27 de ago de 2012

O que me separa daquilo que eu quero?

Me perguntei isso uma noite dessas, matutando com meu sanduíche de presunto. Liguei o rádio, coloquei pra tocar o CD recém-gravado. O "pois é" tuntuntuava na minha cabeça - serenamente.

Há alguns anos, eu diria:

- Quem quer arranja um jeito. Quem não quer arranja uma desculpa.

[Frase cafona de caderno de versinhos cafona?]

Mas eu logo vi que isso é por demais radical: muitas das coisas fogem do nosso alcance. Pior do que ser radical é ser simplista, achar que a vida é tudo preto no branco, sem os zilhões de matizes de cinza. E todas as outras milhares de cores.

Devia fazer uns cinos anos que eu queria porque queria fazer algumas coisas. Mas e o tempo? Nem sempre dá para arranjar um tempo. Nem sempre dá pra dar um jeitinho. Somos humanos, não?

O sanduíche me encarava tranquilo e resignado. Ele compreendia.

E pior que muitas vezes a gente se cobra terrivelmente por não dar conta de tudo o que deveria. Ei! Quem disse que temos que dar conta de tudo? Tenho uma bronca danada do "deveria" e do "devia". O dedo em riste:

- Você deveria...

Há quem se zangue, há quem desligue quando certas coisas são cobradas, coisas que não poderiam, pedem, devem, deveriam... ser cobradas.

Mas o que nos separa daquilo que queremos? Tempo? Dinheiro? Real vontade? Medo? Alguém? Auto-sabotagem? Pode ter tanta coisa... Mas será que sabemos mesmo o que queremos? Saber o que se quer é o primeiro passo. Depois é correr atrás. E, pelo que tenho visto, o povo anda assim: ou não sabe o que quer, ou quer tudo. Tão ruim quanto. Dá na mesma.

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