5 de jan de 2013

Early morning

São aquelas coisas que acontecem. E a gente fica sem saber o porquê ou o por onde ou o como: apenas o o quê está lá para dar conta das pequenas surpresas. E, se você for honesto e justo consigo mesmo, não vai procurar nada disso: apenas se contentará com o o quê.

Deitou-se no colo dela e se cobriu. Já era tarde - ou cedo - e alguma luz fraca vinha de fora. Amanhecia. Ele tinha apagado as luzes, ambos queriam tirar um cochilo. Queriam? Falavam sobre a vida. Na verdade, ela mais falava e ele mais ouvia - e brincava com sua mão, observando as unhas e a ausência de anéis. O que diriam as linhas da sua mão? O que diriam as linhas da mão dele? Talvez dissessem mais do que eles mesmos diziam. 

O ser humano é um mistério indesvendável. Entretanto, liam-se com relativo sucesso, comunicavam-se com relativa clareza, entendiam-se com absoluta certeza. Certamente. Mesmo nos silêncios da penumbra em que olhavam para dentro de si mesmos e depois um para o outro. O que pensariam?

Como se preenche os silêncios? E precisa? Precisa despejar palavras aleatórias só porque não se sabe o que fazer com ele? Ela ia falando aos goles gordos, já ele permanecia tranquilo, sempre segurando sua mão. Tinham sono, mas não queriam dormir. A vida era um mar de possibilidades - dormir para quê? Pareciam concordar nisso, conforme a conversa seguia, corria, fluía cristalina, preenchendo os espaços da sala.

Todavia, em algum momento, ela pareceu discordar: disse que precisava ir. Pegou as sandálias, a bolsa, a si mesma. Despediu-se sem cerimônia. Ele permaneceu lá, deitado, pensando? Não saberiam.

Ela [só] saiu quando já estava tudo claro, tudo às claras.


Ouvindo Sa garota (Clave de Clóvis)

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