13 de dez de 2011

Dos clichês que abarrotam nossas vidas

Porque eu sou muito cismada sim com clichês: afinal, eles são uma fórmula pronta... Mas para quê? Para o suposto sucesso, para quando não sabemos o que dizer ou não queremos dizer alguma coisa?

Quem usa muleta é gente que manca...

Os clichês matam certas verdades. Eu, pelo menos, já estive em situações em que o discurso "não é você, sou eu" era sincero, mas não pôde ser usado porque seria tomado como desculpa esfarrapada das mais terríveis. E o que fazer se a pessoa era legal, mas eu não estava interessada? Não sou eu, é você. Ninguém tem obrigação de gostar do outro só porque o outro é legal também, né?

Cabelos compridos são um clichê que eu deixei para trás vai fazer um ano. Aquele papo que eu ouvi a vida inteira de que cabelo comprido é feminino blá blá blá os rapazes preferem cabelos compridos blá blá blá mulheres ficam mais bonitas de cabelo comprido blá blá blá. Dureza isso. De verdade. Deixar o cabelo curtinho foi uma das coisas mais libertadoras que já fiz. E já devo ter escrito sobre isso aqui.

Alguém me disse que certos clichês são obrigatórios, como beijo no happy ending. Dispenso o beijo e o happy ending, mas não a torta na cara da comédia pastelão. Nem sempre o óbvio é livre de encanto. Talvez um dos desafios da vida seja justamente encontrar encanto no vulgar, cotidiano, óbvio. E acho que talvez muitos clichês tenham um fundo de verdade. Talvez mesmo o lance dos cabelos compridos - mas, sinceramente, quem se importa? De repente eu posso até inventar novos clichês, mas que não podem ser só meus. Clichês são culturalmente partilhados por um grupo, não?

Mas acho que o problema dos clichês é que quando os usamos, ligamos no piloto automático e nem pensamos direito naquilo que fazemos ou falamos. Porque mancamos - ou escolhemos mancar? - e andar de muletas (emocionais?) é mais fácil do que tocar com as próprias pernas.

2 comentários:

renatocinema disse...

Minha amiga poeta......que reflexão perfeita é essa? Adorei, de verdade.

Mistura total entre sentimento, filosofia, cinema e romance.

Amei o final.

Ganhou um fã na literatura, seja isso clichê ou não.

£ädÿ disse...

clichês são um mal necessário - na literatura, digo. na vida real, quando eles acontecem, diferentemente de tornar tudo mais simples e interessante (olha, minha vida é um filme!), são um saco. pelo menos eu acho. mas não dá pra fugir deles, seja do "não é você, sou eu" ou do velho clichê da mocinha sofredora. todo mundo passa por um clichezinho na sua vida. ou, como vc, corta pela raiz (ou pela metade. já mencionei que adoro seu cabelo?)