1 de abr de 2012

Supernova

Queria muito, muito mesmo, um novo par de asas. Queria a pele nova, a casca nova - fosse cobra. Chocalho - e barulho. Queria a nudez da sua miudez. Queria simplesmente a emoção engavetada. Esquecida. Queimá-la ou queimar-se? Exorcismo. Purificação. Queria lançar palavras ao vento. Raspar os cabelos e deixar uma trilha de mechas. Mexa-se! Deixar-se trilhar. Caminho novo. Queria continuar esfregando na cara dos outros:

- Não se pode ter tudo.

E provocar quem quer que a quisesse e não soubesse como. O como era tudo. Queria a felicidade doída do silêncio encastelado. E as incertezas alheias para escorrê-las pelo ralo. Era ardida como pimenta. Queira suas palavras queimando nos ouvidos alheios. E sua pele nos lábios de outrem.

Queria explodir - sincera - supernova. E arrastar todos ao seu redor - buraco negro: estavam todos condenados a Tânatos. A Prometeu. E a Fênix.

Um comentário:

Ludmila. disse...

Isso é muito meus últimos dias!
Explodir por aí... Essa é a idéia.


Beijos*