29 de dez de 2011

Maurício+Malu: Lógica feminina

Bastava esfriar um pouquinho e Malu mudava a regulagem do chuveiro para inverno. Quando ela brincava de sauna russa, Maurício faltava-lhe como companhia: faltava-lhe ar. 

Ele não podia com ambientes abafados, então ia fazer alguma outra coisa. Normalmente, sentava-se na banqueta de vinil e conversavam. Rádio ligado. Mas não quando Malu cismava de ser cozida a vapor. Aquilo lhe lembrava uma música do Skank, mas o contexto de ambos estava livre de qualquer sensualidade - ou possibilidade de sobrevivência diante do vapor.

- Ai como você é frescurento! - ela dizia displicente.

E passava, nua e ligeira, pelo corredor. Trancava-se no banheiro, ligava o chuveiro e cantava junto com o rádio. Feliz. Banhos para ela eram sempre rituais de purificação. Para Maurício os banhos também serviam como ritual de purificação, mas banhos frios. E ele gostava de verão. E que friozinho chato era aquele de fim de ano? Servia bem para ficar agarradinho com Malu, porque no verão a frescurenta era ela:

- Ai como você é grudento! - ela dizia fazendo careta.

Fazia charme, isso sim. Era mulher, o que poderia esperar?, pensava Maurício.

Malu saía do banheiro agora, enrolada numa toalha de banho amarela. "Escondida" seria a palavra certa, porque a toalha era absurdamente grande.

- Presente da sua mãe, ué? - alfinetou ele.

Ela torceu o nariz e foi até o quarto. Maurício lia tranquilamente uma revista de variedades na sala, minúscula. Malu logo passou de volta, apressada com potes e mais potes. Era hora de outro ritual, de outro banho: o de hidratantes. 

Maurício não entendia qual era a ideia de Malu: ela tomava banhos escaldantes que faziam mal para a pele (a tevê estava sempre falando sobre a pele, principalmente agora no verão bah) e depois tomava mais banhos e banhos de hidratante. 

Malu saiu do banheiro, alguns potes quase vazios.

- Não entendo a sua lógica: para que banho quente se você vai se encher de creme depois? - sorriu Maurício.

Ela se sentou na poltrona, ficou alguns instantes pensativa e, como uma criança que partilha um segredo, abaixou a voz, se aproximou e respondeu:

- Porque são dois prazeres conciliáveis e particulares.

E foi então que Maurício percebeu que não tinha nada do gênero. Crise instaurada e nova promessa para 2012.

28 de dez de 2011

Jogo da vida: sua vez.

- Ué, mas não era isso o que você queria? - perguntei à ela.

Aquela frase não nascia de mim, mas brotara de um texto alheio. Já fazia tanto tempo...

- Sim, era isso - ela me respondeu.

- Então? - disse eu dando ombros.

- Não sei - disse ela dando ombros.

Ela ficou me olhando. Tão bonita e tão certa. Continuou:

- Eu coloquei o feitiço, eu tiro o feitiço - ela me olhou com firmeza.

- E deu certo, bruxinha. E agora? O que te falta?

- Nada - ela sorriu, tentando se entender.

- Então? - perguntei, tentando entendê-la - Por que parece que tem algo errado?

- Tomar a decisão mais acertada e sensata faz com que eu me sinta estranha.

- Mas será que foi certa mesmo?

- Nah. Não sei. E tem coisas acontecendo completamente fora do meu controle.

- Ou da sua compreensão, suponho - tomei um trago - Estou só especulando...

- Eu não tenho a mínima ideia do que fazer, de verdade. Não sei como cheguei até aqui, não sei como sair e pior: estou me divertindo.

- Claro que está! É bom estar do outro lado para variar... Cansa demais ter sempre o mesmo papel. Então você está gostando dele?

- Dele quem? - ela me olhou furtiva.

- Do seu novo papel, oras - torci o nariz.

- Estou. Estou... tentando entender.

- Quem?

- O quê. Meu novo papel.

- Não dá para racionalizar menos e sentir mais? - arrisquei.

- Não - ela respondeu categórica.

- Entendo - menti.

- E o feitiço não foi desfeito... - ela olhou com pesar.

 - Parece que você não tem tanto poder quanto imaginava - especulei.

- Coisas além da minha compreensão... ou do meu domínio. Para todas as outras, meu jogo, minhas regras.

- O problema é quando o jogo envolve duas ou mais pessoas. Aí não é mais tão simples assim: uma vez que o jogo é partilhado, as regras também são.

