11 de abr de 2012

Rascunho eternamente rascunho - nunca enviado [1]

Acho que foi só vontade de te escrever - e não enviar. Enviar para quê? Dizer para quê? Nada me parece favorável. E pouco me importo. Sem motivo, razão, futuro. E precisa? Precisa quando a saudade é tão precisa e delineada e delicada como é a minha?

Tenho que ir ao banco, buscar as crianças na escola, comprar a carne para a feijoada, pegar as roupas para apresentação do coral. Meu mundo tão cheio de gente e de coisas. Mas eu daria o meu mundo para te ver mais uma vez, me sentar e jogar uma partida de pôquer.

Perder uma partida de pôquer. Você sabe que eu não levo jeito para esses jogos de carta - ou para os outros jogos. Aliás, aos trinta e cinco anos, ainda espero descobrir para que levo jeito. Às vezes isso me dá um frio na barriga. É aí que penso em você na sua leveza de limonada e aí a saudade aperta. Me deixa sem ar - como seus beijos costumavam me deixar.

Ouvindo Acontecimentos (Marina Lima)

2 comentários:

£ädÿ disse...

"paz de espírito" não é mais suficiente pra justificar os meus rascunhos.

Carolina disse...

Que perigo!