4 de ago de 2012

Visceral

Fascinante? Não, não encontrei palavras para descrever. Fiquei sem voz, como que em transe. Mas quem precisava de voz? Mergulhei no momento. Faltou ar, faltou voz. Mas meus sentidos nunca pareceram tão apurados. Era como nascer de verdade.

De acordo com Wittgenstein, a língua dá conta de tudo o que a gente precisa dizer. Se não encontro palavras, talvez eu simplesmente não precise dizer nada dessa vez. Só acho que não é nem que eu não precise: não quero mesmo. E é um não querer que eu não conhecia até então. É adocicado. 

Algumas pessoas são cheias de querer. Outras são cheias de não-querer.

Tem coisas que são tão nossas que não tem como dividir. Nem para que dividir. Como o segredo da mão escondida na luva. Da correntinha de ouro (presente da madrinha finada), levada junto ao peito. Da receita secreta da família, passada de geração em geração. Do poema favorito, recitado de trás para frente - sem espelhos. Do feijãozinho cultivado no algodão no copinho de danone.

É meu - e de mais ninguém.


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