Ouvindo Disparada (Jair Rodrigues)

27 de dez de 2011

Sobre os buquês de promessas.

Cada rosa do buquê era uma promessa, ele tinha explicado.

Ele: - Promete ficar bem?

Ela: - Como posso prometer uma coisa dessas?

Ele: - Prometo nunca te deixar....

Ela: - Por favor, não faça nem diga isso.

Ele: - ... E prometo te amar para sempre.

Ela: - Mas isso é muito tempo.

Ele: - Prometo te amar na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. 

Ela: - Ah!

Ele: - E você? O que me promete em troca?

Ela: - Eu? Hum. Prometo sempre ser sincera?

Ele: - E eu prometo nunca te decepcionar e sempre te fazer feliz. Ei! Aonde você vai com tanta pressa?


26 de dez de 2011

Manual de instruções [1]: Quatro observações sobre autores

1) Não pedir para que o autor explique seu texto. O texto é construído por quem escreve e por quem lê. Ponto.

2) Tudo o que jaz no papel tem algum pé na realidade, mas é sempre uma roupagem ficcional. Eu pego a realidade e faço dela o que bem entendo. Construo, reconstruo, brinco, brigo.

3) Favor separar a pessoa do autor. Sempre. (sou alérgica e gente não que não faz isso)

4) Neutralidade é uma ilusão, renda-se e assuma um lado, qualquer que seja.

24 de dez de 2011

Feliz Natal [3]: A ceia

Para A. P.

Ela ficou olhando a mesa cheia de comida.

Nem só de comida vive o ser humano. Mas é a comida que enche barriga, pensou e sorriu, pegando um acolher de arroz branco.

Nozes! Era alérgica. Pousou o prato sobre a mesa, pois estava sem paciência (e sem jeito) de separá-las num cantinho. Sentia-se entorpecida pela nostalgia e ligeiramente só. Porque estar numa sala cheia de gente não queria dizer estar acompanhada. Poderia ter sido nocauteada pela tristeza, mas mantinha aquilo o que Cortazar dissera sobre literatura: o conto nos vence pelo nocaute, o romance nos vence pelos pontos. E sua vida era um romance - não um conto.

Rodeava a mesa. Comida enchia a barriga. E o que alimentava a alma? O que mantinha as pessoas de pé, a despeito da comida. Comida era sobrevivência. Mas e se quiséssemos vivência? Não podia escapar da retrospectiva 2011... Cheia dos seus altos e baixos... E cheia de tanta gente!
Olhou os sapatos novos e vermelhos, tão cheios de promessas quanto o final de ano. Sempre misturava o Natal com o ano novo. E sempre pensava em todos aqueles que tinham feito parte de sua vida. E, embora poucos estivessem presentes naquela ceia, pôde desejar, de coração, sem mágoa, pó acentado, o melhor. O melhor para cada um. O que quer que aquilo fosse, porque para cada um era uma coisa.

E com o que andara alimentado àqueles a sua volta? Não sabia cozinhar, nem ser literal. Com o que mantinha as pessoas à sua volta? A pão e água? Ou com banquetes? Longe de metáforas culinárias, ia tecendo, tecendo mantos de palavras mornas e afagos e acertos e erros. Ia cuidando, como podia, com o seu melhor, cultivando o que tinha de mais belo que, embora pudesse ser pouco, era o que tinha a oferecer: seu afeto, seu cuidado.

Queria nutrir a alma de quem a acompanhava. E, quem sabe um dia, encher a barriga daqueles que com ela dividissem a mesa - mas aprender a cozinhar era promessa para ano novo...

P.S. Um Feliz Natal a todos!

22 de dez de 2011

Sentimental Meaninglessness

Ele: - Eu gosto de você.

Ela: - Também gosto de você.

Pausa.

Ele: - Não, eu gosto de você de verdade.

Ela: - Por que seria de mentira?

Ele: - Gosto de você como um homem gosta de uma mulher.

Pausa.

Ela: - Por quê?

Ele: - Por que o quê?

Ela: - Por que você gosta de mim?! Como assim?

Pausa. Ela estava inconformada.

Ele: - Que raios de pergunta é essa sua?

Ouvindo Shadowboxer (Fiona Apple)

21 de dez de 2011

Porque Hegel e eu não temos química (e era uma vez Fiona Apple)

Hegel
Hegel, cansei de você e de seu hermetismo. Será que eu sou muito burra ou é você que fala muito difícil? Ou as duas coisas? Não importa! Está tudo acabado entre nós! Tudo? Nada! Um flerte interessado somente da minha parte - é claro, o que você veria em mim? Essa francesinha geniosa?

