7 de jul de 2010

Maurício+Malu: Aos seus pés

Estavam deitados na cama. Já devia ser duas da manhã e nenhum dos conseguia dormir. O motivo? A vida.

Estava frio e a janela, fechada. Mas Malu insistia em ficar sem meias. Era como se elas sufocassem seus pés. Pés respiram?
- Não, não respiram, mas não gosto de meias sem sapatos.

Foi então que Maurício reparou nos pés dela: unhas feitas. Ela mesma fazia, pois achava um desperdício absurdo ir a manicure. Esmalte vinho. 

- Por que mulher pinta as unhas dos pés? - ele perguntou.

- Por que não? - ela quis saber.

- Hum... Acho que é para combinar com as mãos, né? - arriscou ele.

- É, talvez. Nunca parei para pensar nisso - disse ela vagamente.

- Mas se é para combinar, por que o esmalte das suas mãos é claro e o dos seus pés é vinho?

Malu olhava para o teto. A luz amarelada e morna no abajur pousava sobre ambos.

- Porque ontem, quando eu pintei as unhas dos pés eu era uma pessoa. Hoje, quando fui pintar a sdas mãos, eu era outra.

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