1 de ago de 2011

Diário: Esquecidos

Ele me viu de saída. Pequeno. Nunca tinha me parecido tão frágil. Era falador, brincalhão. Dava um trabalho que só. Mas carinhoso e não era um mau menino. Onde vivem os monstros. Magrinho, veio me abraçar, toda carregada de livros.

- Tchau, teacher.

Tão bonitinho. Frágil. Ninguém sabia o que fazer com ele, dadas as suas peraltices. E, naquele momento, suspeitei que as coisas fossem simples:  talvez ele precisasse de muito pouco. Ou melhor, o que para nós às vezes pode parecer pouco.

Eram já quinze para as oito e as aulas tinham acabado as seis. Estava na escola desde de manhã e agora esperava a mãe, como sempre. Talvez esperasse mais do que isso. Senti que precisava de mais do que tinha. Pouco. Feio julgar assim, mas não pude evitar. Não sei se aquele olhar de desamparo, olhar perdido, como um pequeno filhote sem rumo era o de sempre. Sei só que depois disso, o meu olhar sobre ele mudou.

Ouvindo Better man (James Morrison)

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