não havia relógio de pulso, parede, água ou sol.

Hoje que acordei com a mente tão límpida e a ideia tão clara sobre o que fazer. Sim, mesmo assim. O dia não tinha acabado ainda, mas talvez as demais coisas sim. Fosse como fosse, a vida havia de continuar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Coisas do tempo que só o tempo pode resolver.
Lindo texto.
Quantas vezes ainda vou me sentir assim?????

Clelia, tia