Seja como for, não nascemos um para o outro. O Jornalista diria que não somos alma-gêmeas e não somos mesmo. Pensei que precisava de um tempo e que esse tempo me faria crescer e te entender. Eu achei que só precisasse ficar pronta para você, mas não foi assim. 

Desde 2005, seu livro na minha estante. E nada de te absorver: poros, língua, toque. Nada! E fico nos dando segundas chances ao quadrado, para ver se damos certos. Estava exausta quando conheci Schopenhauer e ele me tem feito ver as coisas sob outro ângulo: não sou eu, é você mesmo, talvez seja você mesmo, Hegel!

Mas não sou rancorosa:
 Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos,
Quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais
("Olhos nos olhos", Chico Buarque)

Mas esbarrei com Fiona Apple ontem à noite. Nós duas estávamos num bar. Eu na platéia, ela no palco - naturalmente. E foi então que percebi: as segundas chances que guardara para Hegel deveria usar com ela. Me explico: ouvi "Criminal" pela primeira vez há uns doze anos atrás e não gostei. Nem da voz de Fiona, nem da música, nem do videoclipe. 


Quando a vi novamente, tanto tempo depois, percebi que não estava no momento certo quando nos conhecemos. Eu não havia estado pronta para Fiona Apple. E, de algum modo, não guardei a indiferença - acho que a jogo pela janela a cada virada de mês, como para espantar meus fantasmas e deixar arejar a cabeça. E valeu lhe dar as segundas chances - guardadas a sete chaves, afinal as nossas chances não podem ser despejadas por aí, como se fossem santinho em época de eleição - ou podem?

Fiona Apple foi uma "supresa" de 2011 para mim e gostei de tudo o que pude absorver ouvir degustar de seu trabalho. Gostei da voz de Fiona, das canções e dos videoclipes. Gostei mesmo.

Fiona Apple
Fico pensando se reencontros como esses são possíveis na vida real: você reencontra pessoas quando fica pronta para elas. Às vezes conhecemos pessoas fantásticas que parecem estar em outro tempo, outro universo. Eu já falei sobre isso aqui, sobre esperar esbarrar um dia e perceber que o tempo agora é o mesmo, é o mesmo fluxo temporal, é a mesma sintonia, a mesma língua.

Fiona Apple fala a minha língua - o que quer que isso signifique. O mesmo não se pode dizer de Hegel, mas Schopenhauer me entende. Alguém sempre me entende - ainda que um filósofo falecido.

You'll never touch these things that I hold
The skin of my emotions lies beneath my own
You'll never feel the heat of this soul
My fever burns me deeper than I've ever shown to you

("Never is a promisse", Fiona Apple)

20 de dez de 2011

Feliz Natal [2]: Os cartões

Ela sorriu para a sacolinha da papelaria. Seus cartões de natal tão desejados. Olhou a listinha com os nomes para quem os mandaria. Os envelopes vermelhos seriam os primeiros a saudar, contentes, os seus destinatários. E quem seriam? Aqueles que faziam parte de sua história. Ela torceu os dedos e torceu para que os cartões chegassem antes do natal.

Disseram-lhe que ninguém mais enviava cartões de natal.

- Eu sei - ela sorriu - Mas não é por isso que vou deixar de mandar.

As pessoas mandavam e-mails e mensagens natalinas por meio de mídias sociais. E era válido. Mas, para ela, os cartões eram sagrados. E ela prezava as mensagens individuais com sua letra cursiva e redonda. O carinho pausado e pensado em cada palavra. O pessoal não-partilhado.

Era o seu amor expresso não em prosa ou verso, mas em cartão - ou risada de Papai Noel.

19 de dez de 2011

Sejamos irresistíveis... ou não!

Eu sempre me lembro daquele clichê do Pequeno Príncipe sobre sermos responsáveis por aquilo (aqueles) que cativamos. Mas será que somos mesmo? Será que somos responsáveis pela imagem que as pessoas têm de nós? Pelas expectativas e ilusões que os outros possam construir sobre nós? Qual é a nossa participação na brincadeira?

E, uma vez que o feitiço foi lançado, podemos nós mesmos desfazê-lo?

- Eu coloquei o feitiço, eu tiro o feitiço.

Acho que nem sempre temos a dimensão daquilo que despertamos - seja pouco, seja muito. Por vezes, achamos que estamos abafando, quando na verdade aquele miau não foi para nós. Já outras vezes, acabamos nos surpreendendo com o efeito de nosso... charme? Não sei... Tem tanta coisa que pode atrair alguém...

