18 de ago de 2012

Aquilo que [não] se vê

Entrei na sala com ele:

- Então, você é professora de quê? - ele me perguntou ajeitando a gola da camisa.

- De inglês - respondi me sentando com o livro na mão.

- É, bem se vê mesmo - ele sorriu.

Fingi entender. Não entendi e ele não falou mais nada. Só sorriu. Olhei para mim, minhas roupas, o Guimarães em minhas mãos. Nada, nenhuma pista. Fiquei sem entender, como em todas as vezes em que alguém julga que sejamos assim e assado - ficamos sem saber o porquê.

É engraçado como as pessoas vêem a gente. Ou elas vêem o que querem em nós? É preciso cuidado para não se perder no olhar alheio. Tanta coisa já nos desmancha e tanto temos que nos refazer que não é preciso atender e obedecer ao que espera o olhar do outro. Ou precisa? 

Olhar-se pelos olhos dos outros pode ser uma experiência assustadora, porque por mais que a gente seja verdadeiro, sincero e tudo mais, sempre será a nossa imagem para alguém e não nós mesmos. Sempre seremos interpretados por alguém, então não dá para esperar que saibam exatamente quem somos, o que sentimos ou o que quer que seja.

Sabe-se lá também quão errado eu não interpreto os outros. Mas será que a palavra "errado" está certa?

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