26 de jul de 2010

Everybody hurts

Meu melhor amigo me lembrou hoje de uma coisa que eu lhe disse há um tempo:

- Já morri e renasci muitas vezes.

Ele me disse que isso o está ajudando a lidar com um momento difícil pelo qual está passando. Isso me deixou muito feliz, mas não pude deixar de desconfiar de uma certa presunção da minha parte. O que eu sei da vida aos 20 e poucos anos? O que tanto morri e renasci?

Seja como for, isso tem feito a diferença para ele. E fez a diferença para mim. E ainda faz. Ao longo da vida, a gente parte... E se reparte e se divide. Depois se junta de novo. Tem tanta coisa que fica perdida no passado e são tantas as respostas que nunca temos. E precisamos? Depois de um tempo, percebemos que há coisas que nunca entenderemos ou saberemos. E quanto mais cedo aceitarmos isso, mais cedo vamos canalizar as nossas energias para coisas produtivas. Tem coisas que estão além do nosso alcance. E entender e aceitar isso tem a ver com felicidade.

Eu acho mesmo que ao longo da vida, morremos e renascemos muitas vezes. Eu já morri algumas vezes e renasci tantas outras. E sei que enquanto puder morrer e renascer estará tudo bem.

(Os amigos são a família que a gente escolhe, o que faz de você meu irmão).

4 comentários:

Sirius disse...

"E quanto mais cedo aceitarmos isso, mais cedo vamos canalizar as nossas energias para coisas produtivas." - carregar no espírito somente o que for boa bagagem, não é mesmo? isso é comum a muitas religiões e filosofias. E mesmo quem é ateu aprende de uma maneira ou de outra.
O Fernando Anitelli tem um poema, e este trecho fala bem sobre isso:
"Pra dilatarmos a alma
Temos que nos desfazer
Pra nos tornarmos imortais
A gente tem que aprender a morrer
Com tudo aquilo que fomos
E tudo aquilo que somos nós"
Tudo o que existe está sujeito à transformação. Mesmo as células do nosso corpo se renovam de tempos em tempos e não somos os mesmos. E aprender a nadar/surfar/voar/whatever nesse fluxo de mudança é um dos grandes segredos da vida.
Belo post. Concordo em gênero, número e grau com a parte sobre amigos serem a família que escolhemos.

Anônimo disse...

Por isso que perdi o medo de alguns clichês e escolhi uma fênix pra ficar pra sempre no meu corpo. Até esse "pra sempre" não é assim. Acho que um dos grandes desafios da vida é lidar e aceitar esses renascimentos. Todos temos um problema com a palavra mudança. Ela pode significar perda, e vivemos em uma cultura onde não admitimos perder nada. De qualquer maneira a gente perde, e inclusive perde tempo em lutar com algo tão imutável quanto as mudanças.

Beijo da diva ruiva :*

Bruno Anselmi disse...

Bonito, maninha, e verdadeiro... Pena que não seja fácil aceitar as mudanças assim, se fosse, ninguém sofreria...

Beijo...

Anônimo disse...

Lari, você é e sempre será uma irmã pra mim... obrigado por absolutamente tudo.

"Tem tanta coisa que fica perdida no passado e são tantas as respostas que nunca temos. E precisamos? Depois de um tempo, percebemos que há coisas que nunca entenderemos ou saberemos." -> esse trecho me marcou, e acho que você tem toda a razão.

Obrigado por mais palavras, e um grande beijo!
Carlos Daniel