Estava com dois amigos no domingo:

- [...] E tem coisas que eu sempre reparo num homem, logo de cara - disse eu.

- É mesmo? Como o quê? - perguntou o Grego.

- Por exemplo? - quis saber S. Santos.

- E você acham que eu diria? - sorri.

 E, afinal, o que é ser irresistível? O que torna uma pessoa irresistível? Não tem receita, regra ou cartilha - nem dispositivo para disso escapar. Uma pena. Ou não.

18 de dez de 2011

Pinóquio fazendo escola





- Não sou romântica - mentiu ela.

- Sou cafajeste - mentiu ele.

Mentiam um para o outro. Pior: mentiam para si mesmos.


16 de dez de 2011

Sejamos flexíveis... Ou não!

Toda vez que alguém me cobra leveza, eu me pergunto o quão emocionalmente envolvida a pessoa está na situação que supostamente me causa tensão. Resposta: ela não está envolvida, por isso não sabe do que eu estou falando.

Acho engraçado quando nos pedem para ser flexíveis. Protestei e me responderam:

- Mas ser flexível não é dizer amém para tudo o que o outro diz...

(não, não é mesmo)

... mas aceitar que o outro é diferente e respeitá-lo.

Eu poderia ter aplaudido minha amiga de pé, mas estava cansada demais para sarcasmo. Preferi continuar largada na cadeira, porque ia acabar entrando numa discussão ideológica e, de acordo com as minhas regras, nada de DRs nem discussões ideológicas depois das dez - e já deixem que quebrassem essa regra tantas vezes.

Acho bobagem falar disso como se fosse a coisa mais fácil e banal do mundo, porque não é.

Aceitar a gente aceita. Mas nem sempre: há coisas que estão além do tragável. Isso varia de pessoa para pessoa. E olha que eu já ouvi e aceitei cada coisa que eu me pergunto: de onde veio essa tranquilidade e confiança diante de certas declarações? Sem crise, sem drama, sem salseiro. Então, tenho que ser mais flexível? Até o bambu arrebenta uma hora. Por que comigo seria diferente?

Respeitar? Eu respeito. Nem sempre, confesso. Respeitar eu respeito. Quando dá. É respeitar ou sair da sala - da vida.

15 de dez de 2011

Duelo

No ar, o cheiro de pólvora. Nos ouvidos, o eco do tiro. Cada um deles segurava um revólver. Observavam agora o pequeno ser, que mal nascera, estebuchando. No ar, pairava a pergunta: quem tinha matado o amor de ambos?

14 de dez de 2011

Sete abordagens masculinas duvidosas ou Como se pode afastar uma garota


1) Egocentrismo (ou Eu sou o centro do Universo): Se uma pessoa está interessada em você, ela normalmente quer saber coisas sobre você, não? Pode parecer óbvio, mas não é tão claro assim para algumas pessoas. Você troca e-mails com a pessoa e ela é incapaz  se responder as suas perguntas ou de querer saber algo sobre você - mesmo estando interessada. Ela escolhe monologar. 

Ora raios, para que precisa de mim? Porque o egocêntrico precisa sempre de alguém para ouvi-lo falar de si mesmo. E pior ainda quando esse falar de si mesmo é igual a se fazer de coitadinho: porque meu emprego é ruim, porque ninguém me quer, porque eu eu eu eu eu. Aí a minha cara de ponto de exclamação. Tudo acaba o levando a falar de si mesmo, como se não houvesse outra referência  ou outras pessoas na face da Terra. Já aconteceu até de surtarem comigo:

- Aquele texto no seu blog era sobre mim, é?
E eu nem lembrando qual era o texto. Em inglês, tem-se uma ótima palavra para isso: self-importance.

É problema quando você não sabe se te querem porque gostam de você ou porque você acabou se tornando um desafio, prêmio, troféu ou algo do gênero. Conheci um Galãzinho Malhação certa vez, por quem todas as meninas suspiravam ardentemente. Só que um dia ele conheceu uma menina que não dava a mínima para ele. Claro que seu desinteresse foi tomado como "charme" ou traduzido como a clássica frase "ela está se fazendo de difícil", mas ela simplesmente não estava nem aí. E isso foi tido como crime... e afronta.

