8 de ago de 2012

Esvaziando as gavetas ou O que nunca deveria ter parado lá

Tem coisas que a gente nunca vai aprender. Outras, a gente finge que não sabe. Só que a vida cobra, os outros cobram e acabamos irremediavelmente nos cobrando. Seja como for, há nisso tudo muito potencial para auto-sabotagem.

Tranquei umas coisas sérias, muito minhas, na última gaveta de uma cômoda velha e empoeirada colocada no cantinho mais sombrio do porão. Deu pra sentir o drama? Por que fazemos isso com nossos sonhos? Principalmente os sonhos possíveis? Porque eu não estou falando de amores platônicos nem de sonhos com a mega sena.

Estou falando de coisas possíveis...

E o povo cobrando e eu me cobrando e não é que eu descubro os sonhos vivos? Gritam. Berram. Esperneiam.

- Me deixa viver.

- Preciso respirar.

- Quero luz.

É isso que eles me pedem, me imploram, me exigem. São os filhos cujo desejo precisa ser satisfeito (principalmente quando me dou conta de que o desejo deles nada mais é do que a minha vontade - abafada por N motivos que nem valem a pena enumerar).

Acho que temos que tomar cuidado com o que guardamos. Saí correndo, demorei a achar as chaves da gaveta, mas consegui... E os destranquei. E agora gritamos juntos, loucamente, como num ritual de libertação. 

Eles não merecem ter a existência negada. Nem eu. E só Deus sabe o que será de nós. Mas seremos e só isso importa.


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