O egocentrico pode ser mais discreto também e achar que te conhece muitíssimo bem, como a palma de sua mão.. ah! E achar que sabe o que é melhor para você e que sabe sempre como te agradar. E achar que você é dele, baseado em... quê? E aquele ar paternalista no melhor estilo "vou te mostrar as coisas do mundo e te ensinar tudo o que você precisa saber" é mais triste ainda.

É sempre bom ficar esperto com quem vai querer se auto-afirmar às suas custas. Nesse caso, é melhor sair da sala e deixá-lo sozinho confabulando com o ego dele. Serão mais felizes. E você também. Deixar que ele massageie o próprio ego é mais acertado.

2) Falta de filtro (ou Porque eu tenho prisão de ventre): Me fala o que alguém ganha ao dizer que tem sudorese, prisão de ventre ou excesso de pêlos para uma pessoa que se está conhecendo, a não ser que seja seu médico. Eu acho, no mínimo, desnecessário. Pelo menos eu não me interesso por questões fisiológicas, principalmente quando se está conhecendo alguém. E não é só isso: quem não tem filtro, se derrama e escancara coisas que seria melhor que você nem soubesse. Mesmo. Penso sempre assim: o que ele ganha (ou eu ganho) ao saber disso disso e disso?

A vantagem disso tudo é que você logo perceber qual é a a pessoa e cai fora o quanto antes - caso ela seja assustadora, o que frequentemente ocorre. Porque se tornar mãe ou psicóloga não é uma opção válida. Digo, pode-se até bancar a mãe, mas o desejo é o de ser outra coisa, não? E quanto a psicóloga... Eu não entendo porque há gente que despeja suas neuras, logo de cara - e quer que você ouça ouça ouça ouça sempre a mesma coisa. Olha, todo mundo tem problema, vai de como se encara.

E quem garante que a garota vai querer saber da vida sexual dele ou de seus hábitos entre quatro paredes? Seja para falar de suas carências e/ou frustrações, seja para se gabar, seria melhor sondar se vale a pena mesmo entrar em detalhes pessoais acerca do assunto logo de cara

3) Perfeitinha (ou Everything she does is beautiful/ Everything she does is right): Não há nada pior do que um cara que acha que tudo o que você faz é perfeito. Okay, há coisas muito piores, mas não dá simplesmente para confiar em alguém assim, porque você pede a opinião sobre uma coisa que você fez e está tudo sempre lindo, maravilhoso... perfeito! 

E aí é dois palitos para se acomodar, é claro, o que significa um grande atraso. Eu entendo gente que queira agradar sempre, seja para evitar conflitos, seja por insegurança... Mas perde-se muitas chances de dar o apoio necessário ao dizer: Olha, eu acho que isso não está legal. A gente não vai agradar sempre e vai ter uma hora que o outro vai sentir a necessidade de falar que não somos lá tudo isso. Uma hora a máscara cai - ou ele vai conseguir manter as aparências para sempre? O oposto também é duvidoso: sei do caso de um rapaz que interessado na menina, disse que o rosto dela é bonito, mas o nariz é meio esquisito e fica estranho. Pergunta de um milhão: a troco de quê se faz um comentário desses? O que me leva de volta ao item 2.

4) Incoerência (ou Oi?): Eu sei que o ser humano pode ser incoerente, mas, sinceramente, qual é a lógica de um rapaz dizer que acha que você não gostaria de ser chamada de "gostosa", por exemplo, e te chamar assim? Ele diz que acha que determinada abordagem não funcionaria com você, mas é essa abordagem que usa para tentar ficar com você. E não fica, é claro, porque a abordagem se revela o fiasco que ele julgou que fosse ser. Perdi alguma coisa?

5) Fofoca (ou Você viu quem está namorando?): Pior do que briga de homem é briga de mulher. Pior do que mulher fofoqueira é homem fofoqueiro. Ele vem e começa a falar da vida das pessoas que ambos conhecem. E claro, o faz ocasionalmente com uma pontinha de maldade. Precisa disso? Não tem assunto melhor? Caras assim podem gostar de uma boa intriga e quem garante que ele não vai falar de você para os amiguinhos em comum?

6) Mulher não presta (ou Vadia!): Desconfie sempre de quem fala mal da ex-namorada, principalmente se calhou de todas as ex-namoradas dele serem categorizadas como "vadias". A vida não é preto no branco com algumas pessoas sendo as mocinhas e outras as vilãs. Se fazer de vítima torna tudo mais confortável, mas impede que se veja as coisas como realmente são. E culpar as ex-namoradas (todas vadias?), não me parece muito sensato. É cômodo, só isso. É a mesma coisa da entrevista de emprego: não fale mal do ex-chefe, porque um dia o a atual um dia pode se tornar ex-chefe e aí é mais um para você falar mal.

7)  O garanhão (ou E sua amiga também): Nem sempre interessa para a garota que o cara pegou a Shakira ou quem quer que seja. Mesmo. De repente, também nem interessa saber que ele já ficou com amigas suas e com a moça da cantina e com a prima dele e com a Beyonce.

Não tenho aqui a pretensão de dizer que são todas estratégias furadas, porque muitas das historinhas são de rapazes que já estiveram ou ainda estão acompanhados. Afinal, tem gosto para tudo.e não acredito em verdades absolutas. Mas resolvi escrever e falar por muitas pessoas que eu conheço, pelas coisas que tenho visto e ouvido. Porque eu acho sim que são estratégiass tortas, se não para todo mundo, para um grupo que pensa como eu. E acho que, no fim das contas, o que realmente falta é bom senso e se colocar do lugar do outro. Ou ainda, às vezes simplesmente não dizer nada.

13 de dez de 2011

Dos clichês que abarrotam nossas vidas

Porque eu sou muito cismada sim com clichês: afinal, eles são uma fórmula pronta... Mas para quê? Para o suposto sucesso, para quando não sabemos o que dizer ou não queremos dizer alguma coisa?

Quem usa muleta é gente que manca...

Os clichês matam certas verdades. Eu, pelo menos, já estive em situações em que o discurso "não é você, sou eu" era sincero, mas não pôde ser usado porque seria tomado como desculpa esfarrapada das mais terríveis. E o que fazer se a pessoa era legal, mas eu não estava interessada? Não sou eu, é você. Ninguém tem obrigação de gostar do outro só porque o outro é legal também, né?

Cabelos compridos são um clichê que eu deixei para trás vai fazer um ano. Aquele papo que eu ouvi a vida inteira de que cabelo comprido é feminino blá blá blá os rapazes preferem cabelos compridos blá blá blá mulheres ficam mais bonitas de cabelo comprido blá blá blá. Dureza isso. De verdade. Deixar o cabelo curtinho foi uma das coisas mais libertadoras que já fiz. E já devo ter escrito sobre isso aqui.

Alguém me disse que certos clichês são obrigatórios, como beijo no happy ending. Dispenso o beijo e o happy ending, mas não a torta na cara da comédia pastelão. Nem sempre o óbvio é livre de encanto. Talvez um dos desafios da vida seja justamente encontrar encanto no vulgar, cotidiano, óbvio. E acho que talvez muitos clichês tenham um fundo de verdade. Talvez mesmo o lance dos cabelos compridos - mas, sinceramente, quem se importa? De repente eu posso até inventar novos clichês, mas que não podem ser só meus. Clichês são culturalmente partilhados por um grupo, não?

Mas acho que o problema dos clichês é que quando os usamos, ligamos no piloto automático e nem pensamos direito naquilo que fazemos ou falamos. Porque mancamos - ou escolhemos mancar? - e andar de muletas (emocionais?) é mais fácil do que tocar com as próprias pernas.

12 de dez de 2011

Fala que eu te escuto - sem te julgar

Porque ele me disse que se abre assim com pouquíssimas pessoas. Arregalei os olhos. Não é todo dia que ouço isso. Porque ele me disse que não fala sobre sua vida sentimental com qualquer um. Me senti honrada e me lembrei que não era a primeira vez que ouvia aquilo. E não tinha sido dele, mas de outra pessoa.

Bom, eu devo estar fazendo alguma coisa certa, não?

Ele me disse que não se sente julgado nem exposto. Sim, eu sou importante para ele. E a recíproca é verdadeira. E eu fico pensando em como todos os sentimentos são cultiváveis e como as pessoas podem ficar o quanto quisermos, o quanto deixarmos, o quanto sentirmos. Aqueles que valem a pena termos em nossas vidas.

Essas coisas que só a gente sabe e sente...

11 de dez de 2011

Porque eu adoro oxigênio e outras coisas, como o Natal

Ufa! Quantos dedos? Cinco. Muito bem, muito bem. Porque eu adoro respirar de novo, sair dos escombros - metafóricos, naturalmente. Fim de ano é ver a casa decorada - e acordar com um Papai Noel cantando no corredor. Oh my. E lembrar do episódio deprê de Ally McBeal. E das inúmeras versões de All I want for Christmas is you - não, azeitonas da minha empada, eu não gosto da Mariah Carey.

O fato é que eu gosto muito dessa época do ano, a despeito da inegável e dolorida nostalgia que passeia por mim ocasionalmente. Cócegas e formigamento. Bom, a retrospectiva sentimental 2011 já foi feita ontem com a Ninfa, entre risos, causos e Scott Pilgrim - que nem achei lá essas coisas. Não compro a ideia dos que esperam o Natal para serem bons, como se fosse necessário separar uma data para isso, mas pelo menos as pessoas ficam mais abertas e sensibilizadas nessa época... Já é alguma coisa, não?

E escrever cartões de Natal. Como gosto de fazer isso!

E descobri como desobedecer é bom. E como é bom obedecer. E achei uma foto sua, inesperada e risonha entre os álbuns que mostrava a Ninfa. Saudade feliz. Queria te olhar nos olhos e dizer:

- Feliz Natal, meu bem.

Entrei em outro turbilhão de sábado para domingo. Sábado de manhã, ele me abraçou e ainda perguntou:

- Você está doente? Tão quietinha.

Nada. Meu cansaço escancarado. Ufa! Saindo do turbilhão trabalho, pós, trabalho, pós. Tão bom isso. O turbilhão agora é aquele das resoluções, balanço e expectativas. Deveras agradável, na verdade. Melhor do que 2010, de qualquer modo.

E vou subvertendo o discurso e a linguagem - o quanto der, o quanto puder. E pensando no cuidado no uso do verbo "perder", porque as pessoas o usam sem pensar - como tantas outras palavras.

Olhei para o verde-água nas minhas unhas e pensei: agora sou eu de novo. E fico criando umas frases de impacto bobas . Mas fui presenteada com uma pérola do Felino:

- Você quer que a pessoa te reconheça quando te vê, e não se reconheça quando te vê.

E dele eu ganhei um dos melhores adjetivos que poderia ganhar. Sim, quem nos conhece que sabe. Para o resto do mundo, eu sou essa menininha. Que seja assim então. Não vou implicar, me importar, encanar. Afinal, as férias estão a caminho. Como sempre, eu sobrevivi ao fim de ano. Só de teimosia mesmo - e pelo prazer em ver as luzinhas de Natal.

8 de dez de 2011

A arte de... abafar a fadiga

Porque as pessoas confundem cansaço com tristeza. Fato. E ao resmungar ontem que queria dormir, Charlie exclamou não-enfática:

- Foi você quem escolheu isso.

Sim, ela tinha razão. Eu escolhi minha profissão e escolhi meus cursos extra. Mas não escolhi certas coisas que os acompanham. Mas elas vêm com as nossas escolhas. Tipo um combo do Burguer King, se bem que até eles devem ser mais flexíveis do que a minha atual condição.

Consigo esconder a raiva, a tristeza e a alegria - a duras penas -, mas não o cansaço, estampado literalmente na minha cara. Também não faço alarde: fico no meu canto com minhas atividades. Mas aí me perguntam se estou bem, porque fico diferente. Todo mundo fica, na verdade.

O que dá para fazer é abafá-lo e deixar para vivê-lo quando tiver tempo para ficar cansada. Mesmo porque, não sou só eu, pelo contrário: a maioria das pessoas que conheço está implorando por férias. Estamos todos no mesmo barco.

E faço da atividade de abafar a fadiga uma arte e começo a série "A arte de...", para fingir que levo jeito para a área de auto-ajuda - e que posso ficar milionária com ela um dia. HÁ. Mas antes de ajudar os outros, tenho que me ajudar e serei capaz de começar a fazer isso quando terminar minhas obrigações e, de consciência tranquila, ir à festa de encerramento do trabalho - salto alto, quem diria - na semana que vem.

Contagem regressiva.



7 de dez de 2011

Feliz Natal [1]: Os presentes

Ela olhou desconsertada para sua cama. Calhou de tudo estar lá: as velas aromáticas, a lingerie nova, o perfume. Presentes de Natal que ela abrira antes da hora. Mas ainda faltava alguma coisa. E não era sua disposição - ou predisposição.

Já tinham lhe dito para sair por aí e arriscar. Mas o seu modo de arriscar era outro, bem diferente do que lhe ditavam. Seu modo de sentir era outro. Nem melhor nem pior, só diferente. Ficou entre guardar tudo e experimentar tudo - só para si. Não adiantava se compartilhar quando não havia ninguém que despertasse tal vontade ou desejo, não importava o que dissessem.

E, pela primeira vez em tempos, hesitava, sem saber o que fazer com os presentes sobre sua cama. O presente que queria era outro.  E tudo aquilo provava que ela era humana afinal.

6 de dez de 2011

Caindo na real (4): Nem todo homem é desligado

Sim, isso é muito feio, mas tem coisas que eu acabo generalizando mesmo. Homem tapado desligado é uma delas, porque era essa a impressão que eu tinha até a semana passada quando...

Várias pessoas sexo masculino  (cinco para ser exata) repararam a aliança de noivado na minha mão direita. Não minha gente: não estou noiva, mas foi esse o boato que correu solto. Um anel é apenas um anel - ou o que os outros imaginarem? Seja como for, o engano veio a calhar. Assim, como o anel.

Se os homens não são tão desligados, o que foi a minha convivência com eles durante os últimos anos? Ou o que são dois dos meus colegas de trabalho, incapazes de escolher um par de brincos para as esposas por não saberem do que elas gostam? Ou será que é tudo uma questão de fazer-se de desligado mesmo, só reparando quando interessa? E depois as mulheres são complicadas...

... Convenhamos: o ser humano é complicado.

5 de dez de 2011

O Homem-Banana e as bolhas de sabão

Para o Felino, conforme prometido.

A Mulher Sabão de Coco era dura e inflexível. E, pior ainda, escorregadia. Missa do Galo às avessas, rodopiando para longe dele. Escorregava pelos dias e mãos e vontades do Homem-Banana, que ficava a ver navios. Entretanto, o seu encanto por ela e suas bolhas de sabão vinham na mesma medida do seu embaraço e falta de jeito. Afinal, ele era o Homem-Banana e cabia a ele, e somente a ele, deixar que ela escapasse por entre seus dedos débeis. E ela era Mulher Sabão de Coco e não o era por maldade, apenas por instinto de sobrevivência. Porque as suas marcas não tinha sabão de coco que tirasse. Não, dizer aquilo era ser dramático. Ela era Mulher Sabão de Coco porque era isso agora o que ditava a sua natureza. Nem mais, nem menos

1 de dez de 2011

Caindo na real (3): O problema é você - e não a mídia social!



Gata molhada
Se eu posto uma foto minha no melhor estilo gata molhada do Gugu, estou querendo exatamente o quê? No mínimo, chamar a atenção. Ok, é um dirieito. Acho válido. Por esses dias, uma conhecida colocou uma foto de calcinha no facebook. E me veio a ideia para o post.

E aí?  Longe de ser moralista, o que eu queria que as pessoas entendessem é que cada um escolhe se expor como quiser. O fato é que fotos, textos e palavras que disponibilizamos na internet não ficam restritas a quatro parede (não mesmo), mas sim escancaradas para as pessoas, para o mundo - por mais recursos de privacidade que existam. E palavra escrita gravada na pedra lançada mundo a fora faz como para reter, voltar atrás? 

Este blog mesmo. Eu tenho noção da exposição que ele pode proporcionar - como proporciona às vezes, mas isso é uma coisa que eu assumo.  E também sei que várias pessoas de quem não gosto o conhecem e têm acesso a ele. Espero que não tenham interesse - e assumo o risco.

Se eu xingo meu chefe, meu ex, meu cachorro, meu cunhado... Se eu faço piadas racistas ou machistas... Se eu coloco fotos minhas pichando a suástica num muro do meu bairro... Bom, estou fazendo isso para que o mundo veja quem eu sou. Ou o que aparento ser. Ser e parecer. E de quem é a responsabilidade pela minha imagem?

Ou seja, o problema não é facebook, twitter, tumblr, orkut ou similares, mas sim o que raios as pessoas colocam, o modo como se expõem. Estamos cansados de ver casos de pessoas que decidem expor seus preconceitos, ideias tortas e afins e acabam perdendo chances de emprego, de novas amizades e de ficarem quietas. E o povo não entende mais que a chance de ficar quieto deve sempre ser considerada... Liberdade de expressão virou licença para babaquice.

E outra coisa: falar o que se pensa virou palhaçada, porque as pessoas perderam o filtro. Eu ouço cada coisa que fico besta e aí eu matuto que eram coisas que as pessoas abafavam antes. Se por um lado é bom, porque aí a gente vê quem é quem (adeus hipocrisia?), por outro, é preocupante, porque as pessoas não tem mais vergonha nem se intimidam de dizer certas coisas. E aí?

Salvo exceções, cada um faz a sua exposição nas mídias sociais pelas quais passeia. O resto é falta de sensatez -  coisa que atualmente se deveria vender em farmácia, como pílula.